Era Uma Vez... Um Conto que Eu Inventei!

Desenvolvida por: Gisele… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa — Leitura/escuta (compartilhada e autônoma), Oralidade, Produção de textos (escrita compartilhada e autônoma), Análise linguística/semiótica, Histórias em Quadrinhos, Contos e Lendas
Temática: Contos e Lendas Brasileiras — Leitura, Interpretação e Produção Textual

O ponto de partida é a escuta e a leitura de diferentes contos e lendas do folclore brasileiro, como a Lenda do Boto, o Saci-Pererê e o Curupira. Antes de ler, os alunos vão levantar hipóteses sobre o texto a partir do título, das imagens e do que já sabem sobre o assunto para desenvolver a leitura ativa e crítica.

Durante as aulas, a turma vai identificar os elementos narrativos presentes nos textos: quem são os personagens, onde e quando a história acontece, qual é o conflito e como ele se resolve. Esse trabalho de análise acontece de forma coletiva e dialogada, com o professor mediando as discussões e incentivando todos a participarem.

A produção textual começa com um planejamento estruturado: quem vai ler o conto, qual é o objetivo do texto e onde ele vai circular. Com esse mapa em mãos, as duplas escrevem, revisam e reescrevem seus contos. A sequência também inclui uma aula com histórias em quadrinhos, conectando a linguagem verbal e visual para ampliar o repertório narrativo dos alunos.

O resultado final é uma coletânea de contos produzidos pela turma, que pode ser compartilhada com outras turmas ou exposta na escola.

Objetivos de Aprendizagem

O foco principal dessa sequência é fazer com que os alunos entendam que escrever um conto exige planejamento e intenção. Antes de chegar à escrita autônoma em duplas, eles passam por etapas que constroem essa compreensão: ouvir histórias, discutir elementos narrativos, levantar hipóteses e planejar coletivamente. Esse caminho garante que a produção final tenha mais qualidade e que os alunos se sintam seguros para criar. A ideia não é só escrever bem, mas entender por que e para quem se escreve.

  • Levantar hipóteses sobre contos e lendas antes da leitura, usando título, imagens e conhecimentos prévios.
  • Identificar os elementos narrativos de um conto: personagens, tempo, espaço e conflito.
  • Recontar oralmente histórias lidas ou ouvidas, com coerência e sequência lógica.
  • Planejar a produção de um conto considerando o leitor, o objetivo e o espaço de circulação do texto.
  • Escrever um conto original em dupla, com introdução, desenvolvimento e conclusão.
  • Revisar e reescrever o próprio texto com base em critérios combinados com a turma.
  • Relacionar imagens e palavras em histórias em quadrinhos, interpretando recursos gráficos como balões e onomatopeias.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF15LP14: Construir o sentido de histórias em quadrinhos e tirinhas, relacionando imagens e palavras e interpretando recursos gráficos (tipos de balões, de letras, onomatopeias). Conheça mais sobre a EF15LP14
  • EF15LP02: Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler (pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma e da função social do texto), apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção desse texto, o gênero, o suporte e o universo temático, bem como sobre saliências textuais, recursos gráficos, imagens, dados da própria obra (índice, prefácio etc.), confirmando antecipações e inferências realizadas antes e durante a leitura de textos, checando a adequação das hipóteses realizadas. Conheça mais sobre a EF15LP02
  • EF15LP05: Planejar, com a ajuda do professor, o texto que será produzido, considerando a situação comunicativa, os interlocutores (quem escreve/para quem escreve); a finalidade ou o propósito (escrever para quê); a circulação (onde o texto vai circular); o suporte (qual é o portador do texto); a linguagem, organização e forma do texto e seu tema, pesquisando em meios impressos ou digitais, sempre que for preciso, informações necessárias à produção do texto, organizando em tópicos os dados e as fontes pesquisadas. Conheça mais sobre a EF15LP05

Conteúdo Programático

O conteúdo dessa sequência está organizado de forma progressiva: começa pela escuta e leitura compartilhada, passa pela análise dos elementos narrativos e chega até a produção autônoma em duplas. A inclusão das histórias em quadrinhos não é um desvio do tema — ela amplia o repertório de linguagens narrativas dos alunos e ajuda a entender como texto e imagem trabalham juntos para contar uma história. Tudo isso está conectado ao universo cultural brasileiro, o que torna o conteúdo mais próximo e significativo para as crianças.

  • Gênero textual: conto e lenda brasileira — características, estrutura e função social.
  • Elementos narrativos: personagem, narrador, tempo, espaço e conflito.
  • Estratégias de leitura: levantamento de hipóteses, inferência e confirmação de sentidos.
  • Oralidade: reconto de histórias e participação em rodas de conversa.
  • Planejamento textual: situação comunicativa, interlocutores, finalidade e circulação do texto.
  • Produção escrita: rascunho, revisão e reescrita do conto em duplas.
  • Histórias em quadrinhos: relação entre imagem e texto, balões, onomatopeias e recursos gráficos.
  • Ortografia e pontuação aplicadas à produção do conto.

Metodologia

A sequência usa uma combinação de leitura compartilhada, discussão em roda, escrita coletiva e produção em duplas. O professor atua como mediador nas discussões e como escriba nas atividades coletivas, modelando o processo de planejamento e escrita antes de pedir que os alunos façam sozinhos. Essa progressão — do coletivo para o individual — é essencial para que todos se sintam capazes de produzir. O trabalho em duplas favorece a troca de ideias e a negociação, habilidades importantes para essa faixa etária.

  • Leitura em voz alta pelo professor seguida de roda de conversa para levantamento de hipóteses e discussão.
  • Análise coletiva de elementos narrativos com uso de cartaz ou quadro como suporte visual.
  • Escrita compartilhada: o professor escreve no quadro enquanto a turma dita e discute as escolhas.
  • Trabalho em duplas para planejamento e produção do conto original.
  • Leitura e análise de tirinhas e histórias em quadrinhos para explorar linguagem verbal e visual.
  • Roda de revisão: duplas trocam textos e dão sugestões com base em critérios combinados.
  • Exposição ou coletânea final dos contos produzidos pela turma.

Aulas e Sequências Didáticas

As cinco aulas foram pensadas para criar uma progressão clara: primeiro os alunos entram em contato com o gênero, depois analisam, depois planejam e, por fim, produzem e revisam. Cada aula tem um foco bem definido, mas todas se conectam. O professor pode ajustar o ritmo conforme a turma avança — se precisar de mais tempo na escrita, dá para condensar a revisão na mesma aula ou dividir a produção em dois momentos.

