Quem Fala Nisso? Desvendando a Voz por Trás dos Textos

Desenvolvida por: Margar… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa — Comunicação e funções da linguagem, Variedades linguísticas, Interpretação e produção de texto, Gramática Normativa
Temática: Modalização do discurso e impessoalidade em diferentes gêneros textuais

Essa aula foi pensada para fazer os alunos perceberem algo que está o tempo todo na nossa frente, mas que a gente raramente para para notar: a voz que existe — ou que se esconde — dentro de um texto. Todo texto tem um autor, mas nem sempre esse autor aparece de forma clara. Às vezes ele se disfarça atrás de uma construção passiva, de um verbo no infinitivo, de um 'considera-se' ou de um 'é necessário que'. Essa escolha não é inocente. Ela muda o efeito que o texto causa em quem lê.

A ideia central da aula é comparar textos reais de gêneros diferentes — um artigo de opinião, uma notícia e um texto científico — e identificar como cada um lida com a presença ou ausência da voz do autor. Os alunos vão trabalhar em grupos, cada um com um conjunto de textos, e vão caçar essas marcas linguísticas: verbos modais como 'pode', 'deve', 'é preciso'; construções na voz passiva; uso da terceira pessoa; expressões que generalizam como 'sabe-se que' ou 'estudos mostram'. Cada grupo vai montar um painel de análise e apresentar para a turma.

O debate final é o momento mais rico da aula. Os alunos vão discutir por que um jornalista escolhe escrever 'fontes indicam' em vez de 'eu acredito', ou por que um cientista prefere 'os dados sugerem' em vez de 'eu concluo'. Essa discussão conecta gramática com comunicação real, com poder, com credibilidade e com intenção.

A atividade trabalha diretamente com as habilidades EM13LP09, EM13LP16 e EM13LP18 da BNCC. Os alunos saem da aula com uma leitura mais crítica e com ferramentas concretas para usar na própria escrita — seja numa redação do ENEM, num trabalho acadêmico ou numa postagem que queiram que soe mais ou menos pessoal.

Objetivos de Aprendizagem

O foco dessa aula não é decorar conceitos gramaticais isolados. A ideia é que os alunos entendam por que um texto usa determinadas estruturas e o que isso provoca em quem lê. Quando um aluno percebe que a escolha entre 'eu defendo' e 'defende-se' não é aleatória, ele passa a ler qualquer texto com outros olhos. Esse olhar crítico é o que queremos construir. E mais do que ler, os alunos também vão sair com repertório para escrever de forma mais consciente — sabendo quando querem aparecer no texto e quando preferem se apagar.

  • Identificar marcas linguísticas de modalização e impessoalidade em textos de diferentes gêneros, como artigos de opinião, notícias e textos científicos.
  • Compreender os efeitos de sentido gerados pelo uso ou pela ausência da voz do autor em um texto.
  • Reconhecer recursos como voz passiva, verbos modais, terceira pessoa e expressões generalizantes como estratégias discursivas intencionais.
  • Comparar como diferentes gêneros textuais constroem a relação entre autor e leitor por meio de escolhas linguísticas.
  • Aplicar o conhecimento sobre modalização na produção e revisão de textos próprios, adequando o grau de comprometimento do autor ao propósito comunicativo.

Habilidades Específicas BNCC

  • EM13LP09: Comparar o tratamento dado a uma mesma informação em textos de diferentes gêneros, identificando as especificidades de cada um quanto ao modo de composição, à linguagem, ao estilo e à finalidade. Conheça mais sobre a EM13LP09
  • EM13LP16: Analisar o fenômeno da variação linguística, em seus diferentes níveis (fonológico, lexical, sintático, discursivo-pragmático) e em suas diferentes dimensões (regional, social, situacional, histórica), de forma a ampliar a compreensão sobre a língua como sistema flexível e dinâmico. Conheça mais sobre a EM13LP16
  • EM13LP18: Utilizar adequadamente ferramentas de apoio à produção escrita, como dicionários, gramáticas e corretores ortográficos, reconhecendo que essas ferramentas não substituem o processo de revisão e reescrita. Conheça mais sobre a EM13LP18

Conteúdo Programático

O conteúdo dessa aula parte do texto — não da gramática em abstrato. Os alunos vão chegar nos conceitos a partir do que encontrarem nos textos reais que analisam. A gramática aparece como ferramenta de leitura e escrita, não como fim em si mesma. Isso torna o conteúdo mais significativo e conectado com o que os alunos já vivenciam fora da escola, seja lendo notícias, redes sociais ou textos escolares.

