Essa atividade foi pensada para crianças de 6 e 7 anos que estão dando os primeiros passos na alfabetização. A ideia central é tornar o contato com as letras algo concreto, divertido e cheio de significado, usando materiais simples como cartões ilustrados, papel e lápis de cor.
Na primeira aula, os alunos são apresentados ao alfabeto por meio de cartões coloridos, cada um com uma letra, uma imagem e uma palavra simples. O professor mostra os cartões um a um, faz o som de cada letra em voz alta e pede que as crianças repitam. Essa associação entre imagem, palavra e som é o ponto de partida para o reconhecimento das letras.
Na segunda aula, a turma vive uma caça às letras pela sala. O professor esconde cartinhas com letras em diferentes cantos do ambiente antes da aula começar. Cada criança procura as cartinhas, coleta as letras e tenta formar palavras curtas com elas. Essa movimentação pelo espaço torna o aprendizado mais ativo e estimula a consciência fonológica de forma natural.
Na terceira aula, cada aluno cria seu próprio mini dicionário ilustrado. Eles escolhem palavras que começam com as letras trabalhadas, desenham e escrevem cada uma delas em pequenas folhas que são montadas em formato de livrinho. Essa etapa é especialmente importante porque permite que cada criança registre o aprendizado do seu jeito, com suas escolhas e sua criatividade.
Todas as aulas usam apenas materiais físicos, sem nenhum recurso digital. Essa escolha é intencional: o contato com objetos concretos favorece o desenvolvimento sensorial e motor das crianças nessa faixa etária. A atividade também inclui adaptações pensadas para alunos com Transtorno do Espectro Autista nível 3, garantindo que todos possam participar com suporte adequado.
O foco principal dessa atividade é construir uma base sólida para a alfabetização, conectando o reconhecimento visual das letras com seus sons e com palavras do cotidiano das crianças. A proposta parte do concreto para o abstrato: primeiro a criança vê, toca e ouve; depois associa; e por fim registra por escrito. Esse caminho respeita o ritmo natural de aprendizagem dos alunos de 6 e 7 anos. A caça às letras, por exemplo, não é só uma brincadeira, ela exige que a criança identifique símbolos, relacione sons e tome decisões sobre como formar palavras. Já o mini dicionário coloca o aluno como autor do próprio material, o que fortalece o vínculo com o conteúdo aprendido.
O conteúdo dessa atividade está organizado em torno de três eixos que se complementam: o reconhecimento das letras, a relação entre som e símbolo, e a produção escrita inicial. Cada aula aprofunda um desses eixos, mas sempre retomando o que foi visto antes. Na prática, isso significa que o aluno não aprende a letra A de forma isolada, mas dentro de um contexto de palavra e imagem, o que torna o aprendizado mais significativo. A progressão é gradual e respeita o tempo de cada criança.
A atividade usa uma abordagem sensorial e lúdica, onde o corpo e os sentidos são parte do aprendizado. Os cartões ilustrados ativam a memória visual; a caça às letras envolve movimento e tomada de decisão; o mini dicionário estimula a criatividade e a autonomia. Nenhuma das três aulas depende de telas ou recursos digitais, o que é uma escolha pedagógica consciente para essa faixa etária. O professor atua como mediador, fazendo perguntas, incentivando tentativas e valorizando o processo, não só o resultado final.
As três aulas foram pensadas em sequência, cada uma construindo sobre o que foi feito na anterior. A primeira apresenta o conteúdo de forma visual e auditiva. A segunda coloca o aluno em movimento e em contato direto com as letras de forma exploratória. A terceira fecha o ciclo com uma produção pessoal. Essa progressão garante que o aprendizado seja consolidado de forma gradual, sem sobrecarga.
Momento 1: Acolhida e Preparação do Ambiente (Estimativa: 5 minutos)
Receba os alunos com entusiasmo e organize a turma em semicírculo no chão ou em suas cadeiras, de forma que todos possam ver bem os cartões que serão apresentados. Antes de iniciar, mostre os cartões ilustrados empilhados e diga às crianças que hoje vocês vão fazer uma viagem pelo mundo das letras. É importante que o ambiente esteja organizado e sem distrações visuais excessivas, especialmente para favorecer a atenção de todos. Apresente brevemente o que acontecerá na aula usando uma sequência visual simples desenhada no quadro ou em cartazes: 1) ver os cartões, 2) repetir os sons, 3) pensar em palavras, 4) ganhar um cartão. Essa antecipação ajuda toda a turma a se sentir segura e preparada para participar.
Momento 2: Apresentação dos Cartões do Alfabeto (Estimativa: 20 minutos)
Comece a apresentação dos cartões ilustrados um a um, priorizando as letras mais presentes no cotidiano das crianças, como A, B, C, D, E, M, P e S. Mostre cada cartão de frente para a turma, pronuncie o nome da letra em voz alta e, em seguida, faça o som que ela representa. Por exemplo: 'Esta é a letra A. O som dela é /a/. Olha a imagem: abelha! A-be-lha começa com A.' Peça que as crianças repitam o som junto com você, em coro. Permita que os alunos que estiverem mais próximos toquem no cartão, sintam a textura e observem a imagem de perto. Circule pela sala levando os cartões até as crianças que tiverem dificuldade de enxergar ou que precisarem de mais proximidade para se engajar. É importante que você mantenha um ritmo tranquilo, sem pressa, dando tempo para que cada criança processe a informação antes de passar para o próximo cartão. Observe se os alunos estão atentos, se repetem os sons com confiança e se demonstram curiosidade pelas imagens.
