Escreva, Argumente e Mude o Jogo: Produção Textual com Posicionamento Real

Desenvolvida por: Dandar… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa
Temática: Produção de textos dissertativo-argumentativos com foco em temas contemporâneos polêmicos

Essa atividade foi pensada para tirar o aluno do papel passivo e colocá-lo como produtor real de ideias. A proposta gira em torno da escrita de um texto dissertativo-argumentativo à mão, a partir de uma coletânea impressa com textos curtos sobre temas do cotidiano: redes sociais, fake news e liberdade de expressão. São assuntos que os alunos já conhecem, já vivem, e sobre os quais têm muito a dizer. A ideia é aproveitar esse repertório e transformá-lo em argumento escrito, com estrutura, coesão e posicionamento claro.

Durante a produção, os alunos precisam usar conscientemente as estruturas gramaticais trabalhadas ao longo do ano, especialmente as orações com verbo de ligação e predicativo do sujeito. Não é gramática pela gramática: é gramática a serviço do texto. Depois de escrever, cada aluno troca seu texto com um colega e faz uma revisão guiada por um roteiro impresso. Esse roteiro orienta o olhar: o que está funcionando bem, onde a gramática aparece corretamente, o que pode melhorar.

Essa troca entre pares é uma das partes mais ricas da atividade. Os alunos precisam ler com atenção, identificar qualidades e dar sugestões com responsabilidade. Isso exige empatia, senso crítico e capacidade de argumentar sobre o texto do outro, não apenas sobre o próprio.

O encerramento acontece em roda. Voluntários leem seus textos revisados em voz alta e a turma debate os argumentos apresentados. Esse momento transforma a sala em um espaço de escuta real, onde diferentes pontos de vista sobre temas sérios são colocados em diálogo. A atividade conecta produção textual, análise gramatical contextualizada e reflexão ética de forma integrada, sem fragmentar o aprendizado em partes isoladas.

Objetivos de Aprendizagem

O foco principal dessa aula é fazer com que os alunos consigam articular um ponto de vista por escrito com clareza e consistência. Escrever bem sobre temas polêmicos exige mais do que ter opinião: exige saber organizar o raciocínio, escolher argumentos relevantes e usar a língua com precisão. A revisão em dupla reforça esse processo, porque obriga o aluno a olhar para o texto com distância crítica. Já a roda de leitura final trabalha a escuta ativa e o respeito à diversidade de opiniões, habilidades essenciais para qualquer contexto fora da escola.

  • Produzir um texto dissertativo-argumentativo estruturado, com tese, argumentos e conclusão, a partir de textos motivadores sobre temas contemporâneos.
  • Usar orações com verbo de ligação e predicativo do sujeito de forma intencional e correta na produção textual.
  • Identificar e diferenciar liberdade de expressão de discurso de ódio nos textos lidos e nos próprios textos produzidos.
  • Realizar revisão colaborativa orientada por roteiro, apontando pontos fortes e sugestões de melhoria no texto do colega.
  • Participar da roda de leitura com posicionamento fundamentado, respeitando opiniões divergentes.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF09LP05: Identificar, em textos lidos e em produções próprias, orações com a estrutura sujeito-verbo de ligação-predicativo. Conheça mais sobre a EF09LP05
  • EF69LP01: Diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio, posicionando-se contrariamente a esse tipo de discurso e vislumbrando possibilidades de denúncia quando for o caso. Conheça mais sobre a EF69LP01

Conteúdo Programático

Os conteúdos dessa aula não aparecem de forma isolada. A gramática entra como ferramenta de construção de sentido, não como lista de regras. Os temas da coletânea funcionam como ponto de partida para a reflexão ética, e a estrutura do texto dissertativo-argumentativo dá forma a essa reflexão. Tudo converge para um produto concreto: o texto escrito pelo aluno, revisado por um colega e lido para a turma.

  • Estrutura do texto dissertativo-argumentativo: tese, argumentos, contra-argumento e conclusão.
  • Orações com verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, tornar-se) e predicativo do sujeito.
  • Coesão textual: uso de conectivos e operadores argumentativos.
  • Temas contemporâneos: redes sociais, fake news e liberdade de expressão.
  • Distinção entre liberdade de expressão e discurso de ódio.
  • Revisão textual colaborativa: critérios de análise e feedback construtivo.

