Essa aula foi pensada para unir leitura, escrita e oralidade de um jeito que faça sentido para o aluno do 5º ano. A ideia central é simples e poderosa: os alunos vão ler um trecho de um texto narrativo, prestar atenção nos diálogos e nos verbos que introduzem as falas dos personagens, e depois reescrever o final da história com novos diálogos criados por eles mesmos.
A escolha do texto é estratégica. Pode ser um clássico da literatura infantojuvenil brasileira ou um texto contemporâneo que os alunos já conheçam de alguma forma. O importante é que o trecho tenha diálogos ricos, com verbos de enunciação variados, como 'sussurrou', 'gritou', 'respondeu com ironia' ou 'implorou'. Esses verbos são o coração da atividade.
Durante a leitura coletiva, o professor vai conduzir uma conversa sobre como o verbo escolhido muda completamente o tom da fala. Um personagem que 'grita' transmite algo muito diferente de um que 'murmura' a mesma frase. Essa percepção é o que a BNCC chama de efeito de sentido, e é exatamente o que queremos que os alunos desenvolvam.
Depois da discussão, cada aluno recebe a tarefa de reescrever o final da história mantendo os personagens originais, mas criando novos diálogos com verbos de enunciação expressivos e variados. Não existe resposta certa ou errada: cada final vai refletir a leitura e a criatividade de quem escreveu.
No fechamento da aula, os alunos compartilham suas produções em voz alta. Ouvir os finais dos colegas é tão importante quanto escrever o próprio, porque mostra como o mesmo texto pode gerar interpretações completamente diferentes. Isso abre espaço para conversar sobre respeito, escuta e valorização das diferentes formas de ver o mundo.
O foco dessa aula está em fazer o aluno perceber que as escolhas linguísticas têm consequências reais no texto. Quando um aluno troca 'disse' por 'resmungou', ele não está apenas variando o vocabulário: está mudando o humor do personagem, o clima da cena e a relação entre as personagens. Essa consciência é o que queremos construir. A escrita do novo final exige que o aluno tome decisões autorais, o que desenvolve autonomia e protagonismo. Já o momento de compartilhamento oral trabalha a escuta ativa e o respeito às produções dos colegas.
O conteúdo dessa aula gira em torno de um elemento linguístico muito específico: o verbo de enunciação. Mas para chegar até ele, os alunos precisam passar pela leitura atenta do texto, pela compreensão da estrutura narrativa e pela análise dos diálogos. Tudo isso se conecta de forma natural, sem precisar fragmentar o ensino em partes isoladas. A escrita do novo final é o momento em que o aluno aplica tudo o que observou, e o compartilhamento oral fecha o ciclo com reflexão coletiva.
A aula começa com leitura compartilhada e discussão coletiva, o que garante que todos os alunos entrem no texto juntos antes de trabalhar de forma individual. O professor atua como mediador durante a conversa sobre os verbos de enunciação, fazendo perguntas que provocam reflexão, como 'o que muda se eu trocar esse verbo por outro?' ou 'como você imagina a voz do personagem quando ele sussurra?'. Depois, a escrita individual dá espaço para a criatividade e a autonomia de cada aluno. O encerramento com compartilhamento oral valoriza a produção de todos e cria um momento genuíno de escuta e respeito.
Com 60 minutos disponíveis, a aula precisa de um ritmo bem definido para que todas as etapas aconteçam sem pressa. A leitura e a discussão ocupam a primeira metade do tempo, e a escrita individual fica para a segunda parte. O compartilhamento oral é breve, mas essencial, e deve ser protegido no cronograma para não ser cortado por falta de tempo.