  • Aula 1: Apresentação das lendas brasileiras — o professor lê em voz alta uma lenda (ex: Curupira ou Boto), os alunos levantam hipóteses antes da leitura e depois discutem em roda os elementos narrativos identificados.
  • Momento 1: Preparando o Terreno — O Que Você Já Sabe? (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula reunindo os alunos em roda ou mantendo-os em suas carteiras, mas garantindo que todos possam se ver. Apresente o título da lenda que será lida — por exemplo, 'A Lenda do Curupira' — escrevendo-o no quadro com letras grandes e, se possível, exibindo uma imagem do personagem no projetor ou TV. Pergunte à turma: 'Quem já ouviu falar no Curupira?' e 'O que vocês acham que vai acontecer nessa história?'. Permita que os alunos falem livremente, sem julgamentos, e registre no quadro as hipóteses levantadas em forma de lista. É importante que você valorize todas as respostas, mesmo as mais inusitadas, pois esse momento ativa os conhecimentos prévios e prepara os alunos para a leitura ativa. Observe se há alunos que não participam espontaneamente e faça perguntas diretas e gentis para incluí-los, como: 'E você, já ouviu alguma história de floresta?'. Esse levantamento de hipóteses será retomado ao final da aula para verificar o que se confirmou ou surpreendeu a turma.

    Momento 2: A Leitura em Voz Alta — Entrando no Mundo da Lenda (Estimativa: 15 minutos)
    Faça a leitura em voz alta da lenda escolhida, utilizando entonação expressiva, pausas dramáticas e variações de ritmo para prender a atenção dos alunos. Se tiver o texto impresso, distribua uma cópia para cada aluno ou dupla para que possam acompanhar visualmente enquanto você lê. Caso não seja possível imprimir, escreva os trechos principais no quadro ou projete o texto. Durante a leitura, faça pausas estratégicas em momentos de suspense ou conflito e pergunte: 'O que vocês acham que vai acontecer agora?' ou 'Por que o personagem fez isso?'. Essas interrupções curtas mantêm o engajamento e desenvolvem a habilidade de inferência. É importante que a leitura seja fluida e prazerosa — o objetivo é encantar os alunos pelo universo das lendas brasileiras. Ao terminar, dê um breve momento de silêncio antes de iniciar a discussão, permitindo que os alunos absorvam a história.

    Momento 3: Roda de Conversa — Confirmando Hipóteses e Descobrindo a História (Estimativa: 15 minutos)
    Retome as hipóteses registradas no quadro no Momento 1 e pergunte à turma: 'O que se confirmou? O que foi diferente do que vocês imaginavam?'. Incentive os alunos a compararem suas previsões com o que realmente aconteceu na lenda. Em seguida, conduza a discussão para os elementos narrativos, fazendo perguntas como: 'Quem são os personagens dessa história?', 'Onde e quando ela acontece?', 'Qual é o problema que aparece na história?' e 'Como esse problema se resolve?'. Anote as respostas no quadro, organizando-as em colunas com os títulos: Personagens, Tempo, Espaço e Conflito. Permita que os alunos discordem entre si e mediem os debates com perguntas que os levem a justificar suas respostas com base no texto. Observe se os alunos conseguem identificar pelo menos dois elementos narrativos — esse é um dos critérios de avaliação formativa desta aula. Valorize as participações e registre mentalmente ou em um caderno quem precisou de mais mediação para identificar os elementos.

    Momento 4: Construção Coletiva do Mapa Narrativo (Estimativa: 15 minutos)
    Com base nas respostas da roda de conversa, construa coletivamente um mapa narrativo no quadro ou em um cartaz. Organize as informações em um esquema visual simples com os campos: Personagens, Onde acontece, Quando acontece, Problema (conflito) e Solução. Vá preenchendo o mapa com a participação ativa da turma, pedindo que os alunos ditem as informações enquanto você escreve. Esse momento de escrita compartilhada é fundamental para que os alunos visualizem a estrutura de uma narrativa de forma concreta. Após preencher o mapa, releia em voz alta com a turma e pergunte: 'Faz sentido? Faltou alguma coisa?'. É importante que o mapa fique exposto na sala durante toda a sequência didática, pois ele servirá de referência nas aulas seguintes. Se possível, tire uma foto do mapa para registrar a produção coletiva da turma.

    Momento 5: Fechamento e Antecipação da Próxima Aula (Estimativa: 5 minutos)
    Encerre a aula retomando brevemente o que foi aprendido: as hipóteses levantadas, os elementos narrativos identificados e o mapa construído coletivamente. Faça uma pergunta provocadora para despertar a curiosidade para a próxima aula, como: 'Na próxima aula, vamos conhecer outra lenda e descobrir se ela tem os mesmos elementos que essa. Vocês acham que toda história tem um conflito?'. Permita que dois ou três alunos respondam rapidamente. Esse fechamento cria um senso de continuidade e mantém o interesse dos alunos pela sequência. Anote suas observações sobre a participação da turma enquanto os alunos se organizam para a saída ou próxima atividade.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está diante de uma turma diversa e rica, e pequenas adaptações podem fazer uma grande diferença para que todos participem com conforto e confiança. Veja algumas sugestões práticas:

    Para alunos com transtorno de ansiedade: Evite chamar esses alunos de surpresa para responder em voz alta diante de toda a turma. Prefira se aproximar deles individualmente durante o Momento 1 e perguntar em voz baixa o que pensam antes de abrir para o grupo. Durante a roda de conversa, ofereça a opção de participar escrevendo a resposta em um papel e entregando para você ler em voz alta, sem identificar o autor. Isso reduz a exposição e permite que o aluno contribua sem pressão. Mantenha um ambiente previsível: avise com antecedência o que vai acontecer em cada momento da aula.

    Para alunos com deficiência intelectual: Durante a leitura em voz alta, posicione esse aluno próximo a você para facilitar o acompanhamento. Use imagens do personagem da lenda para apoiar a compreensão do texto. Na roda de conversa, faça perguntas mais simples e diretas, como: 'O Curupira é bonzinho ou malvado?' ou 'Onde ele mora?'. No mapa narrativo, permita que o aluno contribua desenhando um elemento da história em vez de escrever. O critério de avaliação para esse aluno pode ser simplificado: identificar pelo menos um personagem e dizer se gostou ou não da história, com uma justificativa simples.

    Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 1): Avise com antecedência a estrutura da aula — você pode escrever no quadro os momentos do dia: '1. Conversa sobre a lenda, 2. Leitura, 3. Roda de perguntas, 4. Mapa no quadro'. Isso ajuda o aluno a se sentir seguro com a rotina. Durante a roda de conversa, respeite o tempo de processamento desse aluno — ele pode precisar de alguns segundos a mais para formular a resposta. Evite mudanças bruscas de atividade sem aviso prévio. Se o aluno tiver dificuldade com o contato visual durante a roda, não insista — o importante é que ele esteja participando cognitivamente, mesmo que de forma mais reservada. Oferecer uma cópia impressa da lenda pode ajudar alunos que preferem processar a informação visualmente e no próprio ritmo.

