Nossa História em Palavras: Explorando Textos que Contam Quem Somos!

Desenvolvida por: Maria … (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa – Leitura/Escuta (compartilhada e autônoma) e Texto Expositivo
Temática: Cultura afro-brasileira e indígena por meio de textos expositivos

Essa sequência de três aulas convida os alunos do 5º ano a mergulhar em textos expositivos que contam a história e a cultura afro-brasileira e indígena. A ideia central é mostrar que textos não existem por acaso: eles têm uma função, um autor, um público e circulam em contextos específicos. Ao longo das aulas, os alunos vão aprender a ler com mais intencionalidade, levantando hipóteses antes mesmo de começar o texto, confirmando ou revisando essas ideias durante a leitura e localizando informações explícitas com precisão.

Na primeira aula, a turma faz uma leitura compartilhada de um texto expositivo sobre a influência africana na cultura brasileira. Antes de ler, os alunos observam imagens, títulos e dados do suporte para antecipar o que vão encontrar. Essa etapa é essencial para ativar o que já sabem e criar curiosidade genuína sobre o tema.

Na segunda aula, os grupos recebem textos de apoio sobre contribuições de povos africanos e indígenas e planejam a criação de um pequeno livro expositivo ilustrado. Cada grupo decide como vai organizar as informações, quem escreve, quem ilustra e quem revisa. Essa autonomia é intencional: os alunos assumem o papel de autores, não apenas de leitores.

Na terceira aula, os livros são finalizados e apresentados à turma em uma sessão de leitura compartilhada. A turma discute a função social de cada texto produzido e reflete sobre por que é importante conhecer e valorizar essas histórias. O produto final fica disponível na sala como material de leitura para todos.

A sequência respeita diferentes ritmos de aprendizagem e inclui adaptações para alunos com TEA Nível 1, garantindo que todos participem com conforto e segurança.

Objetivos de Aprendizagem

O foco dessa sequência é fazer os alunos perceberem que ler vai muito além de decodificar palavras. Quando um aluno para diante de um texto e pergunta 'quem escreveu isso, para quem e por quê?', ele está desenvolvendo uma habilidade que vai usar a vida toda. Nas três aulas, o professor vai guiar esse olhar mais crítico e curioso, ajudando os alunos a construir sentido antes, durante e depois da leitura. A produção do livro ilustrado reforça esse aprendizado de forma prática: para escrever um texto expositivo, o aluno precisa primeiro entender como esse tipo de texto funciona.

  • Identificar a função social de textos expositivos, reconhecendo para que foram produzidos, onde circulam e a quem se destinam.
  • Levantar hipóteses sobre o texto antes da leitura, usando imagens, títulos, suporte e conhecimentos prévios como pistas.
  • Confirmar ou revisar as antecipações feitas durante e após a leitura, checando se as hipóteses se sustentaram.
  • Localizar informações explícitas em textos expositivos sobre cultura afro-brasileira e indígena.
  • Produzir, em grupo, um pequeno livro expositivo ilustrado com informações organizadas e linguagem adequada ao gênero.
  • Reconhecer a importância das contribuições africanas e indígenas para a formação da identidade cultural brasileira.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF15LP01: Identificar a função social de textos que circulam em campos da vida social dos quais participa cotidianamente (a casa, a rua, a comunidade, a escola) e nas mídias impressa, de massa e digital, reconhecendo para que foram produzidos, onde circulam, quem os produziu e a quem se destinam. Conheça mais sobre a EF15LP01
  • EF15LP02: Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler (pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma e da função social do texto), apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção desse texto, o gênero, o suporte e o universo temático, bem como sobre saliências textuais, recursos gráficos, imagens, dados da própria obra (índice, prefácio etc.), confirmando antecipações e inferências realizadas antes e durante a leitura de textos, checando a adequação das hipóteses realizadas. Conheça mais sobre a EF15LP02
  • EF15LP03: Localizar informações explícitas em textos. Conheça mais sobre a EF15LP03

Conteúdo Programático

O conteúdo programático dessa sequência une habilidades de leitura com um tema culturalmente significativo. Trabalhar com textos expositivos sobre cultura afro-brasileira e indígena não é apenas uma escolha temática: é uma forma de mostrar aos alunos que a língua portuguesa carrega histórias de muitos povos. O professor vai circular entre os grupos durante as aulas, observando como os alunos lidam com o texto e intervindo quando necessário, sem dar as respostas prontas.