  • Modalização do discurso: conceito e função comunicativa.
  • Impessoalidade textual: quando e por que o autor se apaga do texto.
  • Recursos linguísticos de modalização: verbos modais (poder, dever, precisar), expressões modalizadoras (é necessário que, sabe-se que, estudos indicam).
  • Voz passiva como estratégia de impessoalidade: construção e efeito de sentido.
  • Uso da terceira pessoa e do infinitivo como marcas de distanciamento enunciativo.
  • Comparação entre gêneros textuais quanto ao grau de presença ou ausência da voz do autor.
  • Relação entre escolhas linguísticas, intenção comunicativa e credibilidade do texto.

Metodologia

A aula combina análise textual colaborativa com apresentação oral e debate. Os alunos não ficam passivos: eles recebem textos reais, discutem em grupo, tomam decisões sobre o que identificar e como apresentar. O professor atua como mediador, circulando entre os grupos durante a análise e conduzindo o debate final. Essa dinâmica garante que todos participem e que as descobertas venham dos próprios alunos — o que torna o aprendizado mais duradouro.

  • Análise textual em grupos: cada grupo recebe um conjunto de três textos de gêneros diferentes e identifica marcas linguísticas de modalização e impessoalidade.
  • Uso de ficha de análise guiada: roteiro com perguntas como 'O autor aparece no texto? Como?', 'Que verbos ou expressões indicam obrigação, possibilidade ou certeza?', 'Quem pratica a ação nas frases passivas?'.
  • Construção coletiva de um painel de análise: cada grupo organiza suas descobertas em um cartaz ou slide para apresentar à turma.
  • Apresentação oral dos grupos: cada grupo tem até 3 minutos para compartilhar o que encontrou, destacando o exemplo mais interessante.
  • Debate mediado pelo professor: após as apresentações, a turma discute por que cada gênero faz escolhas diferentes e o que isso revela sobre intenção, poder e credibilidade.
  • Encerramento com síntese coletiva: o professor registra no quadro as principais marcas identificadas pelos grupos, criando um mapa visual dos recursos estudados.

Aulas e Sequências Didáticas

A aula de 60 minutos foi organizada para que nenhuma etapa fique longa demais. A abertura é rápida e provoca curiosidade. A maior parte do tempo fica com os grupos, que é onde o aprendizado de fato acontece. As apresentações são curtas e objetivas, e o debate final fecha com uma síntese que o professor pode usar como gancho para a próxima aula.

  • Aula 1 (60 min): Abertura com provocação (5 min) — o professor projeta duas versões de uma mesma frase, uma com voz ativa e pessoal ('Eu acredito que...') e outra impessoal ('Acredita-se que...'), e pergunta à turma o que muda. Em seguida, apresenta brevemente o objetivo da aula (3 min). Os alunos formam grupos de 4 a 5 pessoas e recebem o conjunto de textos com a ficha de análise (2 min). Análise em grupos (20 min) — cada grupo lê, discute e preenche a ficha, identificando marcas de modalização e impessoalidade nos três textos. O professor circula, tira dúvidas e faz perguntas que aprofundam a análise. Organização do painel (5 min) — os grupos organizam os principais achados para apresentar. Apresentações dos grupos (15 min) — cada grupo apresenta em até 3 minutos, destacando o exemplo mais revelador. Debate e síntese (10 min) — o professor conduz a discussão sobre os efeitos de sentido e registra no quadro as marcas identificadas. Encerramento (5 min) — breve reflexão sobre como esse conhecimento pode ser usado na escrita dos próprios alunos.
  • Momento 1: Abertura com Provocação (Estimativa: 8 minutos)
    Inicie a aula projetando no quadro ou na TV duas versões de uma mesma frase: 'Eu acredito que o uso excessivo de redes sociais prejudica os jovens.' e 'Acredita-se que o uso excessivo de redes sociais prejudica os jovens.' Peça à turma que observe as duas frases em silêncio por alguns segundos e, em seguida, lance a pergunta: 'O que muda de uma frase para a outra? Qual das duas soa mais confiável? Por quê?' Permita que dois ou três alunos se manifestem livremente, sem julgamento. É importante que você não corrija nem aprofunde as respostas nesse momento — o objetivo é apenas ativar a curiosidade e mostrar que há algo relevante a ser investigado. Após essa troca inicial, apresente brevemente o objetivo da aula: identificar como a presença ou ausência da voz do autor em um texto é uma escolha intencional que afeta o sentido, a credibilidade e a relação com o leitor. Deixe claro que ao final da aula os alunos terão ferramentas concretas para usar na própria escrita. Esse momento serve como diagnóstico informal: observe quais alunos já percebem a diferença entre as frases e quais ainda não estabelecem relação entre forma linguística e efeito de sentido.