  • Aula 2: Aprofundamento dos elementos narrativos — análise coletiva de um segundo conto com foco em personagem, conflito e resolução; construção de um mapa narrativo no quadro com a participação da turma.
  • Momento 1: Retomada da Aula Anterior — O Que Aprendemos? (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula escrevendo no quadro os momentos que serão vivenciados: '1. Retomada, 2. Hipóteses, 3. Leitura, 4. Roda de conversa, 5. Mapa narrativo, 6. Fechamento'. Isso ajuda todos os alunos a se situarem na rotina da aula e reduz a ansiedade diante do desconhecido. Retome o mapa narrativo construído na aula anterior, que deve estar exposto na sala, e faça uma breve revisão com a turma: 'Quem lembra quais são os elementos de uma narrativa que descobrimos na última aula?'. Aponte para cada campo do mapa — Personagens, Onde acontece, Quando acontece, Problema (conflito) e Solução — e permita que os alunos respondam espontaneamente. Valorize todas as participações e corrija com gentileza quando necessário. Esse momento de retomada é fundamental para ativar a memória de longo prazo e criar uma ponte entre o que já foi aprendido e o que será aprofundado hoje. Observe se os alunos conseguem nomear os elementos narrativos sem consultar o mapa — isso é um indicador importante de consolidação da aprendizagem. Anuncie que hoje a turma vai analisar um novo conto e aprofundar ainda mais o olhar sobre esses elementos, especialmente o personagem, o conflito e a resolução.

    Momento 2: Levantamento de Hipóteses sobre o Novo Conto (Estimativa: 8 minutos)
    Apresente o título e, se possível, uma imagem relacionada ao novo conto que será lido — sugestão: 'A Lenda do Boto' ou 'O Saci-Pererê'. Escreva o título no quadro com letras grandes e projete ou mostre uma ilustração do personagem. Pergunte à turma: 'Olhando o título e a imagem, o que vocês acham que vai acontecer nessa história?' e 'Quem vocês acham que é o personagem principal?'. Registre as hipóteses no quadro em forma de lista, assim como foi feito na Aula 1. É importante que você valorize todas as respostas sem julgamento, pois esse movimento de antecipar sentidos desenvolve a leitura ativa e crítica. Inclua alunos mais tímidos com perguntas gentis e diretas, como: 'E você, o que acha que vai acontecer com esse personagem?'. Deixe claro que as hipóteses serão retomadas após a leitura para verificar o que se confirmou ou surpreendeu a turma.

    Momento 3: Leitura em Voz Alta pelo Professor (Estimativa: 12 minutos)
    Faça a leitura em voz alta do conto escolhido com entonação expressiva, pausas dramáticas e variações de ritmo para manter o engajamento dos alunos. Se possível, distribua uma cópia impressa do texto para cada aluno ou dupla acompanhar durante a leitura. Caso não seja viável imprimir, projete o texto ou escreva os trechos principais no quadro. Durante a leitura, faça pausas estratégicas em momentos de conflito ou tensão e lance perguntas rápidas como: 'O que vocês acham que o personagem vai fazer agora?' ou 'Por que ele agiu assim?'. Essas interrupções curtas desenvolvem a habilidade de inferência e mantêm a atenção ativa. Ao terminar a leitura, dê um breve momento de silêncio antes de iniciar a discussão, permitindo que os alunos absorvam a história. É importante que a leitura seja fluida e prazerosa — o objetivo é encantar os alunos pelo universo dos contos e lendas brasileiras.

    Momento 4: Roda de Conversa — Aprofundando os Elementos Narrativos (Estimativa: 15 minutos)
    Retome as hipóteses registradas no quadro no Momento 2 e pergunte: 'O que se confirmou? O que foi diferente do que vocês imaginavam?'. Em seguida, conduza a discussão com foco nos elementos narrativos, aprofundando especialmente o personagem, o conflito e a resolução. Faça perguntas como: 'Como você descreveria o personagem principal? Ele é corajoso, astuto, bondoso?', 'Qual é o problema central da história? Como ele surge?', 'Como o conflito se resolve? Você acha que foi uma boa solução?' e 'Existe um narrador nessa história? Como ele conta os fatos?'. Anote as respostas no quadro, organizando-as nas colunas do mapa narrativo. Incentive os alunos a justificarem suas respostas com trechos do texto, dizendo: 'Em que parte da história você percebeu isso?'. Mediar os debates com escuta ativa e respeito às diferentes interpretações é fundamental. Observe se os alunos conseguem ir além da identificação superficial dos elementos e começam a analisar as motivações dos personagens e a lógica do conflito — esse é um indicador de aprofundamento da aprendizagem.

    Momento 5: Construção Coletiva do Mapa Narrativo e Comparação entre os Contos (Estimativa: 12 minutos)
    Com base nas respostas da roda de conversa, construa coletivamente no quadro ou em um novo cartaz o mapa narrativo do segundo conto. Organize as informações nos mesmos campos utilizados na Aula 1: Personagens, Onde acontece, Quando acontece, Problema (conflito) e Solução. Vá preenchendo o mapa com a participação ativa da turma, pedindo que os alunos ditem as informações enquanto você escreve. Após preencher o mapa, proponha uma comparação entre os dois mapas — o da Aula 1 e o de hoje: 'O que esses dois contos têm em comum? O que é diferente?'. Esse exercício de comparação desenvolve o pensamento analítico e reforça a compreensão de que diferentes histórias compartilham uma estrutura narrativa semelhante. É importante que os dois mapas fiquem expostos lado a lado na sala, pois servirão de referência para as aulas de produção textual. Se possível, registre os mapas com fotos para uso futuro.

    Momento 6: Fechamento e Antecipação da Próxima Aula (Estimativa: 3 minutos)
    Encerre a aula retomando brevemente os aprendizados do dia: os elementos narrativos aprofundados, as semelhanças e diferenças entre os dois contos analisados e o mapa construído coletivamente. Faça uma pergunta provocadora para despertar a curiosidade para a próxima aula: 'Na próxima aula, vamos explorar histórias em quadrinhos com personagens do folclore. Vocês acham que uma história em quadrinhos tem os mesmos elementos que um conto?'. Permita que dois ou três alunos respondam rapidamente. Esse fechamento cria um senso de continuidade e mantém o interesse dos alunos pela sequência. Anote suas observações sobre a participação da turma enquanto os alunos se organizam para a saída ou próxima atividade.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está diante de uma turma diversa e cada pequena adaptação pode fazer uma grande diferença na participação e no aprendizado de todos. Lembre-se: não se trata de fazer tudo sozinho, mas de pequenos ajustes no seu jeito de conduzir a aula que já fazem uma enorme diferença. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esta aula:

    Para alunos com transtorno de ansiedade: Evite chamar esses alunos de surpresa para responder em voz alta diante de toda a turma. Durante o levantamento de hipóteses (Momento 2) e a roda de conversa (Momento 4), aproxime-se deles individualmente e pergunte em voz baixa o que pensam antes de abrir para o grupo. Ofereça a opção de participar escrevendo a resposta em um papel pequeno para que você leia em voz alta sem identificar o autor — isso reduz a exposição e permite que o aluno contribua sem pressão. Manter a rotina da aula visível no quadro desde o início, como sugerido no Momento 1, também contribui para reduzir a ansiedade ao longo da aula, pois o aluno sabe o que esperar em cada etapa.

