Nesta atividade, os alunos do 2º ano vão escrever sobre um dia especial que viveram. Pode ser um passeio com a família, uma festa de aniversário, uma brincadeira com amigos ou qualquer momento que tenha sido marcante para eles. A ideia é que cada criança coloque no papel, com frases completas, o que aconteceu naquele dia.
Cada aluno recebe uma folha estruturada com campos visuais bem definidos: um espaço para desenhar a cena principal, e linhas organizadas com perguntas-guia como 'O que aconteceu?', 'Onde foi?', 'Com quem você estava?' e 'Como você se sentiu?'. Essa estrutura ajuda muito quem ainda está aprendendo a organizar as ideias antes de escrever.
Antes de começar a escrever, o professor faz uma roda de conversa rápida com a turma. Cada criança pensa em silêncio por um momento e depois pode falar sobre o dia especial que escolheu. Esse momento oral é importante: ajuda os alunos a organizarem o pensamento antes de colocar no papel. O professor aproveita para apresentar os conectivos 'primeiro', 'depois' e 'no final', mostrando como eles ajudam o texto a ter uma ordem lógica.
Durante a escrita, o professor circula pela sala, mediando e incentivando. Não se trata de corrigir cada erro nesse momento, mas de ajudar o aluno a desenvolver a ideia. Perguntas como 'E depois do passeio, o que aconteceu?' funcionam muito bem para estimular quem trava.
No final da aula, os alunos compartilham o relato com um colega ao lado. Um lê, o outro ouve. Esse momento de troca é simples, mas muito rico: pratica a leitura em voz alta, exercita a escuta e cria um espaço de empatia genuína entre as crianças, quando percebem que cada um viveu experiências diferentes e igualmente válidas.
A atividade está alinhada à habilidade EF02LP14 da BNCC, que trata do planejamento e produção de relatos com características do gênero textual, considerando a situação comunicativa e o tema escolhido pelo aluno.
O foco principal aqui é fazer com que os alunos percebam que escrever é uma forma de contar algo que viveram, não apenas uma tarefa escolar. Quando a criança escreve sobre um dia que foi especial para ela, a escrita ganha sentido real. Esse é o ponto de partida para desenvolver o gosto pela produção textual. A atividade também trabalha a organização do pensamento: antes de escrever, o aluno precisa lembrar, selecionar e ordenar as informações. Isso exige um esforço cognitivo importante para a faixa etária.
O conteúdo desta aula gira em torno do gênero textual relato pessoal. Os alunos vão aprender, na prática, que um relato tem características próprias: conta algo que realmente aconteceu, tem uma ordem temporal e expressa o ponto de vista de quem viveu a experiência. Esse contato com o gênero acontece de forma concreta, não teórica. A criança aprende fazendo, não decorando definições.
A atividade usa a abordagem mão-na-massa, onde o aluno é o autor do próprio texto desde o início. O professor não dita, não modela um texto coletivo para copiar. Ele media, pergunta, incentiva. A folha estruturada funciona como um andaime: dá suporte sem tirar a autonomia. A roda de conversa inicial ativa a memória afetiva dos alunos e prepara o terreno para a escrita. O compartilhamento final transforma a sala em um espaço de escuta real.
A aula foi pensada para 40 minutos e segue um ritmo que respeita o tempo de cada etapa sem deixar nenhuma parte longa demais. A transição entre os momentos é suave: da conversa para a escrita, e da escrita para o compartilhamento. Esse fluxo ajuda a turma a manter o foco e reduz a ansiedade, especialmente para alunos que precisam de mais previsibilidade.
Momento 1: Roda de Conversa — Ativando Memórias Afetivas (Estimativa: 8 minutos)
Inicie a aula convidando os alunos a se sentarem em roda no chão ou em suas cadeiras organizadas em círculo. Explique, com entusiasmo e linguagem simples, que hoje cada um vai escrever sobre um dia muito especial que viveu. Diga algo como: 'Pense em um dia que você nunca esqueceu. Pode ter sido uma festa, um passeio, uma brincadeira com amigos ou qualquer coisa que tenha deixado você feliz ou emocionado.' Dê cerca de um minuto de silêncio para que cada criança pense individualmente antes de falar. É importante que esse momento de reflexão silenciosa seja respeitado, pois ajuda os alunos a organizarem o pensamento antes de verbalizar. Em seguida, convide quem quiser a compartilhar com a turma. Não force a participação; permita que os alunos falem voluntariamente. Ouça com atenção e valorize cada resposta com comentários positivos como 'Que dia especial!' ou 'Que legal que você lembrou disso!'. Observe se os alunos conseguem identificar um evento específico e se já começam a mencionar detalhes como lugar, pessoas e sentimentos — esses são indicadores de que estão prontos para organizar o relato por escrito.
Momento 2: Apresentação dos Conectivos Temporais (Estimativa: 7 minutos)
Dirija-se ao quadro branco e escreva em letras grandes e coloridas as palavras: PRIMEIRO — DEPOIS — NO FINAL. Explique que essas palavras são 'palavras mágicas' que ajudam a contar uma história na ordem certa, para que quem lê entenda o que aconteceu primeiro e o que veio depois. Use um exemplo do cotidiano das crianças, como: 'Primeiro, eu acordei. Depois, tomei café. No final, fui para a escola.' Peça que dois ou três alunos criem oralmente uma frase usando um dos conectivos, relacionando ao dia especial que pensaram na roda. Reforce visualmente deixando as palavras no quadro durante toda a aula para que os alunos possam consultá-las ao escrever. É importante que você aponte para as palavras no quadro sempre que um aluno usar um conectivo corretamente durante a produção escrita, reforçando positivamente o uso deles.