    Momento 2: Formação dos Grupos e Distribuição dos Materiais (Estimativa: 2 minutos)
    Organize a turma em grupos de 4 a 5 pessoas. Prefira grupos heterogêneos, misturando alunos com diferentes perfis de participação e desempenho, pois isso enriquece a discussão interna. Distribua para cada grupo um envelope ou pasta contendo: três textos impressos sobre o mesmo tema (um artigo de opinião, uma notícia jornalística e um trecho de texto científico ou de divulgação científica) e uma ficha de análise guiada com perguntas como: 'O autor aparece no texto? Como você sabe?', 'Que verbos ou expressões indicam obrigação, possibilidade ou certeza?', 'Existem frases em que não fica claro quem pratica a ação? Como elas estão construídas?', 'Que expressões generalizam a informação, como se ela valesse para todos?'. Oriente brevemente como usar a ficha: os alunos devem ler os textos, sublinhar ou circular as marcas que encontrarem e anotar as respostas na ficha. Informe que terão 20 minutos para essa etapa.

    Momento 3: Análise Textual em Grupos (Estimativa: 20 minutos)
    Durante esse momento, os grupos leem, discutem e preenchem a ficha de análise, identificando marcas de modalização e impessoalidade nos três textos. Circule pela sala de forma ativa, visitando cada grupo pelo menos uma vez. Evite dar respostas prontas; em vez disso, faça perguntas que aprofundem a análise, como: 'Quem está falando nessa frase? Você consegue identificar?', 'Se o autor tivesse escrito em primeira pessoa, o texto soaria diferente? Por quê?', 'Esse recurso que vocês encontraram aparece nos três textos ou só em um deles?' É importante que você observe se os grupos estão conseguindo distinguir os recursos nos diferentes gêneros, pois essa comparação é o núcleo da atividade. Se algum grupo estiver com dificuldade para identificar marcas no texto científico, sugira que procurem expressões como 'os dados indicam', 'foi observado que', 'conclui-se' ou verbos no infinitivo. Se algum grupo terminar antes do tempo, proponha que escolham o exemplo mais surpreendente ou inesperado que encontraram e pensem em como explicá-lo para a turma de forma clara e interessante. Ao final desse momento, cada grupo deve ter a ficha preenchida e pelo menos dois ou três exemplos concretos para apresentar.

    Momento 4: Organização do Painel de Análise (Estimativa: 5 minutos)
    Oriente os grupos a organizarem seus principais achados em um cartaz (cartolina ou papel A3) ou em um slide, caso haja projetor disponível. O painel deve conter: o nome do gênero analisado, as marcas linguísticas encontradas com os exemplos retirados diretamente dos textos e uma frase curta explicando o efeito de sentido percebido. Reforce que não é necessário colocar tudo o que encontraram — o mais importante é selecionar o exemplo mais revelador e saber explicá-lo bem. Esse momento também desenvolve a habilidade de síntese e comunicação, essencial para alunos do 2º ano do Ensino Médio. Circule rapidamente para verificar se os painéis estão com exemplos concretos e não apenas com definições abstratas.