    Para alunos com deficiência intelectual: Durante a leitura em voz alta (Momento 3), posicione esse aluno próximo a você para facilitar o acompanhamento. Use imagens do personagem do conto para apoiar a compreensão do texto — uma ilustração simples já ajuda muito. Na roda de conversa (Momento 4), faça perguntas mais simples e diretas, como: 'O personagem é bonzinho ou malvado?' ou 'O problema da história foi resolvido no final?'. Durante a construção do mapa narrativo (Momento 5), permita que o aluno contribua desenhando um elemento da história — um personagem, o cenário ou uma cena do conflito — em vez de escrever. Valorize essa contribuição mostrando o desenho para a turma e integrando-o ao mapa. O critério de avaliação para esse aluno pode ser simplificado: identificar o personagem principal e dizer se o problema foi resolvido ou não.

    Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 1): A estrutura da aula escrita no quadro logo no início (Momento 1) é especialmente importante para esse aluno, pois ajuda a antecipar as transições e reduz a sobrecarga sensorial e emocional. Durante a roda de conversa (Momento 4), respeite o tempo de processamento desse aluno — ele pode precisar de alguns segundos a mais para formular a resposta, então evite pressionar ou passar para outro colega muito rapidamente. Se o aluno tiver dificuldade com o contato visual durante a roda, não insista — o importante é que ele esteja participando cognitivamente. Oferecer uma cópia impressa do conto pode ajudar alunos que preferem processar a informação visualmente e no próprio ritmo. Durante a comparação entre os dois mapas narrativos (Momento 5), esse aluno pode se destacar pela capacidade de identificar padrões e semelhanças — valorize e celebre essa habilidade diante da turma, pois isso fortalece sua autoestima e pertencimento ao grupo.

  • Aula 3: Histórias em quadrinhos — leitura e interpretação de tirinhas com personagens do folclore; exploração de balões, onomatopeias e relação entre imagem e texto; os alunos criam uma tirinha curta individualmente.
  • Momento 1: Conexão com o que já sabemos — O que é uma história em quadrinhos? (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula escrevendo no quadro os momentos que serão vivenciados: '1. Conversa sobre HQs, 2. Leitura de tirinhas, 3. Exploração dos recursos gráficos, 4. Criação da tirinha, 5. Compartilhamento'. Isso ajuda todos os alunos a se situarem na rotina da aula. Em seguida, pergunte à turma: 'Quem já leu uma história em quadrinhos ou uma tirinha?' e 'O que vocês sabem sobre como elas funcionam?'. Permita que os alunos falem livremente e registre no quadro as ideias levantadas. Conecte esse momento com as aulas anteriores, perguntando: 'Vocês acham que uma tirinha também pode ter personagens, conflito e solução, assim como os contos que lemos?'. Deixe dois ou três alunos responderem e anuncie que hoje a turma vai descobrir isso lendo tirinhas com personagens do folclore brasileiro — os mesmos que já conhecem, como o Saci-Pererê e o Curupira. Esse movimento de ativação dos conhecimentos prévios cria uma ponte entre o que já foi aprendido e o novo conteúdo, tornando a aprendizagem mais significativa.

    Momento 2: Leitura e interpretação coletiva de tirinhas do folclore (Estimativa: 15 minutos)
    Distribua tirinhas impressas com personagens do folclore brasileiro — sugestão: tirinhas do Saci-Pererê, do Curupira ou da Iara, que podem ser encontradas em livros didáticos ou produzidas pelo professor com base em histórias conhecidas. Se possível, projete as tirinhas na TV ou projetor para que toda a turma possa visualizar ao mesmo tempo. Faça a leitura em voz alta da primeira tirinha, apontando para os quadrinhos na ordem de leitura e chamando a atenção para os detalhes visuais. Após a leitura, conduza uma discussão coletiva com perguntas como: 'O que está acontecendo nessa tirinha?', 'Quem são os personagens?', 'O que o personagem está sentindo? Como você sabe isso?', 'Tem algum problema ou situação engraçada? Como se resolve?'. É importante que você incentive os alunos a observarem tanto o texto quanto as imagens para construir o sentido da história. Observe se os alunos conseguem perceber que a compreensão da tirinha depende da leitura conjunta de imagem e texto — esse é um indicador de aprendizagem fundamental desta aula.

    Momento 3: Exploração dos recursos gráficos — balões, onomatopeias e expressões (Estimativa: 15 minutos)
    Com as tirinhas ainda em mãos, conduza uma análise mais detalhada dos recursos gráficos presentes nas histórias em quadrinhos. Escreva no quadro três categorias: 'Balões', 'Onomatopeias' e 'Expressões e movimentos'. Para cada categoria, aponte exemplos diretamente nas tirinhas distribuídas ou projetadas. Explique que os balões indicam quem está falando ou pensando — e que formatos diferentes têm significados diferentes: o balão com borda ondulada indica pensamento, o balão com raios indica grito ou susto, e o balão comum indica fala. Mostre exemplos de onomatopeias presentes nas tirinhas, como 'CRASH!', 'SPLASH!' ou 'HAHAHA!', e pergunte: 'Por que o autor usou essa palavra aqui? O que ela representa?'. Em seguida, chame a atenção para as expressões faciais e os movimentos dos personagens desenhados, perguntando: 'Como o desenhista mostrou que o personagem ficou com medo?' ou 'O que as linhas ao redor do personagem indicam?'. Construa coletivamente no quadro um pequeno glossário visual com os três recursos, usando exemplos retirados das próprias tirinhas. Esse glossário deve ficar exposto na sala como referência para a atividade de criação que virá a seguir. É importante que os alunos percebam que esses recursos são escolhas intencionais do autor para comunicar sentidos que vão além das palavras.

    Momento 4: Criação individual de uma tirinha curta (Estimativa: 15 minutos)
    Distribua folhas com três ou quatro quadrinhos em branco já delimitados — você pode preparar essa folha previamente desenhando os quadros com régua ou imprimindo um modelo simples. Explique à turma que cada aluno vai criar uma tirinha curta com um personagem do folclore brasileiro, usando pelo menos um balão de fala e uma onomatopeia. Oriente que a tirinha deve contar uma pequena situação com começo e fim — não precisa ser longa, mas precisa fazer sentido. Diga: 'Pense em uma cena engraçada, assustadora ou curiosa com o seu personagem favorito do folclore. O que poderia acontecer com ele em três ou quatro quadrinhos?'. Circule pela sala durante a atividade, observando o processo de criação de cada aluno e fazendo intervenções pontuais quando necessário, como: 'Que balão você vai usar aqui — de fala ou de pensamento?', 'Como você pode mostrar que o personagem ficou assustado no desenho?' ou 'Faltou a onomatopeia — que som faria nessa cena?'. Permita que os alunos usem lápis de cor ou canetinhas para dar vida às suas tirinhas. Observe se os alunos estão utilizando pelo menos um recurso gráfico aprendido — esse é o critério de avaliação formativa desta atividade. Não corrija o estilo artístico dos desenhos; o foco é a linguagem narrativa e o uso dos recursos das HQs.