Metodologia

A atividade usa a abordagem mão-na-massa do início ao fim. Não há aula expositiva longa: o professor faz uma contextualização rápida, entrega a coletânea e o aluno entra em ação. A escrita individual garante que cada um produza a partir do próprio repertório. A revisão em dupla cria um momento de aprendizado entre pares, que costuma ser mais honesto e direto do que a correção feita só pelo professor. A roda final transforma o texto escrito em fala pública, o que exige preparo e coragem, duas competências muito valorizadas fora da escola.

  • Atividade mão-na-massa: escrita individual à mão, sem uso de recursos digitais.
  • Leitura e análise de coletânea impressa com textos curtos sobre temas polêmicos como ponto de partida para a produção.
  • Revisão colaborativa em duplas guiada por roteiro impresso com critérios claros de análise gramatical e argumentativa.
  • Roda de leitura em voz alta com debate coletivo sobre os argumentos apresentados nos textos.
  • Mediação do professor durante a revisão e o debate para garantir respeito e aprofundamento das discussões.

Aulas e Sequências Didáticas

A aula de 60 minutos foi organizada para que nenhuma etapa fique apressada. O tempo foi distribuído de forma a respeitar o ritmo da escrita individual, que costuma ser mais lento, e ainda garantir espaço para a revisão e a roda final. O professor precisa ser firme com os tempos para que a roda de leitura não seja cortada, pois ela é o momento de maior engajamento da turma.

  • Aula 1: Contextualização rápida pelo professor sobre os temas da coletânea e a proposta da atividade (5 min). Leitura individual dos textos da coletânea impressa (10 min). Produção do texto dissertativo-argumentativo à mão (20 min). Troca de textos entre duplas e revisão colaborativa com roteiro impresso (15 min). Roda de leitura em voz alta com debate coletivo mediado pelo professor (10 min).
  • Momento 1: Contextualização e apresentação da proposta (Estimativa: 5 minutos)
    Inicie a aula posicionando-se à frente da turma e apresentando, de forma direta e envolvente, os temas que serão trabalhados: redes sociais, fake news e liberdade de expressão. É importante que você não faça uma aula expositiva longa neste momento, mas sim uma provocação rápida que desperte o interesse dos alunos. Faça uma ou duas perguntas retóricas para ativar o repertório deles, como: 'Você já compartilhou uma informação que depois descobriu ser falsa?' ou 'Onde termina a liberdade de expressão e começa o discurso de ódio?'. Registre no quadro branco as três palavras-chave centrais: REDES SOCIAIS, FAKE NEWS e LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Em seguida, explique brevemente a proposta da aula: ler textos curtos sobre esses temas, produzir um texto dissertativo-argumentativo à mão, revisar o texto de um colega com um roteiro e, por fim, compartilhar os textos em roda. Deixe claro que o objetivo não é acertar uma resposta certa, mas construir e defender um ponto de vista com argumentos sólidos. Distribua a coletânea impressa e o roteiro de revisão colaborativa neste momento, para que os alunos já tenham o material em mãos.

    Momento 2: Leitura individual da coletânea impressa (Estimativa: 10 minutos)
    Oriente os alunos a lerem individualmente e em silêncio os textos da coletânea impressa. É importante que você circule pela sala durante esse momento, observando o engajamento da turma e verificando se todos estão acompanhando a leitura. Permita que os alunos façam anotações, grifos ou marcações diretamente na coletânea, pois esse processo ativo de leitura favorece a compreensão e o levantamento de argumentos para a produção textual. Observe se algum aluno demonstra dificuldade de compreensão e, nesses casos, aproxime-se discretamente e ofereça uma orientação pontual, como indicar o parágrafo central de cada texto ou perguntar em voz baixa o que o aluno entendeu até ali. Ao final dos 10 minutos, faça uma transição rápida: 'Agora que vocês já leram os textos e têm ideias na cabeça, é hora de colocar o posicionamento de vocês no papel.'