  • Texto expositivo: características, estrutura e função social.
  • Estratégias de pré-leitura: leitura de imagens, títulos, suporte e ativação de conhecimentos prévios.
  • Antecipação, confirmação e revisão de hipóteses durante a leitura.
  • Localização de informações explícitas em textos.
  • Contribuições de povos africanos e indígenas para a cultura brasileira (gastronomia, língua, música, arte, medicina popular).
  • Produção de texto expositivo ilustrado: planejamento, escrita colaborativa e revisão.
  • Função social do texto produzido e circulação em contexto escolar.

Metodologia

As três aulas usam metodologias ativas diferentes, mas complementares. Na Roda de Debate, o professor media a leitura e as discussões, garantindo que todos os alunos participem. Na Aprendizagem Baseada em Projetos, os grupos têm autonomia real para tomar decisões sobre o livro. Na aula Mão na Massa, os alunos apresentam o que produziram e refletem sobre o processo. Essa progressão — do coletivo guiado para o colaborativo autônomo — é intencional e respeita o desenvolvimento dos alunos de 10 e 11 anos.

  • Roda de Debate (Aula 1): leitura compartilhada com mediação do professor, levantamento de hipóteses e discussão coletiva sobre a função social do texto.
  • Aprendizagem Baseada em Projetos (Aula 2): grupos planejam e iniciam a produção de um livro expositivo ilustrado, distribuindo tarefas com autonomia.
  • Atividade Mão na Massa (Aula 3): finalização dos livros e sessão de leitura compartilhada com a turma, seguida de reflexão sobre a função social dos textos produzidos.
  • Uso de textos de apoio impressos com informações sobre cultura afro-brasileira e indígena como fonte de pesquisa para os grupos.
  • Roteiro visual de etapas afixado na lousa para apoiar alunos que precisam de mais estrutura durante as atividades em grupo.

Aulas e Sequências Didáticas

As três aulas foram pensadas em sequência, mas cada uma tem começo, meio e fim próprios. Isso facilita a retomada no início de cada encontro e evita que os alunos se percam no processo. O professor pode usar os primeiros 3 a 5 minutos de cada aula para relembrar o que foi feito antes e antecipar o que vem a seguir — isso ajuda especialmente os alunos que precisam de mais previsibilidade.

  • Aula 1 (40 min): Apresentação de imagens e dados sobre cultura afro-brasileira para levantamento de hipóteses. Leitura compartilhada de texto expositivo com pausas para confirmação ou revisão das antecipações. Discussão coletiva sobre a função social do texto lido.
  • Momento 1: Aquecimento e Ativação de Conhecimentos Prévios (Estimativa: 8 minutos)
    Inicie a aula projetando ou afixando na lousa de três a quatro imagens relacionadas à cultura afro-brasileira, como uma roda de capoeira, pratos típicos como acarajé e feijoada, instrumentos de percussão e elementos de arte africana. Antes de qualquer explicação, convide os alunos a observarem as imagens em silêncio por alguns segundos. Em seguida, faça perguntas abertas para a turma: 'O que vocês estão vendo nessas imagens?', 'Vocês reconhecem alguma dessas coisas no dia a dia de vocês?' e 'O que essas imagens têm em comum?'. Permita que os alunos respondam livremente, sem julgamentos, valorizando cada contribuição. É importante que você registre na lousa as palavras-chave que surgirem nas falas dos alunos, pois elas servirão como âncora para o levantamento de hipóteses que virá a seguir. Observe se os alunos demonstram familiaridade com o tema e quais conexões já conseguem estabelecer espontaneamente.