    Momento 5: Apresentações dos Grupos (Estimativa: 15 minutos)
    Cada grupo tem até 3 minutos para apresentar suas descobertas à turma, destacando o exemplo mais revelador. Incentive que mais de um integrante participe da apresentação, dividindo a fala. Durante as apresentações, peça à turma que ouça com atenção e anote no caderno pelo menos um recurso que o grupo apresentou e que eles próprios não tinham percebido nos seus textos. Isso mantém o engajamento de quem está ouvindo. Após cada apresentação, abra rapidamente para um comentário ou pergunta da turma — não mais que 30 segundos — para criar um clima de diálogo. Observe se os alunos conseguem explicar o efeito de sentido com as próprias palavras, não apenas nomear o recurso. Esse é um indicador importante de compreensão real. Use uma rubrica mental simples: o grupo identificou e explicou bem / identificou mas teve dificuldade de explicar / não identificou com clareza. Anote mentalmente ou em um caderno de registro para orientar intervenções futuras.

    Momento 6: Debate Mediado e Síntese Coletiva (Estimativa: 7 minutos)
    Após as apresentações, conduza um debate breve e focado. Proponha as seguintes perguntas para a turma: 'Por que um jornalista escreve 'fontes indicam' em vez de 'eu acredito'?', 'Por que um cientista prefere 'os dados sugerem' em vez de 'eu concluo'?', 'Quando um texto se apaga, ele fica mais neutro ou apenas parece mais neutro?' Permita que os alunos se manifestem livremente e, sempre que possível, conecte as falas deles aos exemplos concretos que os grupos apresentaram. É importante que você registre no quadro, de forma visual, as principais marcas identificadas pelos grupos, organizando-as em categorias: verbos modais, voz passiva, terceira pessoa, expressões generalizantes. Esse mapa no quadro funciona como uma síntese coletiva construída com a turma, não imposta pelo professor, o que aumenta o senso de autoria dos alunos sobre o conhecimento produzido.

    Momento 7: Encerramento e Reflexão Aplicada (Estimativa: 3 minutos)
    Encerre a aula conectando o que foi aprendido à prática de escrita dos próprios alunos. Faça a pergunta: 'Pensando na redação do ENEM, num trabalho acadêmico ou até numa postagem que vocês queiram que soe mais séria — o que vocês aprenderam hoje que podem usar?' Permita que dois ou três alunos respondam brevemente. Em seguida, antecipe que na próxima aula os alunos poderão praticar esse conhecimento reescrevendo um texto, alternando entre a voz pessoal e a impessoal. Finalize reforçando a ideia central: toda escolha linguística é intencional e revela algo sobre quem fala, para quem fala e com que propósito. Esse fechamento consolida o aprendizado e projeta continuidade.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as orientações a seguir têm caráter preventivo e universal, garantindo que todos os alunos tenham condições equitativas de participação. Primeiramente, ao distribuir os textos, certifique-se de que a fonte utilizada nos materiais impressos seja legível — preferencialmente tamanho 12 ou maior, com espaçamento entre linhas adequado. Isso beneficia alunos com dificuldades visuais leves ou dislexia não diagnosticada, situações relativamente comuns em turmas do Ensino Médio. Durante a análise em grupos, fique atento a alunos que demonstrem dificuldade de leitura ou de expressão oral: nesses casos, permita que contribuam de outras formas, como sublinhando trechos nos textos ou escrevendo os exemplos no painel do grupo, sem necessidade de falar em voz alta na apresentação. Na etapa de apresentação oral, evite forçar alunos que demonstrem ansiedade ou timidez a falar sozinhos diante da turma — a proposta já prevê apresentação em grupo, o que naturalmente reduz esse desconforto. Se perceber que algum aluno está se isolando do grupo, aproxime-se discretamente e faça uma pergunta direta a ele durante a circulação, criando uma oportunidade de participação sem exposição desnecessária. Para alunos com ritmo de leitura mais lento, o fato de os três textos tratarem do mesmo tema facilita a compreensão, pois o contexto já é conhecido — reforce isso ao distribuir os materiais. Por fim, o registro visual no quadro ao final da aula é especialmente útil para alunos com perfil mais visual ou que têm dificuldade de organizar informações apenas de forma auditiva: incentive que todos copiem o mapa construído coletivamente, pois ele servirá de apoio para atividades futuras.

Avaliação

A avaliação dessa aula é principalmente formativa. O professor observa o processo — como os grupos discutem, que perguntas fazem, que exemplos escolhem destacar. Não há prova nem nota imediata. O que importa é perceber se os alunos conseguiram identificar as marcas linguísticas e, mais do que isso, se entenderam o efeito que elas produzem. As apresentações orais e o debate são os principais momentos de avaliação. Uma opção complementar é pedir uma breve reescrita de trecho ao final, o que mostra se o aluno consegue aplicar o que aprendeu.