    Momento 3: Produção do texto dissertativo-argumentativo à mão (Estimativa: 20 minutos)
    Distribua as folhas de papel sulfite e oriente os alunos a iniciarem a produção textual individual, à mão, sem consulta a recursos digitais. Antes de começarem, escreva no quadro uma estrutura de referência rápida: 1) Introdução com tese clara; 2) Argumento 1 desenvolvido; 3) Argumento 2 desenvolvido (com possível contra-argumento); 4) Conclusão retomando a tese. Lembre os alunos de que devem usar conscientemente pelo menos uma oração com verbo de ligação e predicativo do sujeito ao longo do texto, como em 'A desinformação é um problema estrutural da sociedade digital' ou 'As redes sociais tornaram-se espaços de disputa narrativa'. É importante que você circule pela sala durante toda a produção, sem interferir no conteúdo dos textos, mas disponível para tirar dúvidas sobre estrutura, ortografia ou gramática. Observe se os alunos estão desenvolvendo argumentos ou apenas descrevendo os temas, e, se necessário, intervenha com perguntas orientadoras como: 'Por que você acha isso? Que exemplo do cotidiano poderia sustentar essa ideia?'. Avise quando faltarem 5 minutos para que os alunos possam concluir o texto com uma frase de encerramento.

    Momento 4: Troca de textos e revisão colaborativa com roteiro (Estimativa: 15 minutos)
    Oriente os alunos a trocarem seus textos com o colega ao lado, formando duplas. Cada aluno deve usar o roteiro de revisão colaborativa impresso para analisar o texto recebido. Explique brevemente os campos do roteiro: identificar a tese do texto, apontar dois pontos fortes, indicar uma estrutura com verbo de ligação encontrada no texto e sugerir uma melhoria argumentativa. É importante que você reforce que a revisão deve ser respeitosa, construtiva e fundamentada. Diga à turma: 'Revisar o texto do colega é um ato de generosidade intelectual. Seja específico, seja honesto e seja gentil.' Circule pela sala durante a revisão e observe a qualidade dos feedbacks que estão sendo escritos. Caso perceba alunos escrevendo observações superficiais como 'está bom' ou 'não tem nada para melhorar', aproxime-se e oriente-os a detalhar o que especificamente está funcionando e por quê. Ao final dos 15 minutos, peça que os alunos devolvam os textos aos autores originais, junto com o roteiro preenchido, para que cada um possa ler o feedback recebido antes da roda.

    Momento 5: Roda de leitura em voz alta e debate coletivo (Estimativa: 10 minutos)
    Organize a turma em semicírculo ou peça que os alunos se virem para o centro da sala, criando um espaço de escuta coletiva. Convide voluntários para lerem seus textos revisados em voz alta, em trechos curtos se necessário, para que caibam mais vozes no tempo disponível. É importante que você medeie o debate com atenção, garantindo que diferentes pontos de vista sejam ouvidos e que nenhuma fala desrespeite colegas ou grupos sociais. Registre no quadro os principais argumentos apresentados pelos alunos durante a leitura, criando um mapa visual das ideias debatidas. Permita que outros alunos comentem os textos lidos, sempre orientando as falas para o conteúdo argumentativo: 'Você concorda com esse argumento? Que evidência poderia reforçá-lo ou contestá-lo?' Encerre o momento com uma síntese breve, destacando a diversidade de posicionamentos apresentados e reforçando que argumentar com responsabilidade é uma habilidade essencial para a vida em sociedade. Recolha os textos escritos e os roteiros de revisão preenchidos para avaliação formativa posterior.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as estratégias a seguir têm caráter preventivo e universal, garantindo que todos os alunos participem com equidade e conforto.

    Para alunos com dificuldades de leitura ou compreensão textual, considere disponibilizar uma versão da coletânea com fonte um pouco maior ou com os termos mais complexos sublinhados e explicados em nota de rodapé na própria folha. Isso pode ser feito no momento da impressão, sem custo adicional de tempo ou recurso.

    Para alunos que demonstrem bloqueio ou insegurança na produção escrita, aproxime-se discretamente durante o Momento 3 e faça perguntas orais simples para ajudá-los a organizar o pensamento antes de escrever, como: 'O que você acha sobre esse tema? Tente me dizer em uma frase.' Essa mediação oral pode desbloquear a escrita sem expor o aluno diante da turma.

    Durante a roda de leitura, respeite os alunos que não se sentirem confortáveis para ler em voz alta. Permita que esses alunos participem do debate comentando os textos dos colegas, sem obrigatoriedade de leitura pública. Isso preserva a autoestima e mantém o engajamento.

    Para alunos com escrita mais lenta ou com dificuldades motoras finas, permita que o texto seja mais curto, priorizando a qualidade argumentativa em detrimento da extensão. Deixe claro para toda a turma que o critério de avaliação é a clareza do posicionamento e a presença dos elementos estruturais, não o tamanho do texto.

