Mercadinho da Turma: Comprando, Dividindo e Multiplicando!

Desenvolvida por: Bruna … (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Matemática — Grandezas e Medidas, Números e Operações
Temática: Multiplicação e divisão em contextos práticos de compra e venda

Essa atividade coloca os alunos do 4º ano dentro de um mercadinho de verdade — só que montado na própria sala de aula. A ideia central é simples: aprender multiplicação e divisão faz muito mais sentido quando o aluno precisa calcular quanto vai pagar por três pacotes de biscoito ou dividir o troco entre dois amigos.

Ao longo de três aulas, os alunos passam por experiências bem diferentes entre si. Na primeira, o professor apresenta os conceitos usando cartazes com produtos e preços, como se fossem prateleiras de mercado. Os alunos veem, na prática, que comprar quatro caixas de suco a R$ 2,00 cada é o mesmo que somar quatro parcelas iguais — e que isso tem um nome: multiplicação. A divisão aparece quando o grupo precisa rachar uma conta ou distribuir itens igualmente.

Na segunda aula, o clima muda. Os alunos jogam o 'Desafio do Caixa', um jogo de cartas com situações-problema de compras. Cada carta traz um desafio diferente: calcular o total de uma compra, descobrir o troco, dividir o valor entre amigos. O jogo estimula o raciocínio rápido e a troca entre os colegas.

A terceira aula é o ponto alto: os alunos montam fisicamente o mercadinho com embalagens reais, etiquetas de preço feitas por eles e dinheiro de papel. Em grupos, fazem compras, registram os cálculos no caderno e assumem papéis diferentes — cliente, caixa, repositor. Essa rotação garante que todos vivenciem cada função.

A atividade contempla as habilidades EF04MA06, EF04MA07 e EF04MA08, conectando operações matemáticas a situações reais do cotidiano. Não são usados recursos digitais em nenhuma das aulas, o que valoriza o material concreto e a interação presencial entre os alunos.

Objetivos de Aprendizagem

O foco principal dessas três aulas é fazer com que os alunos deixem de ver multiplicação e divisão como operações isoladas e comecem a reconhecê-las em situações do dia a dia. Quando o aluno percebe que está multiplicando ao calcular o preço de vários itens iguais, o conceito ganha outro peso. O mesmo vale para a divisão: repartir o valor de uma compra entre amigos é uma situação real, não um exercício abstrato. As atividades foram pensadas para que esse reconhecimento aconteça de forma gradual — primeiro com apoio visual e explicação direta, depois com o jogo e, por fim, com a prática concreta do mercadinho.

  • Reconhecer a multiplicação como adição de parcelas iguais em situações de compra, como calcular o total de vários itens com o mesmo preço.
  • Resolver divisões simples com significado de repartição equitativa, como dividir o valor de uma compra entre dois ou mais colegas.
  • Usar estratégias variadas de cálculo — estimativa, cálculo mental e algoritmo escrito — para resolver problemas de compra e venda.
  • Registrar os cálculos realizados durante o mercadinho de forma organizada no caderno, mostrando o raciocínio usado.
  • Identificar combinações possíveis entre produtos e quantidades, reconhecendo situações simples de contagem e agrupamento.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF04MA06: Resolver e elaborar problemas envolvendo diferentes significados da multiplicação (adição de parcelas iguais, organização retangular e proporcionalidade), utilizando estratégias diversas, como cálculo por estimativa, cálculo mental e algoritmos. Conheça mais sobre a EF04MA06
  • EF04MA07: Resolver e elaborar problemas de divisão cujo divisor tenha no máximo dois algarismos, envolvendo os significados de repartição equitativa e de medida, utilizando estratégias diversas, como cálculo por estimativa, cálculo mental e algoritmos. Conheça mais sobre a EF04MA07
  • EF04MA08: Resolver, com o suporte de imagem e/ou material manipulável, problemas simples de contagem, como a determinação do número de agrupamentos possíveis ao se combinar cada elemento de uma coleção com todos os elementos de outra, utilizando estratégias e formas de registro pessoais. Conheça mais sobre a EF04MA08

Conteúdo Programático

Os conteúdos dessa atividade giram em torno das operações de multiplicação e divisão, mas sempre amarrados ao contexto do mercadinho. O professor não precisa apresentar os temas de forma separada — eles aparecem juntos, como acontece na vida real. Um aluno que compra três produtos iguais precisa multiplicar; se vai dividir o total com um colega, precisa dividir. Essa conexão entre os conteúdos é o que dá coerência às três aulas e evita que o aluno aprenda operações desconectadas umas das outras.