    Momento 5: Compartilhamento e fechamento — Mostrando nossas tirinhas (Estimativa: 5 minutos)
    Ao final da atividade, convide dois ou três voluntários para mostrar suas tirinhas para a turma e contar brevemente o que acontece na história. Valorize as criações com comentários específicos, como: 'Que onomatopeia interessante você escolheu aqui!' ou 'Adorei como você usou o balão de pensamento para mostrar o que o Saci estava planejando!'. Encerre a aula retomando brevemente os aprendizados do dia: os recursos das histórias em quadrinhos, a relação entre imagem e texto e a estrutura narrativa presente também nas tirinhas. Faça uma pergunta provocadora para a próxima aula: 'Na próxima aula, vamos começar a escrever o nosso próprio conto em duplas. Vocês já têm alguma ideia de personagem ou história que gostariam de criar?'. Permita que dois ou três alunos respondam rapidamente. Recolha as tirinhas produzidas para usar como parte do portfólio da turma ou para compor a coletânea final.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está diante de uma turma diversa e cada pequena adaptação pode fazer uma grande diferença. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esta aula:

    Para alunos com transtorno de ansiedade: No Momento 5, o compartilhamento das tirinhas deve ser sempre voluntário — nunca force esses alunos a apresentarem diante da turma. Uma alternativa gentil é se aproximar individualmente durante o Momento 4 e pedir para ver a tirinha, fazendo um comentário positivo em voz baixa. Isso valoriza a produção sem expor o aluno. Durante o Momento 2, evite chamar esses alunos de surpresa para responder perguntas coletivas; prefira se aproximar deles e perguntar em voz baixa antes de abrir para o grupo. Manter a rotina da aula visível no quadro desde o início, como sugerido no Momento 1, também contribui para reduzir a ansiedade ao longo da aula.

    Para alunos com deficiência intelectual: No Momento 3, simplifique a exploração dos recursos gráficos focando em apenas um ou dois elementos — por exemplo, apenas o balão de fala e uma onomatopeia simples. Durante o Momento 4, ofereça uma folha com os quadrinhos já parcialmente preenchidos, com um personagem desenhado de forma simples em cada quadro, para que o aluno precise apenas adicionar o balão e a fala. Aceite produções com mais desenho e menos texto escrito, valorizando a narrativa visual. O critério de avaliação para esse aluno pode ser simplificado: criar uma tirinha com pelo menos um personagem do folclore e um balão de fala, independentemente da ortografia.

    Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 1): A atividade de criação de tirinhas pode ser especialmente motivadora para esses alunos, que frequentemente têm facilidade com sequências lógicas e detalhes visuais. Valorize e celebre essa habilidade diante da turma quando perceber que o aluno se destacou. Avise com antecedência as transições entre os momentos da aula — por exemplo, diga 'Daqui a dois minutos vamos parar a leitura e começar a explorar os recursos gráficos'. Ofereça uma cópia impressa das tirinhas para que o aluno possa processar no próprio ritmo, sem depender apenas da projeção coletiva. Durante o Momento 4, se o aluno tiver dificuldade em escolher um personagem ou situação para a tirinha, ofereça duas opções concretas para ele escolher, como: 'Você quer fazer uma tirinha com o Curupira ou com o Saci?'. Isso reduz a sobrecarga de decisão e facilita o início da atividade.

  • Aula 4: Planejamento e escrita do conto em duplas — com apoio de um roteiro de planejamento (quem lê, para quê, onde circula), as duplas definem o enredo e escrevem o rascunho do conto.
  • Momento 1: Retomada e Motivação — O Que Já Sabemos sobre Contos? (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula escrevendo no quadro os momentos que serão vivenciados: '1. Retomada, 2. Apresentação do roteiro, 3. Planejamento em duplas, 4. Escrita do rascunho, 5. Fechamento'. Isso ajuda todos os alunos a se situarem na rotina da aula e reduz a ansiedade diante do desconhecido. Retome os mapas narrativos construídos nas aulas anteriores, que devem estar expostos na sala, e faça uma breve revisão com a turma: 'Quem lembra quais são os elementos que toda narrativa precisa ter?'. Aponte para os campos dos mapas — Personagens, Onde acontece, Quando acontece, Problema (conflito) e Solução — e permita que os alunos respondam espontaneamente. Em seguida, anuncie com entusiasmo: 'Hoje vocês vão deixar de ser apenas leitores e vão se tornar autores de verdade! Cada dupla vai criar o seu próprio conto, inspirado no universo das lendas e histórias que já conhecemos.'. Esse momento de motivação é fundamental para engajar os alunos na tarefa de produção textual. Observe se a turma demonstra interesse e curiosidade — isso é um bom indicador de que as aulas anteriores criaram um repertório sólido para a escrita.

    Momento 2: Apresentação e Exploração do Roteiro de Planejamento (Estimativa: 12 minutos)
    Distribua para cada dupla uma ficha de roteiro de planejamento impressa com os seguintes campos: 'Quem vai ler nosso conto?', 'Para que estamos escrevendo?', 'Onde nosso conto vai circular?', 'Quais são os personagens?', 'Onde e quando a história acontece?', 'Qual é o problema (conflito)?', 'Como o problema se resolve?' e 'Como vai terminar a história?'. Projete ou escreva no quadro um modelo preenchido com um exemplo fictício para que os alunos entendam como usar a ficha — por exemplo: 'Quem vai ler: os alunos do 3º ano; Para que: para entreter e apresentar o folclore; Onde vai circular: na coletânea da turma; Personagens: uma menina e o Curupira; Conflito: a menina se perde na floresta e encontra o Curupira'. Explique cada campo com calma, fazendo perguntas à turma: 'Por que é importante pensar em quem vai ler antes de escrever?' e 'Como o leitor influencia as escolhas que fazemos no texto?'. É importante que os alunos compreendam que escrever é um ato comunicativo — há sempre um autor, um texto e um leitor. Permita que tirem dúvidas antes de começar o preenchimento. Esse momento de apresentação do roteiro é essencial para que a produção textual seja planejada e intencional, e não apenas uma escrita aleatória.