    Lembre-se: pequenas adaptações no olhar e na mediação já fazem uma diferença enorme para os alunos que precisam de mais suporte. Você não precisa de recursos extras para isso, apenas de atenção e intencionalidade no momento de circular pela sala.

Avaliação

A avaliação dessa atividade acontece em dois momentos complementares. O primeiro é a análise do texto produzido pelo aluno, que permite verificar domínio estrutural, uso gramatical e posicionamento argumentativo. O segundo é a observação da participação na revisão e na roda, que revela habilidades de escuta, empatia e pensamento crítico que o texto escrito sozinho não captura. As duas formas se complementam e dão uma visão mais completa do que o aluno aprendeu.

  • Avaliação formativa do texto escrito: o professor analisa o texto produzido à mão verificando presença de tese clara, pelo menos dois argumentos desenvolvidos, uso correto de pelo menos uma oração com verbo de ligação e predicativo do sujeito, e posicionamento coerente sobre liberdade de expressão ou fake news. Exemplo prático: o professor usa uma rubrica simples com três níveis (atingiu, atingiu parcialmente, não atingiu) para cada critério e devolve o texto com comentários escritos na margem.
  • Avaliação formativa da revisão colaborativa: o professor recolhe o roteiro de revisão preenchido pelo aluno e verifica se as observações feitas ao texto do colega são pertinentes, respeitosas e fundamentadas. Exemplo prático: um aluno que apenas escreve 'está bom' no roteiro recebe orientação para detalhar o que especificamente está funcionando e por quê.
  • Avaliação observacional da roda de leitura: o professor registra, de forma breve, quais alunos participaram voluntariamente, se os argumentos apresentados oralmente foram coerentes com o texto escrito e se houve respeito às opiniões divergentes durante o debate. Esse registro pode ser feito em uma lista simples com anotações rápidas e serve como dado complementar à avaliação escrita.

Materiais e ferramentas:

Todos os recursos dessa atividade são impressos e de baixo custo, o que facilita muito a organização. A coletânea precisa ser preparada com antecedência pelo professor, com textos curtos e de fontes confiáveis. O roteiro de revisão é o material mais estratégico: ele precisa ser claro o suficiente para que o aluno consiga usá-lo sem precisar de muita explicação. Papel e caneta são os únicos instrumentos de produção, o que coloca todos os alunos em condições iguais.

  • Coletânea impressa com 3 a 4 textos curtos (máximo 15 linhas cada) sobre redes sociais, fake news e liberdade de expressão, de fontes jornalísticas ou acadêmicas acessíveis.
  • Roteiro de revisão colaborativa impresso com campos para: identificar a tese do texto, apontar dois pontos fortes, indicar uma estrutura com verbo de ligação encontrada no texto e sugerir uma melhoria argumentativa.
  • Folhas de papel sulfite para a produção textual manuscrita.
  • Canetas ou lápis para escrita e revisão.
  • Quadro branco e marcador para o professor registrar os tópicos do debate durante a roda de leitura.

Inclusão e acessibilidade

Mesmo sem alunos com condições específicas diagnosticadas nessa turma, vale estar atento a algumas situações que aparecem com frequência em turmas de 9º ano. Alguns alunos têm dificuldade com a escrita manuscrita por questões de velocidade ou organização do pensamento, e podem precisar de um tempo levemente estendido na etapa de produção. Outros têm dificuldade em falar em público e podem se sentir pressionados na roda de leitura. O professor pode deixar claro que a participação na leitura em voz alta é voluntária, sem penalização para quem preferir não ler. A diversidade de temas na coletânea também ajuda: quando o aluno se identifica com o tema, a escrita flui melhor.

  • Permitir que alunos com dificuldade de escrita manuscrita usem letra de forma em vez de cursiva, sem prejuízo na avaliação.
  • Garantir que a coletânea inclua textos com perspectivas diversas, representando diferentes grupos sociais e culturais presentes nos debates sobre redes sociais e fake news.
  • Deixar a participação na roda de leitura em voz alta como voluntária, incentivando sem obrigar, para respeitar alunos com timidez ou ansiedade social.
  • Durante a revisão em duplas, o professor pode circular pela sala e sentar brevemente com duplas que demonstrem dificuldade em dar ou receber feedback, mediando a conversa com perguntas simples.
  • Caso algum aluno demonstre desconforto com algum tema da coletânea (como situações de discurso de ódio), o professor deve estar disponível para uma conversa discreta e oferecer a possibilidade de escolher outro texto da coletânea para trabalhar.

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