  • Multiplicação como adição de parcelas iguais: calcular o total de itens com o mesmo preço.
  • Multiplicação por organização retangular: disposição de produtos em prateleiras por linhas e colunas.
  • Divisão com significado de repartição equitativa: dividir valores e quantidades entre colegas.
  • Divisão com significado de medida: descobrir quantas vezes um valor cabe em outro (ex: quantos itens de R$3 cabem em R$12).
  • Estratégias de cálculo: estimativa, cálculo mental e registro escrito do algoritmo.
  • Noções de contagem e combinação: quantas combinações de produtos e quantidades são possíveis numa compra.

Metodologia

As três aulas usam metodologias diferentes de forma intencional. A aula expositiva abre o caminho com explicação direta e visual, sem sobrecarregar os alunos com abstração. O jogo de cartas da segunda aula serve como ponte — os alunos praticam os cálculos num ambiente menos formal, com mais liberdade para errar e tentar de novo. O mercadinho da terceira aula fecha o ciclo com a experiência mais concreta: os alunos aplicam tudo que aprenderam em situações reais, com material físico nas mãos. Essa progressão — do conceitual para o lúdico e depois para o prático — respeita o ritmo de aprendizagem da turma e mantém o engajamento ao longo das aulas.

  • Aula expositiva com cartazes de produtos e preços: o professor apresenta os conceitos usando imagens de prateleiras de mercado, tornando a explicação visual e concreta.
  • Aprendizagem baseada em jogos com o 'Desafio do Caixa': jogo de cartas com situações-problema de compras, onde os alunos calculam totais e trocos em duplas ou trios.
  • Atividade mão na massa com o mercadinho físico: os alunos montam o espaço, criam etiquetas, usam dinheiro de papel e registram os cálculos no caderno.
  • Rotação de papéis no mercadinho: cada aluno passa pelas funções de cliente, caixa e repositor, garantindo que todos vivenciem diferentes perspectivas da atividade.
  • Registro escrito dos cálculos: ao longo das aulas, os alunos anotam as operações realizadas, desenvolvendo o hábito de mostrar o raciocínio matemático.

Aulas e Sequências Didáticas

As três aulas foram organizadas numa sequência que vai do mais estruturado para o mais autônomo. Na primeira, o professor conduz a maior parte do tempo. Na segunda, os alunos já têm mais espaço para tomar decisões dentro do jogo. Na terceira, eles são os protagonistas do mercadinho. Essa progressão é importante para que os alunos cheguem à aula prática com segurança nos conceitos e nas operações, sem depender o tempo todo do professor para avançar.

  • Aula 1 (60 min): O professor apresenta multiplicação e divisão usando cartazes com produtos e preços simulando prateleiras de mercado. Os alunos resolvem situações-problema coletivamente, com o professor mediando os cálculos no quadro e incentivando estratégias variadas.
  • Momento 1: Abertura e Conexão com o Cotidiano (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula perguntando à turma: 'Quem já foi ao mercado com alguém da família? O que vocês compraram?' Permita que os alunos compartilhem brevemente suas experiências, criando um clima de conversa descontraída. Em seguida, apresente os cartazes com imagens de produtos e etiquetas de preço, fixando-os no quadro ou em um espaço visível da sala, simulando prateleiras de mercado. Diga aos alunos que, nas próximas aulas, eles vão montar um mercadinho de verdade na sala — e que hoje é o dia de aprender a fazer as contas como um verdadeiro caixa. É importante que esse momento de escuta seja breve e animado, funcionando como motivação para o que vem a seguir. Observe se os alunos demonstram familiaridade com situações de compra, pois isso será útil para calibrar o nível das perguntas ao longo da aula.

    Momento 2: Apresentação da Multiplicação como Adição de Parcelas Iguais (Estimativa: 15 minutos)
    Com os cartazes já expostos, escolha um produto — por exemplo, um pacote de biscoito com etiqueta de R$ 3,00 — e pergunte: 'Se eu quero comprar 4 pacotes, quanto vou pagar no total?' Escreva no quadro a adição repetida: R$ 3,00 + R$ 3,00 + R$ 3,00 + R$ 3,00 = R$ 12,00. Em seguida, apresente a forma mais rápida de escrever isso: 4 x R$ 3,00 = R$ 12,00. Explique que multiplicar é exatamente isso — somar várias vezes a mesma quantidade. Repita o raciocínio com outro produto do cartaz, desta vez pedindo que um aluno voluntário venha ao quadro tentar escrever a conta. Incentive a turma a usar cálculo mental antes de registrar o resultado. É importante que você valorize todas as tentativas, mesmo as incorretas, mostrando como o erro ajuda a pensar. Apresente também a ideia de organização retangular: mostre no cartaz produtos dispostos em fileiras e colunas (ex: 3 fileiras com 4 caixas de suco cada) e pergunte quantas caixas há no total, conectando a imagem à multiplicação 3 x 4 = 12.

