Duelo Literário: Conto Popular vs. Crônica no Ringue das Palavras!

Desenvolvida por: Suzana (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa — Análise Linguística/Semiótica e Produção Textual
Temática: Gêneros textuais: conto popular e crônica — diferenças linguísticas, estruturais e semióticas

Nessa atividade, os alunos vão trabalhar em grupos para criar um mini livro bilíngue artesanal com dois textos sobre o mesmo tema: um conto popular e uma crônica. A ideia central é que eles percebam, na prática, como o mesmo assunto pode ser tratado de formas completamente diferentes dependendo do gênero, do suporte e do objetivo comunicativo. Ao escrever os dois textos lado a lado, eles precisam tomar decisões reais de linguagem — escolher o tom, o vocabulário, a estrutura, o tipo de narrador e até o visual da página.

A atividade acontece em 60 minutos e segue a lógica da Aprendizagem Baseada em Projetos: cada grupo planeja, escreve, revisa e monta o livro durante a aula. O produto final é físico e artesanal — uma espécie de fanzine dobrado ou costurado, com divisão interna clara entre os dois gêneros, ilustrações feitas à mão e diagramação pensada pelo grupo.

O caráter bilíngue do livro é um diferencial importante. Ele valoriza os alunos imigrantes da turma, que podem contribuir com sua língua de origem na produção, tornando o projeto mais rico e representativo. Isso também abre espaço para conversar sobre como diferentes culturas contam histórias — quais temas aparecem nos contos populares de cada país, como a crônica existe (ou não) em outras tradições literárias.

Durante o processo, o professor circula pelos grupos, faz perguntas provocadoras e ajuda na revisão. Não é uma aula expositiva — é uma aula de fazer. Os alunos vão errar, reescrever, discutir entre si e tomar decisões coletivas. Esse processo todo é o aprendizado. A habilidade EF69LP07 é trabalhada de forma completa: planejamento, elaboração, revisão, edição e apresentação do texto final em suporte real.

Objetivos de Aprendizagem

O foco principal dessa atividade é fazer com que os alunos entendam que a língua não é neutra — ela muda conforme o contexto, o gênero e quem vai ler. Ao produzir dois textos sobre o mesmo tema, eles precisam tomar decisões linguísticas conscientes: por que o conto usa linguagem mais formal e estrutura narrativa clássica? Por que a crônica pode ser irônica, coloquial e opinativa? Essas perguntas não são respondidas pelo professor — são descobertas pelo grupo durante a escrita. O bilinguismo da proposta amplia esse olhar, mostrando que a língua também muda entre culturas.

  • Identificar as características estruturais e linguísticas do conto popular e da crônica, reconhecendo as diferenças entre os dois gêneros.
  • Produzir textos nos dois gêneros com adequação ao contexto, ao suporte e ao objetivo comunicativo de cada um.
  • Planejar, escrever, revisar e editar os textos de forma colaborativa, com autonomia crescente ao longo do processo.
  • Utilizar recursos semióticos — ilustrações, diagramação, tipografia artesanal — para reforçar as diferenças entre os gêneros no suporte físico.
  • Valorizar a diversidade linguística e cultural da turma, incorporando outras línguas e referências culturais na produção do mini livro.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF69LP07: Produzir textos em diferentes gêneros, considerando sua adequação ao contexto produção e circulação – os enunciadores envolvidos, os objetivos, o gênero, o suporte, a circulação -, ao modo (escrito ou oral; imagem estática ou em movimento etc.), à variedade linguística e/ou semiótica apropriada a esse contexto, à construção da textualidade relacionada às propriedades textuais e do gênero), utilizando estratégias de planejamento, elaboração, revisão, edição, reescrita/redesign e avaliação de textos, para, com a ajuda do professor e a colaboração dos colegas, corrigir e aprimorar as produções realizadas, fazendo cortes, acréscimos, reformulações, correções de concordância, ortografia, pontuação em textos e editando imagens, arquivos sonoros, fazendo cortes, acréscimos, ajustes, acrescentando/alterando efeitos, ordenamentos etc. Conheça mais sobre a EF69LP07

Conteúdo Programático

O conteúdo dessa aula não é apresentado de forma expositiva antes da produção — ele é descoberto durante o fazer. Os alunos já chegam com algum conhecimento prévio sobre os gêneros, e o professor pode fazer uma retomada rápida de 5 a 10 minutos no início. Mas o grosso do aprendizado acontece quando o grupo precisa decidir, por exemplo, se o narrador do conto vai ser em terceira pessoa ou se a crônica pode começar com uma pergunta. Essas decisões são o conteúdo em ação.