    Momento 2: Pré-leitura e Levantamento de Hipóteses (Estimativa: 7 minutos)
    Distribua o texto expositivo impresso para cada aluno, mas oriente a turma a não ler ainda. Peça que observem apenas o título, os subtítulos, as imagens internas, as legendas e qualquer destaque visual presente no texto. Conduza a turma com perguntas como: 'Só olhando para o título e as imagens, sobre o que vocês acham que esse texto vai falar?', 'Quem vocês imaginam que escreveu esse texto e por quê?' e 'Onde vocês acham que esse tipo de texto poderia ser publicado?'. Anote na lousa as hipóteses levantadas pelos alunos em uma coluna intitulada 'O que achamos antes de ler'. É importante que você deixe claro que não existe resposta certa ou errada nesse momento: o objetivo é pensar antes de ler. Essa etapa desenvolve a habilidade de antecipação e prepara os alunos para uma leitura mais intencional e crítica.

    Momento 3: Leitura Compartilhada com Pausas Reflexivas (Estimativa: 15 minutos)
    Inicie a leitura compartilhada do texto expositivo em voz alta, convidando os alunos a acompanharem com os olhos em suas cópias impressas. Faça a leitura de forma expressiva e pausada. Ao final de cada parágrafo ou bloco temático, interrompa a leitura e proponha pequenas pausas reflexivas com perguntas como: 'Isso confirma o que vocês imaginavam?', 'Alguém precisa revisar alguma hipótese que levantou antes?' e 'Que informação nova apareceu aqui que vocês não esperavam?'. Permita que dois ou três alunos respondam a cada pausa, incentivando a participação de diferentes estudantes ao longo da leitura. Marque na lousa, ao lado das hipóteses registradas anteriormente, quais foram confirmadas e quais precisaram ser revisadas, usando símbolos simples como um visto ou uma seta. Observe se os alunos conseguem localizar no texto as informações que confirmam ou contradizem as hipóteses levantadas. Essa prática de checagem ativa é central para o desenvolvimento da leitura com compreensão.

    Momento 4: Discussão Coletiva sobre a Função Social do Texto (Estimativa: 10 minutos)
    Ao final da leitura, organize uma roda de debate rápida com a turma. Proponha as seguintes questões para a discussão coletiva: 'Para que esse texto foi escrito?', 'Quem você acha que leria esse texto fora da escola e por quê?', 'Por que é importante que textos como esse existam e circulem?' e 'O que mudaria se esse texto não existisse?'. Conduza o debate mediando as falas, garantindo que diferentes vozes sejam ouvidas e que os alunos se escutem mutuamente. É importante que você sistematize as ideias centrais que surgirem na lousa, conectando-as ao conceito de função social do texto: informar, preservar memória, valorizar identidades e promover o reconhecimento cultural. Encerre esse momento reforçando que todo texto tem um propósito, um autor e um público, e que reconhecer isso é uma habilidade fundamental de leitura. Registre em sua lista de observação quais alunos participaram ativamente da discussão e quais demonstraram dificuldade em relacionar o texto ao seu contexto de circulação.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista Nível 1, algumas adaptações simples podem fazer toda a diferença na participação e no conforto durante essa aula. No Momento 1, se possível, avise com antecedência que haverá imagens para observar e perguntas para responder, pois a previsibilidade ajuda esses alunos a se prepararem para a atividade. Evite chamadas surpresa para responder em voz alta; prefira fazer perguntas abertas para a turma e aguarde que o aluno se manifeste voluntariamente ou sinalize com um gesto que deseja participar. No Momento 2, considere entregar ao aluno com TEA uma versão do texto com o título e os subtítulos levemente destacados em negrito ou com uma borda colorida, facilitando a identificação dos elementos de pré-leitura sem sobrecarga visual. No Momento 3, durante a leitura compartilhada, permita que o aluno acompanhe com o dedo ou com um marcador de linha para não perder o fio da leitura. As pausas reflexivas são benéficas para esses alunos, pois estruturam o processo e evitam a sobrecarga de informações contínuas. No Momento 4, se o formato de roda de debate gerar desconforto, ofereça ao aluno a opção de registrar sua resposta por escrito em um papel e entregá-la a você, ou de responder apenas uma pergunta de sua escolha. Lembre-se: pequenas adaptações na forma de participação não reduzem o valor da aprendizagem, elas ampliam o acesso a ela. Você já está fazendo muito ao criar um ambiente acolhedor e estruturado para todos.