    Momento 3: Apresentação da Divisão com Significado de Repartição (Estimativa: 10 minutos)
    Mantenha o clima de mercadinho e apresente uma nova situação: 'Dois amigos foram juntos ao mercado e gastaram R$ 10,00 no total. Como eles podem dividir esse valor igualmente?' Escreva no quadro: R$ 10,00 ÷ 2 = R$ 5,00 cada. Explique que dividir, nesse caso, significa repartir de forma justa — cada um fica com a mesma parte. Em seguida, apresente a divisão com significado de medida: 'Se cada item custa R$ 3,00 e eu tenho R$ 12,00, quantos itens posso comprar?' Escreva: R$ 12,00 ÷ R$ 3,00 = 4 itens. Mostre que, aqui, a pergunta é diferente: não estamos dividindo entre pessoas, mas descobrindo quantas vezes um valor cabe no outro. Use os cartazes para tornar esses exemplos visuais e concretos. Permita que os alunos respondam oralmente antes de você registrar no quadro, estimulando o cálculo mental.

    Momento 4: Resolução Coletiva de Situações-Problema (Estimativa: 20 minutos)
    Proponha de três a quatro situações-problema baseadas nos produtos dos cartazes, resolvendo-as coletivamente com a mediação do professor. Escreva cada situação no quadro, uma de cada vez, e dê um tempo para que os alunos pensem individualmente antes de abrir para a turma. Exemplos de situações: 'Maria comprou 5 garrafinhas de água a R$ 2,00 cada. Quanto ela pagou no total?'; 'Pedro e Ana compraram juntos R$ 14,00 em produtos. Dividindo igualmente, quanto cada um pagou?'; 'Cada caixinha de suco custa R$ 4,00. Com R$ 16,00, quantas caixinhas posso comprar?'. Para cada situação, pergunte: 'Qual operação vamos usar aqui — multiplicação ou divisão? Por quê?' Incentive os alunos a explicarem o raciocínio em voz alta. Valorize estratégias diferentes: quem usou adição repetida, quem fez cálculo mental, quem preferiu escrever a conta. Escreva no quadro as diferentes formas de resolver o mesmo problema, mostrando que há mais de um caminho correto. Observe se os alunos conseguem identificar quando multiplicar e quando dividir — esse é um indicador importante de aprendizagem nesta aula.

    Momento 5: Fechamento e Antecipação da Próxima Aula (Estimativa: 5 minutos)
    Encerre a aula fazendo uma breve síntese oral com a turma: 'O que aprendemos hoje? Quando usamos multiplicação? E divisão?' Permita que dois ou três alunos respondam com suas próprias palavras. Registre no quadro as frases-síntese que surgirem, como: 'Multiplicação é somar várias vezes a mesma coisa' e 'Divisão é repartir de forma igual ou descobrir quantas vezes um número cabe no outro'. Finalize anunciando com entusiasmo: 'Na próxima aula, vocês vão jogar o Desafio do Caixa — um jogo de cartas com situações de compra para resolver em duplas. Preparem-se!' Esse encerramento cria expectativa e reforça o engajamento para as aulas seguintes.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está fazendo um trabalho incrível ao pensar em todos os seus alunos — e pequenas adaptações já fazem uma grande diferença no dia a dia. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esta aula:

    Para alunos com TDAH: Durante a apresentação dos cartazes, posicione esses alunos mais próximos ao quadro e aos materiais expostos, reduzindo distrações visuais ao redor. Divida as explicações em blocos curtos e intercale com perguntas diretas a eles — isso ajuda a manter o foco sem expô-los negativamente. Nas situações-problema coletivas, convide-os a vir ao quadro escrever a conta, pois o movimento e a participação ativa ajudam a canalizar a energia. Se perceber que um aluno com TDAH está se dispersando, faça uma pergunta simples e direta a ele, como 'Você acha que aqui a gente multiplica ou divide?', trazendo-o de volta à atividade de forma natural. Evite longas explicações sem pausas — prefira explicar, perguntar, registrar no quadro e só então continuar.

    Para alunos com TEA Nível 1: Antecipe o que vai acontecer na aula logo no início, descrevendo brevemente a sequência: 'Hoje vamos ver cartazes de mercado, aprender multiplicação e divisão e resolver problemas juntos.' Essa previsibilidade reduz a ansiedade e facilita a participação. Durante as situações-problema coletivas, evite pressionar esses alunos a responder oralmente na frente de todos — prefira perguntar de forma mais próxima e discreta, ou aceitar que respondam por escrito no caderno enquanto a turma discute. Se o aluno demonstrar dificuldade com o barulho ou a movimentação da aula, permita que ele fique em um lugar mais tranquilo da sala sem que isso seja visto como punição. Valorize a participação desse aluno de forma genuína, mesmo que ela aconteça de maneira diferente dos demais.