  • Avaliação formativa por observação: durante a análise em grupos, o professor observa se os alunos conseguem localizar marcas linguísticas nos textos, se relacionam essas marcas ao gênero e ao propósito do texto, e se participam ativamente da discussão. Critérios: identificação correta de pelo menos dois recursos (ex: voz passiva e verbo modal), capacidade de explicar o efeito de sentido com as próprias palavras. Exemplo prático: o professor anota em um caderno de registro quais grupos demonstraram compreensão mais aprofundada e quais precisam de reforço.
  • Avaliação pela apresentação oral: cada grupo apresenta suas descobertas à turma. Critérios: clareza na explicação do exemplo escolhido, capacidade de relacionar a escolha linguística ao gênero textual, participação de mais de um integrante do grupo na apresentação. Exemplo prático: o professor pode usar uma rubrica simples com três níveis (identificou e explicou bem / identificou mas teve dificuldade de explicar / não identificou) para registrar o desempenho de cada grupo.
  • Atividade de reescrita como avaliação aplicada (opcional ou para próxima aula): o aluno recebe um parágrafo de artigo de opinião escrito em primeira pessoa e reescreve tornando-o impessoal, ou vice-versa. Critérios: uso adequado dos recursos estudados, manutenção do sentido original, coerência com o gênero proposto. Exemplo prático: 'Reescreva o trecho abaixo como se fosse um texto científico, apagando a voz do autor.'

Materiais e ferramentas:

Os recursos dessa aula são simples e acessíveis. O mais importante é a seleção de textos reais — essa escolha faz toda a diferença. Os textos precisam ser curtos (no máximo 15 a 20 linhas cada), de gêneros claramente distintos e com marcas visíveis de modalização. O professor pode buscar textos em jornais online, revistas científicas de divulgação e sites de notícias. A ficha de análise guiada é o segundo recurso central: ela estrutura o olhar dos alunos sem tirar a autonomia da descoberta.

  • Conjunto de três textos impressos ou digitais por grupo: um artigo de opinião, uma notícia jornalística e um trecho de texto científico ou de divulgação científica — todos sobre o mesmo tema para facilitar a comparação.
  • Para montar o conjunto de três textos por grupo, o professor precisará selecionar e reunir os materiais com antecedência, preferencialmente alguns dias antes da aula. A recomendação é escolher um tema único que seja relevante e acessível para alunos do 2º ano do Ensino Médio — como uso de redes sociais, saúde mental entre jovens, mudanças climáticas ou alimentação saudável — e buscar, para esse mesmo tema, um artigo de opinião, uma notícia jornalística e um trecho de texto científico ou de divulgação científica. Essa uniformidade temática é fundamental para que os alunos possam se concentrar nas diferenças linguísticas entre os gêneros, sem precisar lidar com contextos completamente distintos em cada texto.

    Para o artigo de opinião, boas fontes são os portais de grandes jornais e revistas brasileiras que disponibilizam conteúdo gratuito online, como a Folha de S.Paulo (folha.uol.com.br), o Estadão (estadao.com.br), a revista Carta Capital (cartacapital.com.br) e o portal UOL (uol.com.br). Nesses veículos, há seções específicas de opinião com textos assinados por colunistas e especialistas, o que facilita a identificação da voz do autor — recurso central da atividade. Basta acessar o site, navegar até a seção de opinião ou colunistas e buscar um texto cujo tema corresponda ao escolhido.

    Para a notícia jornalística, os mesmos portais citados acima também são indicados, assim como a Agência Brasil (agenciabrasil.ebc.com.br), que é um serviço público de comunicação com conteúdo de acesso livre e sem restrições de uso. A vantagem da Agência Brasil é que seus textos seguem rigorosamente o padrão jornalístico informativo, com uso frequente de construções impessoais e atribuição de falas a fontes, o que torna o contraste com o artigo de opinião bastante evidente para os alunos.