  • Características do conto popular: estrutura narrativa, personagens arquetípicos, linguagem, oralidade e origem cultural.
  • Características da crônica: brevidade, tom coloquial ou irônico, vínculo com o cotidiano, presença do narrador-autor.
  • Comparação entre os dois gêneros: contexto de circulação, suporte, objetivo comunicativo e variedade linguística.
  • Análise semiótica: como ilustrações, diagramação e escolhas visuais constroem sentido junto com o texto.
  • Processo de produção textual: planejamento, rascunho, revisão colaborativa e edição final.
  • Diversidade linguística e cultural: como diferentes línguas e culturas narram histórias e produzem crônicas.

Metodologia

A Aprendizagem Baseada em Projetos é a espinha dorsal dessa aula. Os alunos não recebem um roteiro fechado — eles recebem um desafio: criar um mini livro bilíngue com um conto e uma crônica sobre o mesmo tema. As decisões de tema, divisão de tarefas, estilo visual e línguas usadas são do grupo. O professor atua como orientador, fazendo perguntas que ajudam o grupo a avançar quando travar, e não dando as respostas prontas. Essa postura é intencional: o protagonismo estudantil é parte do método.

  • Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP): os alunos trabalham em grupos para criar um produto real — o mini livro bilíngue — com autonomia sobre as escolhas do projeto.
  • Aprendizagem colaborativa: cada membro do grupo assume uma função (escritor do conto, escritor da crônica, ilustrador, diagramador/montador), mas todos revisam e opinam sobre o trabalho dos colegas.
  • Mediação ativa do professor: o professor circula pelos grupos, faz perguntas como 'por que vocês escolheram esse tom aqui?' e ajuda na revisão sem reescrever pelo aluno.
  • Scaffolding linguístico para alunos imigrantes: fichas de apoio com vocabulário-chave dos dois gêneros em português e na língua de origem do aluno, para que possam participar plenamente.
  • Revisão por pares: antes da montagem final, cada grupo troca o rascunho com outro grupo para uma leitura rápida e comentário sobre clareza e adequação ao gênero.

Aulas e Sequências Didáticas

Os 60 minutos foram pensados para que o grupo consiga entregar um produto concreto ao final da aula. O tempo é curto, então a organização interna do grupo é fundamental. O professor precisa deixar claro desde o início que o mini livro não precisa ser perfeito — precisa ser intencional. Cada escolha feita pelo grupo deve ter uma razão, e é isso que vai ser avaliado.

  • Aula 1 (60 min): Retomada rápida dos dois gêneros com exemplos reais (5 min) → Formação dos grupos e escolha do tema (5 min) → Planejamento do mini livro: divisão de tarefas, escolha das línguas e esboço dos textos (10 min) → Produção dos textos e ilustrações com mediação do professor (25 min) → Revisão por pares com troca entre grupos (5 min) → Montagem artesanal do mini livro e escrita do título bilíngue na capa (10 min).

Avaliação

A avaliação dessa atividade é predominantemente formativa — o professor acompanha o processo durante a aula, observa as decisões do grupo e intervém com perguntas quando necessário. O produto final (o mini livro) também é avaliado, mas o foco está no processo de produção e nas escolhas feitas pelo grupo, não na perfeição do texto. Para alunos imigrantes, a avaliação considera a participação na língua de origem como contribuição legítima e valorizada.