    Momento 3: Planejamento em Duplas — Definindo o Enredo (Estimativa: 15 minutos)
    Organize a turma em duplas — se possível, forme as duplas com antecedência, considerando afinidades e complementaridades entre os alunos. Oriente que cada dupla deve preencher o roteiro de planejamento juntos, discutindo e negociando as escolhas antes de escrever qualquer coisa. Diga: 'Antes de escrever uma única palavra do conto, vocês precisam combinar tudo: quem são os personagens, onde a história acontece, qual é o problema e como vai terminar. O roteiro é o mapa de vocês!'. Circule pela sala durante essa etapa, observando as conversas das duplas e fazendo intervenções pontuais quando necessário. Se uma dupla estiver com dificuldade para definir o conflito, pergunte: 'O que poderia dar errado para o personagem de vocês? Qual seria o maior problema que ele poderia enfrentar?'. Se outra dupla estiver com dificuldade para definir o final, pergunte: 'Como o personagem poderia resolver esse problema? Ele vai precisar de ajuda?'. Valorize as ideias criativas e inusitadas — um conto com um Saci que quer aprender a voar ou uma Iara que tem medo d'água são ideias riquíssimas para explorar. Observe se as duplas conseguem preencher pelo menos os campos de personagens, conflito e resolução — esses são os critérios mínimos de planejamento para esta etapa. Anote mentalmente ou em um caderno quais duplas precisaram de mais mediação para usar como referência na avaliação formativa.

    Momento 4: Escrita do Rascunho — Mãos à Obra! (Estimativa: 18 minutos)
    Com o roteiro de planejamento preenchido, oriente as duplas a iniciarem a escrita do rascunho do conto. Distribua folhas de rascunho e explique: 'Agora vocês vão transformar o planejamento em história. Lembrem-se: o rascunho não precisa ser perfeito — ele é o primeiro passo. O importante é colocar as ideias no papel e contar a história com começo, meio e fim.'. Escreva no quadro uma estrutura de apoio simples: 'Início: apresente os personagens e o cenário. Meio: mostre o problema e o que o personagem faz. Fim: conte como o problema se resolve.'. Incentive as duplas a se dividirem na escrita — uma pode escrever enquanto a outra dita, ou podem escrever parágrafos alternados. Circule pela sala durante toda a escrita, lendo trechos produzidos pelas duplas e fazendo intervenções formativas, como: 'Você apresentou o personagem, mas ainda não sabemos onde a história acontece — como vocês podem incluir isso?', 'Esse trecho está ótimo! Como vocês vão conectar esse parágrafo com o próximo?' ou 'O conflito está claro aqui, mas o leitor ainda não sabe como o personagem se sente — o que vocês podem acrescentar?'. É importante que você não corrija a ortografia neste momento — o foco é a construção narrativa. A revisão ortográfica e gramatical será feita na Aula 5. Observe se as duplas conseguem escrever pelo menos um parágrafo de introdução e iniciar o desenvolvimento — esse é o indicador de aprendizagem desta etapa.

    Momento 5: Fechamento e Antecipação da Próxima Aula (Estimativa: 5 minutos)
    Encerre a aula pedindo que as duplas parem a escrita onde estiverem e recolha os rascunhos junto com os roteiros de planejamento — guarde-os para devolver na próxima aula. Faça uma rodada rápida de compartilhamento: peça que duas ou três duplas voluntárias digam o título do conto que estão criando e apresentem brevemente o personagem principal e o conflito em uma ou duas frases. Valorize as apresentações com comentários específicos e entusiasmados, como: 'Que conflito interessante! Estou curioso para saber como vai terminar!' ou 'Que personagem criativo — não vejo a hora de ler esse conto!'. Encerre com uma pergunta provocadora para a próxima aula: 'Na próxima aula, vocês vão trocar os textos com outra dupla para dar sugestões de melhoria. O que vocês acham que é mais importante observar quando leem o conto de um colega?'. Permita que dois ou três alunos respondam rapidamente. Esse fechamento cria um senso de continuidade, valoriza o processo de escrita e prepara os alunos para a etapa de revisão.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está diante de uma turma diversa e cada pequena adaptação pode fazer uma grande diferença no engajamento e na aprendizagem de todos. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esta aula:

    Para alunos com transtorno de ansiedade: A etapa de planejamento em duplas pode gerar ansiedade em alunos que têm medo de errar ou de não ter ideias boas o suficiente. Antes de iniciar o Momento 3, aproxime-se desses alunos individualmente e diga em voz baixa: 'Não existe ideia errada aqui — qualquer história que vocês quiserem contar é válida'. Durante o Momento 4, evite fazer intervenções que possam soar como crítica diante da turma; prefira se aproximar da dupla e conversar em voz baixa. Se o aluno travar na escrita, ofereça uma pergunta simples para desbloqueá-lo: 'O que acontece primeiro na história de vocês?'. Manter a estrutura da aula visível no quadro desde o início, como sugerido no Momento 1, também contribui para reduzir a ansiedade ao longo da aula, pois o aluno sabe o que esperar em cada etapa.

    Para alunos com deficiência intelectual: Durante o Momento 2, ofereça uma versão simplificada do roteiro de planejamento com menos campos e linguagem mais direta — por exemplo: 'Quem são os personagens?', 'O que acontece de ruim?' e 'Como termina?'. Durante o Momento 3, forme a dupla desse aluno com um colega paciente e colaborativo, que possa ajudá-lo a organizar as ideias sem tomar conta da atividade. No Momento 4, aceite que esse aluno contribua com a escrita por meio de desenhos que ilustrem cenas do conto, que podem ser incorporados à versão final como ilustrações. O critério de avaliação para esse aluno pode ser simplificado: participar do planejamento identificando pelo menos um personagem e um problema, e contribuir com algum elemento para o rascunho, seja por escrita ou por desenho.

    Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 1): Avise com antecedência as transições entre os momentos da aula — por exemplo, diga 'Daqui a dois minutos vamos parar o planejamento e começar a escrever o rascunho'. Isso ajuda o aluno a se preparar para a mudança de atividade sem sobrecarga. Durante o Momento 3, se o aluno tiver dificuldade em escolher um personagem ou situação para o conto, ofereça duas opções concretas: 'Vocês querem criar uma história com o Curupira ou com o Saci?'. Isso reduz a sobrecarga de decisão e facilita o início do planejamento. Esse aluno pode se destacar pela capacidade de criar histórias com lógica interna muito coerente e detalhes precisos — valorize e celebre essa habilidade. Se ele tiver dificuldade em negociar escolhas com a dupla, atue como mediador gentil, ajudando a turma a encontrar um meio-termo entre as ideias dos dois integrantes.