  • Aula 2 (60 min): Os alunos jogam o 'Desafio do Caixa' em duplas ou trios. Cada rodada traz uma carta com uma situação de compra. O grupo que resolver corretamente primeiro marca ponto. O professor circula, observa as estratégias usadas e intervém quando necessário.
  • Momento 1: Retomada e Apresentação do Jogo (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula fazendo uma retomada rápida do que foi aprendido na aula anterior. Pergunte à turma: 'Quem lembra quando usamos multiplicação no mercadinho? E quando usamos divisão?' Permita que dois ou três alunos respondam com suas próprias palavras, valorizando as respostas e corrigindo gentilmente eventuais equívocos. Em seguida, anuncie com entusiasmo que chegou o momento do 'Desafio do Caixa'. Mostre o baralho de cartas para a turma e explique como o jogo funciona: as duplas ou trios receberão cartas com situações de compra e deverão resolver os cálculos corretamente para marcar pontos. Explique as regras de forma clara e objetiva: cada grupo recebe uma carta por rodada, resolve o problema no caderno, e o primeiro grupo a apresentar a resposta correta marca um ponto na folha de pontuação. É importante que você reforce que o objetivo não é apenas ser o mais rápido, mas também mostrar o raciocínio usado — respostas sem registro no caderno não valem ponto. Distribua as folhas de pontuação e organize a sala em duplas ou trios antes de iniciar o jogo.

    Momento 2: Organização dos Grupos e Distribuição dos Materiais (Estimativa: 5 minutos)
    Organize a turma em duplas ou trios de forma estratégica, misturando alunos com diferentes níveis de habilidade para favorecer a troca entre os colegas. Evite deixar juntos alunos que costumam se dispersar facilmente. Distribua para cada grupo: um conjunto de cartas do 'Desafio do Caixa' viradas para baixo, uma folha de pontuação e oriente que cada aluno tenha o caderno aberto e o lápis em mãos para registrar os cálculos. Explique que as cartas devem ser retiradas uma por vez, somente quando você der o sinal de início de cada rodada. Esse controle do ritmo é importante para que todos os grupos comecem ao mesmo tempo e para que você consiga observar as estratégias usadas por cada dupla ou trio. Observe se todos os grupos entenderam as regras antes de iniciar — se necessário, faça uma rodada de exemplo com a turma toda, resolvendo uma carta coletivamente no quadro.

    Momento 3: Rodadas do Desafio do Caixa (Estimativa: 30 minutos)
    Dê o sinal de início e deixe os grupos retirarem a primeira carta. Circule pela sala observando como cada grupo está resolvendo o problema: quem usa adição repetida, quem faz cálculo mental, quem escreve o algoritmo diretamente. Não interfira imediatamente quando um grupo errar — primeiro observe se eles mesmos percebem o equívoco ao discutir entre si. Quando um grupo levantar a mão indicando que terminou, verifique rapidamente o registro no caderno antes de confirmar o ponto. Se a resposta estiver correta e o raciocínio registrado, marque o ponto na folha de pontuação. Se estiver incorreta, diga apenas 'Continuem tentando' e siga para o próximo grupo. Após todos os grupos entregarem a resposta ou após um tempo limite de aproximadamente três minutos por carta, faça uma correção coletiva rápida no quadro, perguntando: 'Como vocês resolveram essa?' Valorize estratégias diferentes para o mesmo problema. Repita esse ciclo por cerca de seis a oito rodadas, variando o grau de dificuldade das cartas ao longo do jogo — comece com situações mais simples, como calcular o total de três itens iguais, e avance para situações que envolvam divisão ou combinação de operações. É importante que você intervenha de forma pontual nos grupos que demonstrarem dificuldade persistente, fazendo perguntas orientadoras como 'Quantas vezes esse valor se repete?' ou 'Como você pode dividir esse total entre os dois?', sem dar a resposta diretamente. Observe se os alunos conseguem identificar qual operação usar em cada situação — esse é o principal indicador de aprendizagem desta aula.

    Momento 4: Rodada Bônus Coletiva (Estimativa: 10 minutos)
    Encerre as rodadas individuais e proponha uma carta bônus para ser resolvida por toda a turma ao mesmo tempo. Leia a situação em voz alta e escreva-a no quadro, por exemplo: 'A turma comprou 6 pacotes de biscoito a R$ 4,00 cada e dividiu o total igualmente entre 3 grupos. Quanto cada grupo pagou?' Dê um tempo para que todos resolvam individualmente no caderno antes de abrir para discussão. Em seguida, peça que voluntários compartilhem como chegaram à resposta, registrando no quadro as diferentes estratégias apresentadas. Essa rodada coletiva serve tanto como consolidação dos conceitos quanto como momento de avaliação formativa, pois permite que você observe quem ainda apresenta dificuldades e quem já demonstra autonomia nas operações. Valorize especialmente os alunos que conseguirem explicar o raciocínio com clareza para os colegas.