Momento 1: Abertura e Leitura Compartilhada do Trecho Narrativo (Estimativa: 10 minutos)
Inicie a aula apresentando o trecho narrativo escolhido para a turma. Distribua as cópias impressas para cada aluno ou projete o texto no datashow, garantindo que todos consigam acompanhar a leitura com conforto. Faça a leitura em voz alta com entonação expressiva, dando vida aos personagens e destacando naturalmente os momentos de diálogo. É importante que você demonstre, com a própria voz, como os verbos de enunciação influenciam a forma de ler cada fala — por exemplo, leia um trecho em que o personagem 'sussurra' de forma suave e discreta, e outro em que ele 'grita' com intensidade. Permita que alguns alunos também participem da leitura, convidando voluntários para ler as falas dos personagens. Observe se os alunos acompanham o texto com atenção e se demonstram reações espontâneas diante das situações narradas, pois isso indica engajamento inicial com a história. Ao final da leitura, faça uma pergunta simples e motivadora para despertar a curiosidade: 'O que vocês acharam desse final? Será que os personagens poderiam ter agido de outro jeito?'
Momento 2: Discussão Coletiva e Análise Prática dos Verbos de Enunciação (Estimativa: 15 minutos)
Conduza uma discussão coletiva mediada sobre os diálogos presentes no trecho lido. Pergunte à turma quais falas chamaram mais atenção e por quê. Em seguida, dirija o olhar dos alunos para os verbos que introduzem essas falas — escreva no quadro alguns exemplos retirados do próprio texto, como 'disse', 'gritou', 'sussurrou', 'implorou', 'respondeu com ironia'. Proponha a análise prática: escreva no quadro uma mesma frase de um personagem e troque apenas o verbo de enunciação, por exemplo: 'Não vou embora', disse ele. / 'Não vou embora', gritou ele. / 'Não vou embora', murmurou ele. Pergunte à turma: 'O que muda em cada versão? Como vocês imaginam a cena de forma diferente?' É importante que você valorize todas as respostas, criando um ambiente seguro para a participação. Anote no quadro as percepções dos alunos, organizando uma pequena lista coletiva de verbos de enunciação com seus efeitos de sentido. Observe se os alunos conseguem perceber as diferenças de tom e emoção entre os verbos — essa é uma indicação de que estão desenvolvendo a habilidade de análise linguística esperada. Ao final deste momento, deixe a lista de verbos visível no quadro como apoio para a atividade de escrita que virá a seguir.
Momento 3: Escrita Individual do Novo Final com Novos Diálogos (Estimativa: 20 minutos)
Explique à turma a proposta de escrita com clareza e entusiasmo: cada aluno vai reescrever o final da história mantendo os personagens originais, mas criando novos diálogos com verbos de enunciação expressivos e variados. Reforce que não existe resposta certa ou errada — o que importa é que o novo final faça sentido com os personagens e que os diálogos sejam escritos no discurso direto, com pelo menos três verbos de enunciação diferentes. Combine previamente com a turma os critérios de avaliação do texto, escrevendo-os no quadro de forma simples: uso de pelo menos 3 verbos de enunciação diferentes; coerência com os personagens originais; diálogos no discurso direto; criatividade no desfecho. Durante a escrita, circule pela sala observando o desenvolvimento de cada aluno. Ofereça intervenções individuais quando necessário, fazendo perguntas que estimulem o pensamento, como: 'Como você acha que esse personagem falaria nesse momento? Ele estaria nervoso, aliviado, com medo?' Para alunos que demonstrarem dificuldade em começar, sugira que escolham primeiro o verbo de enunciação que querem usar e depois pensem na fala do personagem a partir dele. É importante que você evite dar respostas prontas — o papel do professor neste momento é provocar e apoiar, não substituir a criação do aluno. Observe se os alunos estão utilizando os verbos da lista do quadro e se estão construindo diálogos com coerência narrativa.