  • Aula 2 (40 min): Retomada rápida da aula anterior. Formação dos grupos e distribuição de textos de apoio sobre contribuições africanas e indígenas. Planejamento e início da produção do livro expositivo ilustrado, com definição de tarefas por cada integrante.
  • Momento 1: Retomada da Aula Anterior (Estimativa: 7 minutos)
    Inicie a aula reunindo a turma em roda ou mantendo-os em seus lugares e faça uma retomada breve e dinâmica do que foi trabalhado na aula anterior. Projete ou afixe na lousa as palavras-chave registradas na Aula 1 e as hipóteses que foram confirmadas ou revisadas durante a leitura compartilhada. Pergunte à turma: 'Quem lembra o que descobrimos sobre a influência africana na cultura brasileira?', 'Que informações do texto chamaram mais a atenção de vocês?' e 'Alguém pensou mais sobre o assunto depois da aula?'. Permita que três ou quatro alunos respondam livremente, valorizando as contribuições de cada um. É importante que você conecte essa retomada ao que será feito hoje, anunciando que a turma vai agora se tornar autora: cada grupo vai produzir um pequeno livro expositivo ilustrado sobre as contribuições de povos africanos e indígenas para a cultura brasileira. Esse momento de transição entre o que foi aprendido e o que será produzido é essencial para que os alunos percebam continuidade e propósito na sequência de atividades.

    Momento 2: Formação dos Grupos e Apresentação da Proposta (Estimativa: 8 minutos)
    Organize a turma em grupos de quatro a cinco alunos. Prefira grupos heterogêneos, misturando alunos com diferentes perfis de aprendizagem, pois isso enriquece a troca e favorece a colaboração. Explique com clareza a proposta do livro expositivo ilustrado: cada grupo vai receber textos de apoio com informações sobre contribuições africanas e indígenas em áreas como gastronomia, língua, música, arte e medicina popular, e a partir dessas informações vai planejar e começar a escrever um livro com título, texto organizado e ilustrações. Afixe na lousa ou distribua impresso o roteiro visual com as etapas da atividade, que deve conter: 1) Ler os textos de apoio; 2) Escolher o tema do livro; 3) Definir quem faz o quê (escrever, ilustrar, revisar); 4) Planejar o que vai em cada página; 5) Começar a escrever e ilustrar. É importante que você leia o roteiro em voz alta com a turma antes de liberar os grupos para trabalhar, garantindo que todos entenderam o que se espera deles. Observe se algum grupo demonstra dificuldade em compreender a proposta e intervenha com exemplos concretos, como mostrar um livro expositivo simples ou descrever como seria uma página com título, texto e imagem.

    Momento 3: Leitura dos Textos de Apoio e Escolha do Tema (Estimativa: 10 minutos)
    Distribua para cada grupo um conjunto de textos de apoio impressos com informações sobre contribuições africanas e indígenas. Oriente os grupos a lerem os textos juntos, em voz alta ou em silêncio, e a conversarem sobre o que acharam mais interessante. Após a leitura, cada grupo deve escolher um tema ou área temática para o seu livro, por exemplo, um grupo pode escolher a influência africana na gastronomia brasileira, enquanto outro pode focar nas palavras de origem indígena presentes no português do Brasil. Circule pelos grupos durante esse momento, observando se os alunos estão conseguindo identificar informações relevantes nos textos e se a conversa está sendo produtiva. Faça perguntas de apoio como: 'O que vocês acharam mais surpreendente nesse texto?', 'Que informação vocês gostariam de compartilhar com outras pessoas?' e 'Sobre qual assunto vocês conseguiriam escrever com mais segurança?'. É importante que você incentive os grupos a anotarem as informações que querem usar antes de começar a escrever, pois isso facilita o planejamento e evita que percam o fio condutor durante a produção.