  • Aula 5: Revisão, reescrita e socialização — duplas trocam textos para revisão com base em critérios combinados; reescrita final e apresentação dos contos para a turma; organização da coletânea.
  • Momento 1: Retomada e Combinados para a Revisão (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula escrevendo no quadro os momentos que serão vivenciados: '1. Retomada e combinados, 2. Troca de textos e revisão em duplas, 3. Reescrita final, 4. Apresentação dos contos, 5. Organização da coletânea e fechamento'. Isso ajuda todos os alunos a se situarem na rotina da aula e reduz a ansiedade diante do desconhecido. Devolva os rascunhos e os roteiros de planejamento para cada dupla e diga com entusiasmo: 'Hoje é um dia especial — vocês vão revisar, reescrever e apresentar os contos que criaram! Mas antes, precisamos combinar juntos o que vamos observar quando lermos o texto do colega.'. Construa coletivamente no quadro uma ficha de revisão simples com três perguntas: 'Você entendeu a história? O conto tem início, meio e fim?', 'Tem alguma parte confusa ou que poderia ser melhorada?' e 'O que você mais gostou no conto?'. Explique que essas perguntas vão guiar a leitura do texto da outra dupla e que o objetivo não é criticar, mas ajudar o colega a melhorar a história. É importante que você reforce o tom colaborativo desse momento, dizendo: 'Dar uma sugestão é um presente para o autor — é uma chance de tornar a história ainda melhor.'. Distribua a ficha de revisão impressa para cada dupla ou peça que copiem as três perguntas em uma folha separada. Observe se todos entenderam o propósito da atividade antes de avançar para o próximo momento.

    Momento 2: Troca de Textos e Revisão em Duplas (Estimativa: 15 minutos)
    Organize a troca de textos entre as duplas — cada dupla entrega seu rascunho para outra dupla da sala. Oriente que cada dupla deve ler o conto recebido com atenção e responder às três perguntas da ficha de revisão por escrito, de forma gentil e respeitosa. Diga: 'Leiam o conto com cuidado, como se fossem os primeiros leitores dessa história. Depois, respondam às perguntas da ficha pensando em como podem ajudar os colegas a melhorar o texto.'. Circule pela sala durante toda essa etapa, observando o processo de revisão de cada dupla e fazendo intervenções pontuais quando necessário. Se uma dupla tiver dificuldade para identificar uma parte confusa, pergunte: 'Quando vocês leram esse trecho, entenderam logo o que estava acontecendo?' ou 'O personagem foi apresentado claramente no início?'. Se outra dupla estiver fazendo comentários muito vagos na ficha, como apenas 'está bom', incentive-os a ser mais específicos: 'O que exatamente está bom? Tente escrever um exemplo do que gostou.'. É importante que você monitore o tom das devolutivas escritas para garantir que sejam respeitosas e construtivas. Ao final desse momento, cada dupla devolve o rascunho com a ficha de revisão preenchida para os autores originais. Observe se as duplas conseguiram responder às três perguntas da ficha — esse é o indicador de avaliação formativa desta etapa.

    Momento 3: Leitura da Devolutiva e Reescrita Final (Estimativa: 18 minutos)
    Cada dupla recebe de volta o próprio rascunho acompanhado da ficha de revisão preenchida pelos colegas. Oriente: 'Leiam com atenção o que os colegas escreveram na ficha. Depois, conversem entre vocês e decidam o que vão melhorar no conto antes de escrever a versão final.'. Distribua folhas limpas para a reescrita final e diga: 'A versão final é a história que vai entrar na coletânea da turma — caprichem na escrita, na organização e, se quiserem, acrescentem uma ilustração.'. Escreva no quadro um lembrete com os critérios da produção final: 'O conto tem início, meio e fim? Há pelo menos um personagem e um conflito identificáveis? O texto faz sentido para o leitor? A escrita está organizada em parágrafos?'. Circule pela sala durante a reescrita, lendo trechos das versões finais e fazendo intervenções formativas, como: 'Esse parágrafo ficou muito mais claro do que no rascunho — ótima escolha!', 'Vocês incluíram a sugestão dos colegas? Como ficou?' ou 'O final está bem resolvido, mas o leitor ainda não sabe o nome do personagem — como vocês podem incluir isso?'. É importante que você não corrija a ortografia de forma direta neste momento — aponte que há algo a verificar e incentive os próprios alunos a relerem e identificarem o ajuste necessário, dizendo: 'Releiam esse trecho em voz baixa — vocês acham que está escrito do jeito que queriam?'. Recolha as versões finais ao término desse momento para compor a coletânea.

    Momento 4: Apresentação dos Contos para a Turma (Estimativa: 12 minutos)
    Convide as duplas voluntárias a apresentarem seus contos para a turma — lendo em voz alta um trecho ou contando brevemente a história. Se o tempo permitir, tente incluir pelo menos quatro ou cinco duplas. Oriente os alunos que estão ouvindo a prestarem atenção e, ao final de cada apresentação, faça uma pergunta rápida para a turma: 'Qual foi o conflito dessa história?' ou 'Como o personagem resolveu o problema?'. Isso mantém o engajamento dos ouvintes e reforça os conceitos de elementos narrativos trabalhados ao longo da sequência. Valorize cada apresentação com comentários específicos e entusiasmados, como: 'Que conflito criativo — nunca tinha pensado nisso antes!' ou 'Adorei como vocês descreveram o cenário logo no início, deu para imaginar tudo!'. É importante que você crie um clima de celebração e orgulho pelo trabalho realizado — os alunos precisam sentir que suas histórias têm valor e que foram lidas por leitores de verdade. Permita que os alunos que não quiserem ler em voz alta mostrem a versão final do conto para a turma em silêncio, enquanto você lê o título e apresenta brevemente a história com as palavras deles.

    Momento 5: Organização da Coletânea e Fechamento da Sequência (Estimativa: 5 minutos)
    Encerre a aula apresentando à turma a ideia da coletânea final: 'Todos os contos que vocês produziram vão ser reunidos em um livro da turma, que poderá ser compartilhado com outras turmas ou exposto aqui na escola.'. Mostre como será organizada a coletânea — por exemplo, com capa criada coletivamente, nome de cada dupla ao lado do conto e ilustrações produzidas pelos próprios alunos. Se houver tempo, permita que os alunos sugiram um título para a coletânea da turma, anotando as sugestões no quadro para votação posterior. Retome brevemente os aprendizados de toda a sequência didática, perguntando: 'O que vocês aprenderam sobre contos e lendas brasileiras ao longo dessas aulas?' e 'O que foi mais difícil? O que foi mais divertido?'. Permita que três ou quatro alunos respondam rapidamente. Encerre com uma fala motivadora: 'Vocês começaram essa sequência como leitores e terminaram como autores. Os contos que criaram fazem parte agora da história da nossa turma.'. Recolha todas as versões finais para organizar a coletânea e registre suas observações finais sobre o percurso da turma enquanto os alunos se organizam para a saída.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você chegou à última aula de uma sequência rica e significativa, e pequenas adaptações neste momento final podem garantir que todos os alunos vivenciem o fechamento com confiança e pertencimento. Veja algumas sugestões práticas e viáveis:

    Para alunos com transtorno de ansiedade: A etapa de apresentação dos contos (Momento 4) deve ser sempre voluntária — nunca force esses alunos a lerem em voz alta diante da turma. Uma alternativa gentil é combinar com antecedência, ainda no Momento 3, que você pode ler o conto deles em voz alta sem identificar os autores, ou que eles podem mostrar a versão final escrita enquanto você apresenta brevemente. Durante a troca de textos (Momento 2), se o aluno demonstrar muita ansiedade em receber a devolutiva dos colegas, atue como mediador: leia a ficha de revisão junto com a dupla em voz baixa antes de entregar, filtrando comentários que possam ser interpretados de forma negativa e reforçando os pontos positivos. Manter a estrutura da aula visível no quadro desde o início, como sugerido no Momento 1, também contribui para reduzir a ansiedade ao longo de toda a aula.