Momento 4: Compartilhamento Oral das Produções e Roda de Conversa Final (Estimativa: 15 minutos)
Convide os alunos a compartilharem seus finais em voz alta para a turma. Se o tempo não permitir que todos leiam, organize uma seleção representativa — por exemplo, três ou quatro alunos com finais bastante diferentes entre si, o que enriquece a conversa. Incentive uma leitura expressiva, lembrando que os verbos de enunciação que eles escolheram devem se refletir na forma como leem as falas dos personagens. Permita que a turma ouça com atenção e respeito, reforçando a importância da escuta como parte do aprendizado. Após as leituras, conduza uma roda de conversa rápida com perguntas como: 'O que chamou atenção nos finais dos colegas? Alguém usou um verbo que vocês não tinham pensado? Como o mesmo personagem ficou diferente em cada história?' É importante que você valorize as diferenças entre as produções, mostrando que a diversidade de interpretações é uma riqueza, não um erro. Finalize o momento reforçando o aprendizado do dia: os verbos de enunciação têm o poder de transformar completamente o tom de uma fala e, portanto, de uma história inteira. Como avaliação da oralidade, registre em uma lista simples quais alunos realizaram a leitura em voz alta e quais participaram dos comentários na roda de conversa, observando clareza na leitura e postura de escuta respeitosa.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as orientações a seguir têm caráter preventivo e inclusivo, pensadas para garantir que todos os alunos participem com conforto e segurança ao longo da aula.
Durante a leitura compartilhada, certifique-se de que o texto esteja em tamanho de fonte legível (recomenda-se no mínimo fonte 14) e que a projeção, caso utilizada, esteja visível de todos os ângulos da sala. Reposicione alunos que demonstrem dificuldade de enxergar ou ouvir sem constrangimento.
Na discussão coletiva, evite chamar alunos de forma aleatória e inesperada — prefira convidar voluntários ou avisar previamente quem vai participar, o que reduz a ansiedade e favorece respostas mais elaboradas. Valorize todas as contribuições, mesmo as mais simples, criando um ambiente psicologicamente seguro para a participação oral.
Durante a escrita individual, ofereça a lista de verbos de enunciação impressa para alunos que demonstrarem maior dificuldade com a escrita autônoma. Essa é uma estratégia de andaime pedagógico que apoia sem substituir o esforço do aluno. Para alunos que terminarem antes do tempo, proponha um desafio extra: reescrever o mesmo trecho do final trocando todos os verbos de enunciação por antônimos e observar como a história muda.
No momento do compartilhamento oral, respeite os alunos que demonstrarem timidez ou resistência em ler em voz alta. Ofereça alternativas, como ler apenas um trecho curto ou pedir a um colega de confiança que leia junto. O objetivo é que todos se sintam incluídos no processo, não expostos. Lembre-se: criar um ambiente de respeito e acolhimento é a estratégia de inclusão mais poderosa que um professor pode oferecer, e isso está completamente ao seu alcance.
A avaliação dessa aula tem dois momentos principais: um formativo, durante a atividade, e um de produto, a partir do texto escrito. O professor observa a participação dos alunos na discussão coletiva e anota quem demonstra compreensão sobre o efeito dos verbos de enunciação. O texto produzido é avaliado com critérios claros e combinados com os alunos antes da escrita, o que torna o processo mais transparente e justo. O compartilhamento oral também é um momento avaliativo, mas sem pressão de nota: o foco é observar fluência, confiança e escuta.
Os recursos dessa aula são simples e acessíveis. O texto narrativo pode ser impresso ou projetado, dependendo da estrutura da escola. O quadro ou lousa é fundamental para a etapa de análise dos verbos de enunciação, que é o momento mais visual da aula. Não é necessário nenhum recurso tecnológico sofisticado, mas se a escola tiver projetor, ele pode enriquecer a exibição do texto e das comparações entre verbos.
Toda turma tem alunos que chegam ao texto de formas diferentes, e isso é completamente normal. Alguns vão se engajar mais na discussão oral, outros vão brilhar na escrita. A estrutura dessa aula já contempla os dois perfis. Para alunos com mais dificuldade na escrita, a lista de verbos de enunciação no quadro funciona como andaime sem expor ninguém. Se houver alunos que leem com mais dificuldade, o professor pode fazer a leitura em voz alta com entonação expressiva, o que beneficia toda a turma. Fique atento a alunos que evitam participar do compartilhamento oral: ofereça a opção de ler apenas um trecho curto, sem obrigatoriedade de apresentar o texto completo.
Todos os planos de aula são criados e revisados por professores como você, com auxílio da Inteligência Artificial
Crie agora seu próprio plano de aula