    Momento 4: Planejamento do Livro e Definição de Tarefas (Estimativa: 10 minutos)
    Com o tema escolhido, oriente cada grupo a planejar a estrutura do livro antes de começar a escrever. Distribua uma folha de planejamento simples ou peça que usem uma folha em branco para esboçar: qual será o título do livro, quantas páginas terá, o que vai em cada página e quem será responsável por cada parte. Explique que um livro expositivo precisa ter pelo menos um título, um texto com informações organizadas e imagens que ajudem a entender o conteúdo. Reforce que cada integrante do grupo deve ter uma função clara: quem escreve o texto, quem faz as ilustrações e quem revisa o que foi produzido. Permita que os grupos negociem entre si a distribuição de tarefas, intervindo apenas se houver conflito ou se algum aluno ficar sem função definida. Observe se os grupos estão conseguindo planejar de forma colaborativa e se todos os integrantes estão participando ativamente. Registre em sua lista de observação quais grupos demonstraram maior autonomia no planejamento e quais precisaram de mais mediação.

    Momento 5: Início da Produção do Livro Ilustrado (Estimativa: 5 minutos)
    Com o planejamento feito, libere os grupos para iniciarem a produção do livro. Distribua os materiais necessários: folhas A4 ou sulfite, lápis de cor, canetas e outros materiais de papelaria disponíveis. Oriente os alunos a começarem pela parte que se sentirem mais seguros, seja o título, a primeira página de texto ou um esboço das ilustrações. É importante que você circule pelos grupos nesse momento inicial de produção, verificando se estão seguindo o planejamento e se as informações que estão escrevendo foram retiradas dos textos de apoio. Faça intervenções pontuais quando necessário, como sugerir que o aluno releia um trecho do texto de apoio para encontrar uma informação específica ou que o grupo reveja o roteiro visual para checar se está cumprindo as etapas. Encerre a aula comunicando à turma que a produção continuará e será finalizada na próxima aula, e que os materiais serão guardados com cuidado para que o trabalho não se perca. Esse encerramento com previsibilidade é especialmente importante para os alunos que precisam de mais estrutura e segurança nas transições entre as aulas.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está fazendo um trabalho incrível ao criar um ambiente de aprendizagem rico e colaborativo para todos os seus alunos. Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista Nível 1, algumas adaptações simples podem tornar essa aula muito mais confortável e produtiva sem demandar grandes recursos da sua parte. No Momento 1, avise com antecedência, ainda no início da aula, que haverá formação de grupos e uma atividade de produção, pois a previsibilidade reduz a ansiedade e facilita a transição entre atividades. Se possível, informe também com quem o aluno vai trabalhar antes de anunciar os grupos para a turma toda. No Momento 2, entregue ao aluno com TEA uma cópia impressa do roteiro visual das etapas da atividade para que ele possa consultá-lo individualmente ao longo da aula, sem depender apenas do que está na lousa. Isso oferece autonomia e segurança. No Momento 3, se a leitura em grupo gerar sobrecarga sensorial ou dificuldade de concentração, permita que o aluno leia seu texto de apoio em silêncio antes de participar da discussão com o grupo. Você pode também destacar previamente nos textos de apoio as informações mais relevantes com um sublinhado leve, reduzindo a quantidade de texto a ser processada de uma vez. No Momento 4, se a negociação de tarefas dentro do grupo gerar desconforto, sugira discretamente ao grupo uma função específica para o aluno com TEA que esteja alinhada com seus pontos fortes, como organizar as informações em tópicos, criar legendas para as ilustrações ou revisar o texto já escrito. Isso garante participação real sem expor o aluno a situações de conflito social que podem ser difíceis de gerenciar. No Momento 5, ao encerrar a aula, comunique claramente o que ficou para a próxima aula e o que será feito com os materiais produzidos, pois saber o que vem a seguir ajuda o aluno a encerrar a atividade com tranquilidade. Lembre-se: pequenos ajustes na rotina e na comunicação fazem uma diferença enorme para esses alunos, e você já está no caminho certo ao criar uma aula tão bem estruturada e acolhedora.