    Momento 5: Fechamento, Pontuação Final e Reflexão (Estimativa: 5 minutos)
    Encerre o jogo somando os pontos de cada grupo e anunciando os resultados de forma descontraída, celebrando o esforço de todos. É importante que você reforce que o mais importante não foi quem ganhou mais pontos, mas sim o quanto cada um aprendeu a pensar nas situações de compra. Faça duas ou três perguntas rápidas para a turma: 'Qual carta foi mais difícil? Por quê? Quando você percebeu que precisava multiplicar e não dividir?' Permita respostas breves e espontâneas. Finalize antecipando a próxima aula com entusiasmo: 'Na próxima aula, vocês vão montar um mercadinho de verdade aqui na sala — com embalagens, etiquetas de preço e dinheiro de papel. Tragam embalagens vazias de casa!' Esse encerramento cria expectativa e mantém o engajamento para a Aula 3.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está fazendo um trabalho incrível ao pensar em todos os seus alunos — e pequenas adaptações já fazem uma grande diferença no dia a dia. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esta aula:

    Para alunos com TDAH: Ao organizar os grupos, coloque esses alunos em duplas em vez de trios sempre que possível, pois grupos menores reduzem a dispersão e aumentam o envolvimento direto com a tarefa. Posicione-os em carteiras próximas a você, para que seja mais fácil fazer intervenções rápidas e discretas quando o foco começar a diminuir. Durante as rodadas, convide-os frequentemente a serem os responsáveis por registrar os cálculos no caderno do grupo — essa função ativa ajuda a canalizar a energia e mantém o engajamento. Se perceber que um aluno com TDAH está se dispersando entre uma rodada e outra, aproxime-se e faça uma pergunta direta e simples sobre a carta em jogo, trazendo-o de volta à atividade de forma natural e sem expô-lo negativamente. Estabeleça um sinal combinado com antecedência — como um toque leve no ombro — para indicar que é hora de focar, evitando chamadas verbais que possam constranger o aluno na frente dos colegas.

    Para alunos com TEA Nível 1: Antes de iniciar o jogo, explique a sequência da aula de forma clara e previsível: 'Primeiro vamos revisar, depois eu explico o jogo, depois vocês jogam em grupos e no final fazemos uma carta juntos.' Essa antecipação reduz a ansiedade e facilita a participação. Durante a organização dos grupos, pergunte discretamente ao aluno se ele tem preferência por algum colega para formar a dupla — sempre que possível, respeite essa preferência, pois a familiaridade com o parceiro favorece a interação. Nas rodadas do jogo, evite pressionar esse aluno a apresentar a resposta em voz alta para a turma — aceite que ele mostre o caderno com o registro escrito como forma de participação. Se o barulho e a agitação do jogo causarem desconforto, permita que o aluno fique em um canto mais tranquilo da sala sem que isso seja visto como exclusão, mantendo-o ainda assim como parte do grupo. Na rodada bônus coletiva, ofereça a opção de responder por escrito no caderno em vez de falar oralmente, validando essa forma de participação da mesma maneira que as demais.

  • Aula 3 (60 min): A turma monta o mercadinho físico com embalagens, etiquetas e dinheiro de papel. Em grupos, os alunos realizam compras reais, registram os cálculos no caderno e se revezam nas funções de cliente, caixa e repositor.
  • Momento 1: Preparação e Montagem do Mercadinho (Estimativa: 15 minutos)
    Inicie a aula relembrando brevemente o que foi trabalhado nas aulas anteriores, perguntando à turma: 'Quem lembra como calculamos o total de uma compra? E como dividimos um valor entre amigos?' Permita que dois ou três alunos respondam rapidamente, valorizando as respostas e criando uma ponte entre o que já foi aprendido e o que será vivenciado agora. Em seguida, anuncie com entusiasmo que chegou o grande momento: montar o mercadinho da turma! Organize a sala previamente em três ou quatro 'bancadas' ou 'seções' do mercadinho, usando carteiras agrupadas. Distribua as embalagens vazias trazidas pelos alunos e pelo professor, separando-as por categorias (alimentos, bebidas, higiene, etc.). Entregue a cada grupo tiras de papel, canetas e tesouras para que os alunos criem as etiquetas de preço dos produtos. Oriente que cada etiqueta deve conter o nome do produto e o preço em reais, usando valores inteiros e simples, como R$2,00, R$3,00, R$5,00, para facilitar os cálculos. É importante que você circule pelos grupos durante esse momento, verificando se os preços escolhidos permitem operações de multiplicação e divisão acessíveis para a faixa etária. Distribua também o dinheiro de papel (cédulas de R$1, R$2, R$5 e R$10) para cada grupo, explicando que cada 'cliente' receberá uma quantia inicial para fazer suas compras. Oriente os alunos a deixarem o caderno aberto e o lápis em mãos, pois todos os cálculos deverão ser registrados ao longo da atividade. Observe se todos os grupos conseguem criar as etiquetas com clareza e se compreendem a proposta antes de iniciar as rodadas de compra.