    Para o texto científico ou de divulgação científica, há excelentes opções gratuitas e de fácil acesso. A revista Ciência Hoje (cienciahoje.org.br) e o portal Ciência e Cultura da SBPC (cienciaecultura.bvs.br) publicam textos de divulgação científica escritos de forma acessível, mantendo as marcas linguísticas típicas do gênero, como o uso da terceira pessoa, construções passivas e expressões como 'os dados indicam' ou 'foi observado que'. Para textos mais técnicos, o portal SciELO (scielo.br) reúne artigos científicos completos e gratuitos em português, sendo possível selecionar apenas a introdução ou a conclusão de um artigo para não sobrecarregar os alunos com extensão excessiva.

    Após selecionar os três textos, o professor deve fazer a impressão em quantidade suficiente para todos os grupos — se a turma tiver, por exemplo, seis grupos, serão necessárias seis cópias de cada conjunto, totalizando dezoito impressões. Recomenda-se que os textos sejam impressos em fonte tamanho 12 ou maior, com espaçamento entre linhas de 1,5, para garantir boa legibilidade. Se a escola dispuser de projetor ou computadores para os alunos, os textos também podem ser disponibilizados em formato digital, seja por e-mail, por um grupo de mensagens da turma ou por plataformas como Google Classroom ou Microsoft Teams, caso a escola utilize alguma dessas ferramentas. Nesse caso, o professor pode criar um documento compartilhado com os três textos organizados em abas ou seções separadas.

    Caso o professor tenha dificuldade em encontrar textos sobre o mesmo tema nos três gêneros, uma alternativa prática é utilizar o tema da redação do ENEM de anos anteriores como ponto de partida — esses temas costumam ter ampla cobertura em diferentes gêneros e são facilmente encontrados em buscas simples no Google. Outra opção é consultar o banco de textos do portal do MEC ou de plataformas educacionais como Nova Escola (novaescola.org.br) e Educação UOL, que frequentemente disponibilizam coletâneas de textos organizadas por gênero e tema, pensadas especificamente para uso em sala de aula do Ensino Médio.

  • Ficha de análise guiada: roteiro com perguntas sobre a presença do autor, os recursos linguísticos encontrados e os efeitos de sentido percebidos.
  • Cartolina ou papel A3 (ou slides digitais, se houver projetor disponível) para os grupos organizarem o painel de análise.
  • Quadro branco ou lousa para o professor registrar a síntese coletiva ao final.
  • Projetor ou TV para exibir as frases da provocação inicial e, se os grupos usarem slides, as apresentações.
  • Canetas coloridas ou marcadores para destacar as marcas linguísticas nos textos impressos.

Inclusão e acessibilidade

Toda turma tem alunos que chegam com ritmos e repertórios diferentes, e isso é completamente normal. Nessa atividade, o trabalho em grupo já ajuda bastante: alunos com mais dificuldade se apoiam nos colegas, e alunos com mais facilidade desenvolvem a habilidade de explicar o que sabem. A ficha de análise guiada é um suporte importante para quem tem dificuldade de saber por onde começar. O professor deve circular pelos grupos com atenção especial aos que parecem travados — uma pergunta simples como 'esse verbo aqui indica certeza ou dúvida?' já desbloqueia a análise. Textos com linguagem acessível e temas do cotidiano dos alunos também reduzem a barreira de entrada. Se houver alunos com dificuldades de leitura, o professor pode permitir que um colega leia o texto em voz alta para o grupo.

  • Selecionar textos com vocabulário acessível e temas próximos da realidade dos alunos (ex: saúde, meio ambiente, tecnologia) para reduzir a barreira de entrada na análise.
  • Disponibilizar a ficha de análise com perguntas abertas e exemplos de marcas linguísticas já destacados para grupos que demonstrarem dificuldade inicial.
  • Permitir que os grupos escolham o formato de apresentação (oral, cartaz ou slides), respeitando diferentes habilidades comunicativas.
  • Garantir que nenhum aluno fique sem papel no grupo — distribuir funções claras como leitor, anotador, apresentador e mediador da discussão.
  • Estar atento a alunos que se isolam ou que dominam a fala do grupo, intervindo para garantir participação equitativa.
  • Para alunos com dificuldade de leitura, permitir que um colega leia o texto em voz alta para o grupo, sem expor o aluno a constrangimentos.
  • Incluir textos que representem diferentes vozes e contextos culturais — por exemplo, um texto de um autor negro, uma notícia sobre comunidades indígenas ou um artigo escrito por uma mulher cientista — para que a diversidade apareça também no conteúdo analisado.

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