  • Aula 3 (40 min): Finalização dos livros pelos grupos. Sessão de leitura compartilhada: cada grupo apresenta seu livro para a turma. Roda de conversa final sobre a função social dos textos produzidos e a importância de valorizar a diversidade cultural brasileira.
  • Momento 1: Finalização dos Livros Expositivos Ilustrados (Estimativa: 12 minutos)
    Inicie a aula comunicando com clareza o que acontecerá durante os 40 minutos: os grupos terão um tempo para finalizar seus livros, depois cada grupo apresentará sua produção para a turma e, por fim, a turma fará uma roda de conversa sobre o que aprendeu. Essa previsibilidade é fundamental para que todos os alunos se organizem mentalmente para a aula. Distribua os materiais produzidos na aula anterior e oriente os grupos a retomarem o planejamento feito anteriormente para verificar se todas as partes do livro estão completas. Lembre a turma que o livro precisa ter título, texto com informações organizadas e ilustrações que ajudem a compreender o conteúdo. Circule pelos grupos durante esse tempo, verificando se os textos estão coerentes com as informações dos textos de apoio, se as ilustrações estão relacionadas ao conteúdo escrito e se há algum grupo que ainda precisa de apoio para concluir. Faça intervenções pontuais e objetivas, como sugerir que o grupo acrescente uma frase de conclusão ou que revise um trecho confuso. É importante que você incentive os alunos a relerem o que escreveram antes de considerar o livro pronto, reforçando o hábito de revisão como parte natural do processo de escrita. Ao final desse momento, oriente os grupos a encadernarem seus livros com grampeador ou barbante, dando ao produto um acabamento que valorize o trabalho realizado.

    Momento 2: Sessão de Leitura Compartilhada — Apresentação dos Livros (Estimativa: 18 minutos)
    Organize a turma em semicírculo ou em roda para que todos possam ver e ouvir as apresentações com conforto. Explique que cada grupo terá aproximadamente três minutos para apresentar seu livro à turma, mostrando as páginas, lendo trechos escolhidos pelo grupo e contando brevemente o que aprenderam ao produzi-lo. Antes de começar, combine com a turma algumas regras simples de escuta respeitosa: ouvir sem interromper, aguardar o momento de perguntas e valorizar o trabalho dos colegas. Permita que os grupos escolham quem vai apresentar, podendo ser um representante, dois integrantes ou o grupo todo de forma revezada. Durante cada apresentação, observe se os alunos conseguem comunicar as informações do livro com clareza e se fazem referência às fontes que utilizaram. Após cada apresentação, abra um breve espaço de um a dois minutos para que a turma faça comentários ou perguntas ao grupo, mediando as falas para que sejam construtivas e respeitosas. É importante que você valorize cada apresentação com comentários positivos e específicos, destacando algo concreto que o grupo fez bem, como a organização das informações, a escolha do tema ou a qualidade das ilustrações. Esse reconhecimento fortalece a autoestima dos alunos e reforça o valor do trabalho colaborativo. Observe se todos os integrantes de cada grupo participaram de alguma forma da apresentação e registre em sua lista de observação os grupos que demonstraram maior domínio do conteúdo e clareza na comunicação.

    Momento 3: Roda de Conversa Final — Função Social dos Textos e Valorização da Diversidade Cultural (Estimativa: 7 minutos)
    Após as apresentações, conduza uma roda de conversa com a turma sobre o que foi produzido e aprendido ao longo das três aulas. Proponha perguntas que conectem a experiência de produção ao conceito de função social do texto, como: 'Para que serve o livro que vocês criaram?', 'Quem poderia ler esse livro e aprender algo com ele?', 'Por que é importante que textos sobre a cultura africana e indígena existam e circulem?' e 'O que vocês descobriram sobre a cultura brasileira que não sabiam antes?'. Medie as falas garantindo que diferentes vozes sejam ouvidas e que os alunos se escutem com atenção. É importante que você sistematize na lousa as ideias centrais que surgirem, conectando-as ao conceito trabalhado ao longo da sequência: textos têm autores, públicos e propósitos, e os livros produzidos pela turma têm a função de informar, preservar memória e valorizar identidades. Encerre esse momento reforçando que os livros produzidos pelos grupos ficarão disponíveis na sala como material de leitura para todos, o que amplia a circulação real desses textos e dá sentido concreto ao trabalho realizado.