Momento 3: Produção Escrita Individual com Folha Estruturada (Estimativa: 18 minutos)
Distribua a folha estruturada impressa para cada aluno. Explique brevemente os campos: o espaço para o desenho da cena principal e as perguntas-guia escritas nas linhas ('O que aconteceu?', 'Onde foi?', 'Com quem você estava?' e 'Como você se sentiu?'). Oriente os alunos a começarem pelo desenho, pois ele ajuda a visualizar a memória antes de escrever. Após o desenho, incentive-os a responder cada pergunta com frases completas, lembrando de usar os conectivos do quadro. Durante os 18 minutos, circule pela sala ativamente, observando o progresso de cada aluno. Faça perguntas mediadoras para quem travar, como: 'O que aconteceu logo depois que você chegou lá?' ou 'Como você estava se sentindo nesse momento?'. Evite dar respostas prontas; o objetivo é estimular a criança a desenvolver a própria ideia. Observe se os alunos estão iniciando a escrita com autonomia, se organizam as ideias em sequência e se utilizam ao menos um conectivo temporal — esses são os critérios de avaliação formativa deste momento. Anote em uma ficha ou caderninho quais alunos precisaram de apoio constante e quais demonstraram maior autonomia.
Momento 4: Compartilhamento em Duplas (Estimativa: 7 minutos)
Ao sinal do fim da produção escrita, peça que os alunos se organizem em duplas com o colega ao lado. Explique que cada um vai ler o próprio relato em voz alta para o parceiro, e o ouvinte deve escutar com atenção e, ao final, fazer um comentário positivo ou uma pergunta curiosa, como 'Que parte você mais gostou?' ou 'Eu adorei quando você contou que...'. Permita que as duplas troquem os papéis após o primeiro relato ser lido. Circule pela sala durante esse momento para observar a fluência na leitura em voz alta e a qualidade da escuta. Ao final, faça uma breve autoavaliação coletiva, perguntando à turma: 'Você conseguiu contar o que queria no seu texto?' e 'Tem alguma coisa que você mudaria?'. Valorize todas as respostas e encerre a aula destacando que cada história é única e especial, assim como cada um deles.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 2, algumas adaptações simples podem fazer uma grande diferença na participação e no aprendizado, sem sobrecarregar sua rotina de planejamento.
Na Roda de Conversa, evite pressionar o aluno com TEA a falar na frente da turma. Se ele não se sentir confortável, permita que ele sussurre a resposta para você ou escreva/desenhe em um papel antes. Avisar com antecedência que haverá uma roda de conversa ('Daqui a pouco vamos sentar em roda e cada um vai pensar em um dia especial') ajuda a reduzir a ansiedade gerada pela imprevisibilidade.
Na apresentação dos conectivos, use cartões visuais com as palavras PRIMEIRO, DEPOIS e NO FINAL acompanhadas de pequenas ilustrações ou ícones (como um número 1, 2 e 3 ao lado). Esses cartões podem ser deixados na mesa do aluno durante toda a atividade como apoio visual concreto.
Na produção escrita, utilize a versão adaptada da folha estruturada com ícones visuais ao lado de cada pergunta-guia, conforme já previsto nos recursos da atividade. Isso facilita a compreensão do que se espera em cada campo sem depender apenas da leitura do enunciado. Se o aluno tiver dificuldade em escrever frases completas, aceite respostas mais curtas ou palavras-chave como ponto de partida, valorizando o esforço e o conteúdo comunicado.
No compartilhamento em duplas, procure formar a dupla do aluno com TEA com um colega calmo e empático. Se a leitura em voz alta para o colega gerar desconforto, permita que ele mostre o desenho e conte oralmente com suas próprias palavras, sem necessidade de ler o texto escrito. A autoavaliação oral pode ser feita individualmente com você, de forma breve e direta, usando opções visuais simples como 'Consegui contar minha história? Sim ou Não?'.
Lembre-se: pequenas adaptações já representam um grande avanço para a inclusão. Você não precisa transformar tudo de uma vez — cada gesto de atenção e acolhimento já faz parte do caminho.
A avaliação desta atividade é predominantemente formativa. O professor observa o processo, não apenas o produto final. Durante a produção, é possível perceber quem consegue organizar as ideias com autonomia, quem precisa de mais mediação e quem ainda está desenvolvendo a escrita de frases completas. O texto produzido também serve como registro do nível de cada aluno. Para alunos com TEA nível 2, a avaliação considera o engajamento com a atividade e a comunicação por qualquer meio, incluindo o desenho como forma válida de expressão.
Os materiais desta atividade são simples e de baixo custo. A folha estruturada é o principal recurso e pode ser preparada pelo professor com antecedência. Ela precisa ter campos bem delimitados, fonte grande e espaço generoso para escrita e desenho. Para alunos com TEA nível 2, versões com mais apoio visual, como ícones ao lado de cada pergunta-guia, fazem grande diferença na compreensão da tarefa.
Ter alunos com TEA nível 2 na turma pede atenção antes mesmo da aula começar. Vale avisar com antecedência o que vai acontecer na aula, usando uma rotina visual simples colada na mesa ou no quadro. Durante a roda de conversa, não force a participação oral — o aluno pode mostrar um desenho ou objeto relacionado ao dia especial que escolheu. Na produção escrita, a folha com ícones visuais reduz a sobrecarga de interpretação. Fique atento a sinais de sobrecarga sensorial, como agitação, isolamento ou recusa à tarefa, e ofereça um espaço mais calmo se necessário. O compartilhamento em duplas pode ser adaptado: o aluno com TEA pode mostrar o desenho em vez de ler o texto.
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