    Momento 2: Explicação das Funções e Regras do Mercadinho (Estimativa: 5 minutos)
    Com o mercadinho montado, explique de forma clara e objetiva as três funções que cada aluno irá exercer ao longo da atividade: cliente, caixa e repositor. O cliente escolhe os produtos, faz a lista do que quer comprar e calcula mentalmente ou no caderno o valor total antes de ir ao caixa. O caixa recebe os produtos, confere os cálculos do cliente, registra a operação no caderno e devolve o troco correto quando necessário. O repositor organiza as embalagens nas bancadas, verifica se os preços estão visíveis e auxilia os clientes a encontrarem os produtos. Explique que cada aluno passará pelas três funções ao longo de três rodadas, garantindo que todos vivenciem cada papel. Escreva no quadro um esquema simples com as três funções e o que cada uma deve registrar no caderno, para que os alunos possam consultar durante a atividade. É importante que você reforce que o registro no caderno é obrigatório em todas as funções — o cliente registra a conta da compra, o caixa registra a conferência e o troco, e o repositor pode anotar a organização dos produtos. Tire dúvidas antes de iniciar as rodadas e certifique-se de que todos compreenderam suas responsabilidades iniciais.

    Momento 3: Rodadas de Compra com Rotação de Funções (Estimativa: 30 minutos)
    Inicie as rodadas de compra dando o sinal para que os clientes comecem a circular pelo mercadinho. Cada rodada deve durar aproximadamente dez minutos, tempo suficiente para que os clientes escolham produtos, calculem o total, realizem o pagamento e recebam o troco. Ao final de cada rodada, dê o sinal de troca de funções, orientando os alunos a rotacionarem conforme a sequência combinada. Durante as rodadas, circule constantemente pelos grupos, observando como os alunos estão realizando os cálculos. Observe se os clientes estão usando multiplicação para calcular o total de itens iguais, se os caixas estão conferindo corretamente os valores e calculando o troco por subtração ou complementação, e se os repositores estão organizando os produtos de forma lógica. Faça intervenções pontuais e orientadoras quando perceber dificuldades, sem dar a resposta diretamente. Por exemplo, se um aluno tiver dificuldade para calcular o total de quatro itens a R$3,00, pergunte: 'Quantas vezes o R$3,00 aparece nessa compra? Você consegue escrever isso como uma multiplicação?' Se um caixa errar o troco, pergunte: 'Quanto o cliente pagou? Quanto custou a compra? O que você precisa descobrir?' Valorize estratégias variadas — quem usou adição repetida, quem fez cálculo mental, quem preferiu escrever o algoritmo. É importante que você anote mentalmente ou em um pequeno caderno de anotações quais alunos demonstram autonomia e quais ainda precisam de apoio, pois essas observações serão fundamentais para a avaliação formativa. Permita que os alunos interajam naturalmente durante as compras, negociando, perguntando preços e conferindo os cálculos uns dos outros — essa troca entre pares é parte essencial da aprendizagem nesta atividade.

    Momento 4: Roda de Conversa e Autoavaliação (Estimativa: 7 minutos)
    Encerre as rodadas de compra e peça que os alunos guardem os materiais e se sentem em roda ou voltando para seus lugares. Inicie uma roda de conversa rápida com perguntas simples e diretas: 'O que você achou mais difícil hoje? Quando você usou multiplicação? Quando usou divisão? Teve alguma conta que te surpreendeu?' Permita que quatro ou cinco alunos respondam espontaneamente, valorizando todas as participações. É importante que você não corrija os alunos de forma expositiva nesse momento — o objetivo é que eles reflitam sobre o próprio aprendizado, não que demonstrem perfeição. Se algum aluno mencionar uma dificuldade, acolha com naturalidade: 'Ótimo que você percebeu isso — é exatamente o que vamos continuar praticando.' Observe se os alunos conseguem identificar ao menos uma situação em que usaram multiplicação e uma em que usaram divisão — esse é um indicador importante de que a aprendizagem foi significativa. Para os alunos que preferirem não falar em voz alta, ofereça a opção de escrever uma frase curta no caderno respondendo à pergunta: 'Hoje eu aprendi que...' Essa flexibilidade garante que todos participem da autoavaliação de forma confortável.