    Momento 4: Autoavaliação Coletiva (Estimativa: 3 minutos)
    Finalize a aula propondo uma autoavaliação rápida. Peça que cada grupo responda oralmente ou por escrito a três perguntas simples: 'O que aprendemos?', 'O que foi difícil?' e 'O que mudaria no nosso livro?'. Se optar pela forma oral, sorteie um representante de cada grupo para responder uma das perguntas, garantindo agilidade. Se preferir a forma escrita, distribua um pequeno papel para cada grupo anotar as respostas em dois ou três minutos. Recolha os registros escritos para usar como instrumento de avaliação formativa. É importante que você valorize as respostas honestas, especialmente aquelas que apontam dificuldades, reforçando que reconhecer o que foi difícil é sinal de maturidade e crescimento. Encerre a sequência didática celebrando o esforço e o aprendizado da turma, destacando que eles se tornaram autores de textos que têm uma função social real e que contribuem para o reconhecimento e a valorização da diversidade cultural brasileira.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você realizou um trabalho incrível ao conduzir essa sequência didática com tanto cuidado e intencionalidade. Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista Nível 1, algumas adaptações simples nessa aula final podem garantir uma participação confortável e significativa. No Momento 1, avise com antecedência o tempo disponível para a finalização dos livros e use um cronômetro visível ou marque na lousa quanto tempo resta, pois a clareza sobre o tempo ajuda esses alunos a se organizarem sem ansiedade. Se o aluno demonstrar dificuldade em encerrar o trabalho, ofereça uma orientação direta e gentil sobre qual parte ainda precisa ser concluída, evitando instruções abertas demais. No Momento 2, se a apresentação oral para a turma gerar desconforto, ofereça ao aluno a opção de participar mostrando as páginas do livro enquanto um colega lê o texto em voz alta, ou de apresentar apenas uma parte específica que ele mesmo escolheu. Evite chamadas surpresa para falar em público; combine com antecedência qual será o papel do aluno na apresentação do grupo. No Momento 3, durante a roda de conversa, prefira fazer perguntas abertas para a turma e aguarde que o aluno se manifeste voluntariamente. Se ele quiser participar mas tiver dificuldade em organizar a fala na hora, permita que escreva sua resposta em um papel e a entregue a você para que você leia em voz alta, preservando sua contribuição sem expô-lo a uma situação de pressão. No Momento 4, ofereça ao aluno com TEA a opção de responder às três perguntas da autoavaliação por escrito de forma individual, em vez de participar da resposta coletiva do grupo. Isso garante que ele reflita sobre seu próprio processo de aprendizagem com mais tranquilidade e profundidade. Lembre-se: pequenas adaptações na forma de participação não diminuem o valor da aprendizagem, elas ampliam o acesso a ela. Você já está fazendo muito ao criar um ambiente acolhedor, estruturado e cheio de significado para todos os seus alunos.

Avaliação

A avaliação dessa sequência combina observação contínua com análise do produto final. O professor acompanha o processo desde a Aula 1, observando como os alunos levantam hipóteses e participam da discussão, até a Aula 3, quando os livros são apresentados. Não se trata de uma prova, mas de registrar o que cada aluno demonstrou ao longo das três aulas. Para alunos com TEA Nível 1, a avaliação pode considerar a participação nas etapas que o aluno se sentiu mais confortável, sem exigir apresentação oral obrigatória.