  • Avaliação formativa durante a produção — Objetivo: acompanhar o processo de tomada de decisão linguística de cada grupo. Critérios: o grupo consegue justificar as escolhas de linguagem? Os textos estão sendo planejados antes de escritos? Há revisão colaborativa acontecendo? Exemplo prático: o professor para em cada grupo por 2 minutos, lê um trecho do rascunho e pergunta 'por que vocês usaram esse tom aqui?' — a resposta do grupo revela o nível de compreensão dos gêneros. Adaptação: para alunos imigrantes, aceitar respostas parciais em português ou explicações na língua de origem mediadas por colegas.
  • Avaliação somativa do produto final — Objetivo: verificar se o mini livro demonstra compreensão das diferenças entre conto popular e crônica. Critérios: os dois textos têm características distintas e adequadas ao gênero? O suporte visual (ilustrações, diagramação) reforça as diferenças? O bilinguismo está presente de forma intencional? Exemplo prático: o professor usa uma rubrica simples com três níveis (em construção / adequado / muito bem) para cada critério, compartilhada com os alunos antes da produção. Adaptação: alunos imigrantes podem ser avaliados com peso maior na contribuição bilíngue e na participação oral durante a mediação.
  • Autoavaliação do grupo — Objetivo: desenvolver a capacidade de reflexão sobre o próprio processo de aprendizagem. Critérios: o grupo consegue identificar o que funcionou bem e o que mudaria? Cada membro sente que contribuiu? Exemplo prático: ao final da montagem, cada grupo responde oralmente (ou por escrito em post-it) duas perguntas: 'O que nosso livro mostra que aprendemos?' e 'O que faríamos diferente se tivéssemos mais tempo?'

Materiais e ferramentas:

Os recursos dessa atividade são intencionalmente simples e de baixo custo. A ideia é que o mini livro seja artesanal — feito com papel, caneta e criatividade. Isso democratiza a participação e evita que alunos sem acesso a tecnologia fiquem em desvantagem. As fichas de apoio linguístico são o principal recurso de inclusão para alunos imigrantes e devem ser preparadas com antecedência pelo professor.

  • Folhas A4 ou sulfite (mínimo 4 por grupo) para a montagem do mini livro artesanal.
  • Canetas, lápis de cor, canetinhas e régua para escrita e ilustração.
  • Fichas de apoio linguístico com vocabulário dos dois gêneros em português e nas línguas de origem dos alunos imigrantes da turma.
  • Exemplos impressos ou escritos no quadro de um conto popular curto e de uma crônica curta sobre o mesmo tema, para referência durante a produção.
  • Rubrica de avaliação simples (pode ser escrita no quadro) com os critérios do mini livro, compartilhada com os alunos antes de começar.
  • Tesoura e cola (ou grampeador) para a montagem final do livro artesanal.

Inclusão e acessibilidade

Essa atividade foi pensada para ser naturalmente inclusiva para alunos imigrantes — o bilinguismo não é uma adaptação, é parte do projeto. Ainda assim, vale atenção a alguns pontos. Alunos com barreira linguística podem travar na hora de escrever em português. A ficha de apoio ajuda, mas o mais importante é que o professor deixe claro que escrever parte do texto na língua de origem é uma contribuição valiosa, não uma limitação. Fique atento a alunos que ficam em silêncio durante o trabalho em grupo — pode ser insegurança linguística, não desinteresse. Sentar esses alunos com colegas acolhedores e dar a eles funções visuais (ilustração, diagramação) no início pode ajudar a construir confiança para depois participar da escrita.

  • Fichas bilíngues de vocabulário: prepare antes da aula uma lista com os termos-chave dos dois gêneros (narrador, personagem, enredo, cotidiano, ironia etc.) em português e nas línguas dos alunos imigrantes da turma — Google Tradutor resolve em minutos.
  • Valorização explícita do bilinguismo: ao apresentar a atividade, deixe claro para toda a turma que ter um livro em duas línguas é um diferencial, não uma concessão — isso muda a posição do aluno imigrante de 'quem precisa de ajuda' para 'quem tem algo que os outros não têm'.
  • Funções flexíveis no grupo: permita que alunos com menor fluência em português assumam inicialmente funções visuais (ilustração, capa, diagramação) e gradualmente participem da escrita com apoio dos colegas.
  • Revisão por pares com mediação: durante a troca de rascunhos entre grupos, oriente os alunos a fazer comentários construtivos e respeitosos — isso protege alunos imigrantes de exposição constrangedora.
  • Sinal de alerta: se um aluno imigrante ficar completamente passivo durante os 60 minutos, isso pode indicar que a barreira linguística está impedindo a participação — nesse caso, uma conversa rápida e privada do professor com o aluno, mesmo que por gestos ou com apoio de colega, é mais eficaz do que insistir na tarefa escrita.

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