    Momento 5: Fechamento, Recolhimento dos Cadernos e Síntese Final (Estimativa: 3 minutos)
    Encerre a aula fazendo uma síntese oral breve com a turma: 'Hoje vocês foram clientes, caixas e repositores — e em todas essas funções, usaram matemática de verdade. Multiplicação para calcular totais, divisão para descobrir trocos e repartir valores. Isso é exatamente o que acontece num mercado de verdade.' Recolha os cadernos dos alunos para verificar os registros feitos durante as compras, observando se há pelo menos três operações completas registradas, se o raciocínio está explicitado e se os cálculos fazem sentido com as situações descritas. Agradeça o engajamento da turma e celebre o esforço coletivo na montagem e no funcionamento do mercadinho. Se houver tempo, mostre rapidamente um ou dois registros exemplares no quadro (sem identificar o aluno, se preferir), destacando como um bom registro matemático deve ser feito — com a operação escrita, o raciocínio visível e o resultado claro.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está fazendo um trabalho incrível ao pensar em todos os seus alunos — e pequenas adaptações já fazem uma grande diferença no dia a dia. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esta aula:

    Para alunos com TDAH: Durante a montagem do mercadinho, atribua a esses alunos tarefas com início, meio e fim bem definidos, como 'Você é responsável por colocar as etiquetas nestes cinco produtos' — isso reduz a sensação de tarefa aberta e ajuda a manter o foco. Ao organizar as funções de rotação, considere deixar esses alunos na função de repositor na primeira rodada, pois o movimento físico de organizar os produtos ajuda a canalizar a energia antes de assumir funções que exigem mais concentração, como a de caixa. Durante as rodadas de compra, posicione-se próximo a esses alunos com mais frequência, fazendo perguntas rápidas e diretas para mantê-los engajados: 'Qual produto você vai comprar agora? Já calculou quanto vai custar?' Se perceber que um aluno com TDAH está se dispersando entre as rodadas, use um sinal combinado previamente — como um toque leve no ombro — para indicar que é hora de retomar a atividade, evitando chamadas em voz alta que possam constranger. Na roda de conversa, convide-os a responder uma pergunta específica e direta, em vez de perguntas abertas, pois isso facilita a organização do pensamento e a participação.

    Para alunos com TEA Nível 1: Antes de iniciar a atividade, explique a sequência completa da aula de forma clara e previsível: 'Primeiro vamos montar o mercadinho, depois eu explico as funções, depois vocês fazem três rodadas de compra e no final conversamos sobre o que aprenderam.' Essa antecipação reduz a ansiedade e facilita a participação. Ao definir as funções, pergunte discretamente ao aluno se ele tem preferência por alguma função para começar — sempre que possível, respeite essa preferência, pois iniciar em um papel com o qual se sente mais confortável favorece o engajamento gradual. Se o barulho e a movimentação do mercadinho causarem desconforto, permita que esse aluno fique em uma bancada mais tranquila da sala, sem que isso seja visto como exclusão — ele ainda faz parte do grupo e exerce sua função normalmente. Durante a roda de conversa e autoavaliação, ofereça a opção de responder por escrito no caderno em vez de falar oralmente, validando essa forma de participação da mesma maneira que as demais. Ao recolher os cadernos, valorize especialmente os registros desse aluno, mesmo que sejam mais breves ou organizados de forma diferente dos demais — o que importa é que o raciocínio esteja presente de alguma forma.

Avaliação

A avaliação dessa atividade acontece em dois momentos principais: durante as aulas (avaliação formativa) e ao final do mercadinho (avaliação prática). O professor não precisa aplicar uma prova formal — a observação do processo já oferece informações ricas sobre o que cada aluno aprendeu. Para alunos com TDAH, vale considerar avaliações mais curtas e em etapas. Para alunos com TEA Nível 1, a avaliação pode ser feita de forma individual e com antecedência comunicada, evitando surpresas.