  • Avaliação formativa por observação (Aulas 1, 2 e 3): o professor registra em uma lista simples se o aluno levantou hipóteses antes da leitura, participou da discussão coletiva e colaborou com o grupo. Critérios: engajamento na atividade, capacidade de antecipar e confirmar informações, contribuição para o trabalho em grupo. Exemplo: durante a Aula 1, o professor anota quais alunos conseguiram relacionar as imagens ao tema do texto antes da leitura.
  • Avaliação do produto final — livro expositivo ilustrado (Aula 3): análise do livro produzido pelo grupo. Critérios: presença de informações explícitas localizadas nos textos de apoio, organização do texto expositivo, adequação da linguagem ao gênero e clareza das ilustrações. Exemplo: o professor verifica se o grupo incluiu pelo menos três informações explícitas retiradas dos textos de apoio e se o texto está organizado com título, desenvolvimento e conclusão.
  • Autoavaliação coletiva (Aula 3): ao final da sessão de leitura compartilhada, cada grupo responde oralmente ou por escrito a três perguntas: 'O que aprendemos?', 'O que foi difícil?' e 'O que mudaria no nosso livro?'. Critério: capacidade de refletir sobre o próprio processo de aprendizagem. Para alunos com TEA Nível 1, essa etapa pode ser feita de forma escrita individual ou com apoio de um colega.

Materiais e ferramentas:

Os recursos escolhidos para essa sequência são simples e acessíveis. A ideia é que o professor não precise de equipamentos sofisticados para conduzir uma aula rica. Textos impressos, imagens e materiais de papelaria são suficientes para as três aulas. Se a escola tiver acesso a computadores ou tablets, eles podem ser usados na Aula 2 para pesquisa complementar, mas não são obrigatórios.

  • Texto expositivo impresso sobre a influência africana na cultura brasileira (1 cópia por aluno para a Aula 1).
  • Imagens impressas ou projetadas relacionadas à cultura afro-brasileira e indígena para a etapa de pré-leitura.
  • Textos de apoio impressos sobre contribuições africanas e indígenas (1 conjunto por grupo para a Aula 2).
  • Folhas A4 ou sulfite, lápis de cor, canetas e materiais de papelaria para a produção dos livros ilustrados.
  • Roteiro visual das etapas da atividade (pode ser escrito na lousa ou impresso em cartaz) para apoiar a organização dos grupos.
  • Grampeador ou barbante para encadernar os livros produzidos pelos grupos.
  • Lista de observação simples para o professor registrar a participação dos alunos ao longo das aulas.

Inclusão e acessibilidade

Trabalhar com alunos com TEA Nível 1 não precisa ser complicado. Pequenos ajustes na rotina e na comunicação já fazem uma grande diferença. Esses alunos geralmente se saem bem quando sabem o que esperar, então antecipar as etapas da aula no início de cada encontro é uma estratégia simples e eficaz. Nas atividades em grupo, vale observar se o aluno está confortável com o papel que assumiu — às vezes, uma função mais individual dentro do grupo, como ser o responsável pelas ilustrações, funciona melhor do que tarefas que exigem negociação constante. Fique atento a sinais de sobrecarga sensorial ou social, como isolamento, agitação ou recusa em participar, e ofereça uma pausa ou uma tarefa alternativa sem fazer disso um problema.

  • Apresentar o roteiro da aula no início de cada encontro, explicando oralmente e deixando escrito na lousa as etapas que serão realizadas.
  • Oferecer ao aluno com TEA Nível 1 a opção de escolher seu papel no grupo (escritor, ilustrador ou revisor), respeitando sua preferência e evitando funções que exijam muita negociação social.
  • Disponibilizar o texto expositivo da Aula 1 com destaque visual nas informações principais (sublinhado ou negrito) para facilitar a localização de dados explícitos.
  • Na autoavaliação coletiva da Aula 3, permitir que o aluno responda por escrito em vez de oralmente, sem destacar essa diferença para a turma.
  • Evitar mudanças bruscas na ordem das atividades sem aviso prévio; se houver necessidade de ajuste, comunicar ao aluno com antecedência.
  • Garantir que o tema da atividade — diversidade cultural — seja tratado com respeito e sem estereótipos, criando um ambiente seguro para todos os alunos compartilharem suas referências culturais.

Todos os planos de aula são criados e revisados por professores como você, com auxílio da Inteligência Artificial

Crie agora seu próprio plano de aula
Você ainda tem 1 plano de aula para ler esse mês
Cadastre-se gratuitamente
e tenha livre acesso a mais de 30.000 planos de aula sem custo