    Para alunos com deficiência intelectual: Durante a revisão (Momento 2), simplifique a ficha de revisão para esse aluno, reduzindo as perguntas a apenas duas: 'Você entendeu a história?' e 'O que você mais gostou?'. Aceite respostas orais ou em forma de desenho na ficha. Durante a reescrita (Momento 3), permita que esse aluno contribua com a versão final por meio de ilustrações das cenas do conto, que serão incorporadas como parte integrante da história na coletânea. Valorize essa contribuição mostrando para a turma que o conto ganhou imagens criadas pelo próprio autor. No Momento 4, se o aluno quiser participar da apresentação, ofereça a opção de mostrar o desenho favorito do conto enquanto você ou um colega lê o trecho correspondente em voz alta.

    Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 1): Avise com antecedência as transições entre os momentos da aula — por exemplo, diga 'Daqui a dois minutos vamos parar a revisão e começar a reescrita final'. Isso ajuda o aluno a se preparar para a mudança de atividade sem sobrecarga. Durante a troca de textos (Momento 2), esse aluno pode se destacar pela capacidade de identificar inconsistências lógicas na narrativa dos colegas — valorize e celebre essa habilidade diante da turma, dizendo algo como: 'Que observação precisa e cuidadosa!'. Se o aluno tiver dificuldade em receber sugestões dos colegas sobre o próprio texto, explique de forma direta e tranquila: 'As sugestões não significam que a história está errada — significam que os leitores querem entender ainda melhor o que vocês criaram.'. Durante o Momento 4, respeite se o aluno preferir não apresentar oralmente; ofereça a alternativa de expor a versão escrita na coletânea como forma de participação igualmente válida e celebrada.

Avaliação

A avaliação dessa sequência é pensada para acompanhar o processo, não só o produto final. O professor observa desde o levantamento de hipóteses na primeira aula até a revisão do conto na última. Isso permite identificar quem está avançando, quem precisa de mais apoio e ajustar as intervenções no momento certo. Para alunos com deficiência intelectual ou TEA, os critérios podem ser simplificados e a avaliação pode focar em etapas menores do processo.

  • Avaliação formativa contínua: o professor observa e registra a participação dos alunos nas rodas de conversa, o levantamento de hipóteses e a identificação dos elementos narrativos. Critérios: participa das discussões, identifica pelo menos dois elementos narrativos, recontar a história com sequência lógica. Exemplo: durante a Aula 1, o professor anota quem conseguiu antecipar o tema da lenda e quem precisou de mais mediação.
  • Avaliação da produção escrita (conto em duplas): análise do rascunho e da versão final com base em critérios combinados com a turma. Critérios: o conto tem início, meio e fim; há pelo menos um personagem e um conflito identificáveis; o texto faz sentido para o leitor. Para alunos com deficiência intelectual, o critério pode ser reduzido a: o texto conta uma história com começo e fim. Exemplo: o professor usa uma ficha simples com os critérios para dar devolutiva escrita a cada dupla.
  • Autoavaliação e revisão em duplas: na Aula 5, cada dupla recebe o texto da outra e responde a três perguntas: 'Você entendeu a história?', 'Tem alguma parte confusa?' e 'O que você mais gostou?'. Isso desenvolve o olhar crítico e a escuta do outro. Para alunos com ansiedade, a troca pode ser feita com o professor como mediador, sem exposição direta.

Materiais e ferramentas:

Os recursos escolhidos são simples e acessíveis, sem depender de tecnologia cara ou conexão à internet. O foco é garantir que todos os alunos tenham acesso aos materiais necessários para participar de todas as etapas. O uso de imagens, cartazes e fichas visuais é especialmente importante para alunos com TEA e deficiência intelectual, pois oferece apoio concreto durante as atividades.

  • Textos impressos ou escritos no quadro: contos e lendas brasileiras selecionados pelo professor (ex: Curupira, Boto, Saci-Pererê).
  • Tirinhas e histórias em quadrinhos impressas com personagens do folclore brasileiro.
  • Cartaz ou quadro branco para construção coletiva do mapa narrativo.
  • Roteiro de planejamento impresso (ficha com campos: quem vai ler, para quê, onde vai circular, personagens, conflito, resolução).
  • Folhas de rascunho e folhas para a versão final do conto.
  • Ficha de revisão com critérios combinados com a turma (pode ser desenhada com ícones para alunos com dificuldade de leitura).
  • Material para a coletânea final: folhas coloridas, canetinhas ou lápis de cor para ilustrar os contos.
  • Projetor ou TV (opcional): para exibir imagens das lendas e ampliar a discussão visual.

Inclusão e acessibilidade

Essa turma tem alunos com perfis bem diferentes, e isso pede atenção nas escolhas do dia a dia — não precisa ser nada mirabolante. Para alunos com ansiedade, o mais importante é criar previsibilidade: avisar o que vai acontecer na aula, evitar exposições surpresa e oferecer a opção de participar por escrito quando a fala for difícil. Para alunos com deficiência intelectual, simplificar os critérios e usar fichas visuais com ícones faz muita diferença. Já para alunos com TEA Nível 1, combinar as regras do trabalho em dupla com antecedência e manter a rotina da aula ajuda a reduzir a ansiedade. Fique atento a sinais de sobrecarga: aluno que se isola, recusa atividades ou fica agitado pode estar pedindo ajuda de outro jeito.

  • Para alunos com ansiedade: apresentar o roteiro da aula no início (pode ser escrito no quadro), evitar chamadas surpresa para leitura em voz alta e oferecer a opção de participar da roda por escrito ou em dupla com um colega de confiança.
  • Para alunos com deficiência intelectual: usar a ficha de planejamento com ícones e imagens além do texto escrito; simplificar o critério de produção (ex: 'escreva uma história com começo e fim'); permitir que o aluno dite o conto para o professor ou para um colega escrever.
  • Para alunos com TEA Nível 1: combinar previamente as regras do trabalho em dupla (quem faz o quê, por quanto tempo); manter a mesma rotina nas aulas; evitar mudanças de última hora sem aviso; oferecer um espaço mais reservado se o aluno se sentir sobrecarregado com o barulho da turma.
  • Uso de imagens e recursos visuais em todas as aulas como apoio à compreensão dos textos e das instruções.
  • Escolha de duplas feita pelo professor com cuidado, considerando afinidades e perfis complementares — evitar expor alunos com ansiedade ou TEA a situações de conflito desnecessário.
  • Coletânea final: todos os alunos têm seu conto incluído, independentemente do nível de escrita — o que importa é a participação no processo.

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