  • Observação formativa durante o jogo e o mercadinho: o professor observa como cada aluno resolve os problemas — se usa estimativa, cálculo mental ou algoritmo escrito, se pede ajuda, se consegue explicar o raciocínio para o colega. Critérios: usa pelo menos uma estratégia de cálculo corretamente; consegue identificar quando multiplicar e quando dividir; participa ativamente da atividade em grupo. Exemplo prático: durante o 'Desafio do Caixa', o professor anota quais alunos resolvem as cartas com autonomia e quais precisam de apoio.
  • Registro escrito dos cálculos do mercadinho: ao final da Aula 3, o professor recolhe o caderno e verifica os registros feitos durante as compras. Critérios: registrou pelo menos três operações completas (com conta e resultado); mostrou o raciocínio, não só o resultado; os cálculos fazem sentido com a situação descrita. Exemplo prático: o aluno escreveu '3 x R$4,00 = R$12,00' ao comprar três itens iguais, ou 'R$10,00 ÷ 2 = R$5,00' ao dividir o valor com um colega. Para alunos com TDAH, o professor pode aceitar registros parciais e complementar com uma conversa oral rápida.
  • Autoavaliação em roda de conversa: ao final da Aula 3, o professor faz uma roda rápida com perguntas simples: 'O que você achou mais difícil? Quando você usou multiplicação hoje? Quando usou divisão?' Critérios: o aluno consegue identificar ao menos uma situação em que usou cada operação; demonstra percepção sobre o próprio aprendizado. Essa etapa é especialmente útil para alunos com TEA Nível 1, que podem responder por escrito se preferirem.

Materiais e ferramentas:

Todos os recursos dessa atividade são físicos e de baixo custo. A escolha por materiais concretos — embalagens, dinheiro de papel, etiquetas — é intencional: eles tornam os conceitos matemáticos tangíveis para crianças de 9 e 10 anos. Não são usados recursos digitais em nenhuma das aulas, o que reforça a manipulação direta e a interação entre os alunos. Boa parte do material pode ser trazido pelos próprios alunos (embalagens vazias) ou produzido pelo professor com antecedência.

  • Cartazes com imagens de produtos e etiquetas de preço (para a Aula 1) — podem ser feitos à mão ou impressos em preto e branco.
  • Baralho do 'Desafio do Caixa': cartas com situações-problema de compras, produzidas pelo professor antes da Aula 2.
  • Embalagens vazias de produtos reais (caixas de cereal, garrafinhas, pacotes) — os alunos podem trazer de casa.
  • Etiquetas de preço para o mercadinho — produzidas pelos próprios alunos na Aula 3.
  • Dinheiro de papel impresso ou recortado pelo professor, com cédulas de R$1, R$2, R$5 e R$10.
  • Caderno dos alunos para registro dos cálculos durante o mercadinho.
  • Quadro e giz (ou lousa e caneta) para o professor demonstrar os cálculos na Aula 1.
  • Folha de pontuação para o jogo de cartas da Aula 2.

Inclusão e acessibilidade

Trabalhar com uma turma que tem alunos com TDAH e TEA Nível 1 ao mesmo tempo pode parecer desafiador, mas essa atividade já tem características que ajudam bastante: ela é concreta, tem etapas claras e permite que cada aluno contribua de um jeito diferente. Para alunos com TDAH, o maior risco é a dispersão nas transições entre as etapas — então vale combinar sinais visuais (como um cartaz com as etapas da aula) e dar instruções em partes menores. Para alunos com TEA Nível 1, o mercadinho pode ser apresentado com antecedência, mostrando como vai funcionar antes de começar. Nenhuma dessas adaptações exige material extra elaborado — são ajustes simples de comunicação e organização.

  • Para alunos com TDAH: use um cartaz visual com as etapas da aula (ex: '1. Ouvir explicação → 2. Jogar → 3. Registrar'). Isso reduz a ansiedade e ajuda a manter o foco nas transições.
  • Para alunos com TDAH: dê as instruções do jogo e do mercadinho em partes — explique uma etapa, deixe o aluno começar, depois explique a próxima. Evite dar tudo de uma vez.
  • Para alunos com TDAH: permita que se movimentem durante o mercadinho assumindo o papel de repositor (organizar as prateleiras), que envolve movimento físico e tem uma função clara.
  • Para alunos com TEA Nível 1: apresente a dinâmica do mercadinho com antecedência, idealmente no dia anterior ou no início da aula, mostrando como será a organização do espaço e quais serão as funções.
  • Para alunos com TEA Nível 1: combine previamente qual função o aluno vai exercer primeiro no mercadinho. Mudanças de papel podem ser feitas, mas com aviso antes de acontecerem.
  • Para alunos com TEA Nível 1: na roda de conversa da autoavaliação, ofereça a opção de responder por escrito em vez de falar para o grupo.
  • Para todos os alunos: use etiquetas de preço com números grandes e legíveis, e dinheiro de papel com valores bem visíveis — isso facilita para quem tem dificuldade de concentração ou processamento visual.
  • Sinal de alerta para o professor: se um aluno com TDAH ou TEA começar a se isolar ou demonstrar frustração durante o jogo ou o mercadinho, ofereça uma função mais individual por alguns minutos antes de reintegrá-lo ao grupo.

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