Momento 3: Roda de Palavras — Que Mais Começa com Essa Letra? (Estimativa: 15 minutos)
Após apresentar um conjunto de letras, proponha uma roda de palavras coletiva. Mostre novamente alguns cartões selecionados e pergunte à turma: 'Quem consegue pensar em outra palavra que começa com esse som?' Faça a mediação ativa com perguntas como 'Que som essa letra faz?', 'Tem alguma coisa aqui na sala que começa com essa letra?' e 'O nome de alguém da turma começa com esse som?'. Incentive todas as tentativas, valorizando cada resposta com entusiasmo. Caso uma criança diga uma palavra que não começa com a letra, acolha a resposta e ajude-a a perceber o som inicial: 'Que legal! Vamos ouvir juntos: ca-sa. Com que som começa? /k/... Será que é essa letra aqui?' Permita que os alunos se movimentem levemente, apontando para objetos da sala ou para colegas cujos nomes comecem com a letra em destaque. Essa interação torna o aprendizado mais significativo e estimula a consciência fonológica de forma natural e prazerosa.
Momento 4: Cada Um Escolhe o Seu Cartão (Estimativa: 15 minutos)
Espalhe todos os cartões sobre uma mesa ou no chão, com as imagens visíveis. Explique à turma que cada criança vai escolher um cartão para guardar e levar para casa. Oriente os alunos a passarem um de cada vez para escolher o cartão que mais gostaram, seja pela imagem, pela letra ou pela palavra. Enquanto cada criança escolhe, aproveite para fazer uma breve conversa individual: 'Que letra é essa? Que som ela faz? O que está na imagem?' Esse é um momento valioso de avaliação informal, pois permite observar o nível de reconhecimento de cada aluno sem pressão. Anote em sua lista de registro simples quais letras cada criança nomeou corretamente e se conseguiu associar ao som ou à palavra. Permita que a escolha seja livre e respeite o tempo de cada um, sem apressar a decisão.
Momento 5: Encerramento e Combinados para a Próxima Aula (Estimativa: 5 minutos)
Reúna a turma novamente e faça uma breve retomada do que foi aprendido: 'Hoje conhecemos as letras do alfabeto, vimos as imagens, fizemos os sons e cada um escolheu o seu cartão!' Peça que algumas crianças mostrem o cartão que escolheram e digam o som da letra para os colegas. Finalize dizendo que na próxima aula haverá uma surpresa escondida pela sala e que os cartões vão ser importantes. Esse gancho desperta a curiosidade e cria antecipação positiva para a Aula 2. É importante que você reforce o quanto a turma se saiu bem e celebre a participação de todos.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista nível 3, algumas adaptações simples podem fazer uma grande diferença na participação e no bem-estar durante a aula. Antes de tudo, saiba que você não precisa transformar toda a aula, mas pequenos ajustes no ambiente e na rotina já criam condições muito mais favoráveis para esses alunos.
No Momento 1, apresente a sequência visual da aula de forma individual para o aluno com TEA nível 3, usando cartões com imagens ou símbolos simples que representem cada etapa. Se possível, mantenha esse roteiro visual fixado em um lugar visível para ele durante toda a aula. Isso reduz a ansiedade gerada pela imprevisibilidade e ajuda o aluno a se orientar no tempo e nas atividades.
No Momento 2, permita que o aluno com TEA nível 3 explore os cartões de forma mais individualizada, sem a obrigatoriedade de participar do coro coletivo. Ofereça os cartões diretamente para ele, um de cada vez, e observe suas reações. Se o aluno tiver hipersensibilidade tátil, não force o toque nos cartões, mas deixe-os disponíveis. Caso ele demonstre interesse por alguma letra ou imagem específica, use esse interesse como ponto de entrada para a interação.
No Momento 3, a roda de palavras pode ser desafiadora para alunos com TEA nível 3 devido à imprevisibilidade das trocas e ao volume sonoro. Posicione o aluno em um local com menos estímulos ao redor e não o pressione a responder em voz alta. Se ele apontar para um objeto ou emitir algum som relacionado à letra, valorize essa resposta como participação legítima.
No Momento 4, ofereça ao aluno com TEA nível 3 um número reduzido de cartões para escolher, em vez de apresentar todos de uma vez. Duas ou três opções já são suficientes para que ele faça uma escolha sem sobrecarga sensorial ou cognitiva. Se o aluno não conseguir verbalizar a letra ou o som, registre em seu portfólio a escolha que ele fez e a forma como interagiu com o material, seja pelo olhar, pelo toque ou pelo gesto.
De forma geral, mantenha um tom de voz calmo e previsível, evite mudanças abruptas na dinâmica da aula e, sempre que possível, antecipe verbalmente o que vai acontecer a seguir. Lembre-se: sua presença atenta e acolhedora já é uma das ferramentas mais poderosas de inclusão que você tem em mãos.
Momento 1: Acolhida e Preparação para a Aventura (Estimativa: 5 minutos)
Receba os alunos na porta da sala com entusiasmo e peça que se sentem em semicírculo no chão ou em suas cadeiras. Antes de revelar a surpresa, retome brevemente o que foi aprendido na Aula 1, perguntando: 'Quem lembra que letra estava no cartão que escolheu na última aula?' Permita que algumas crianças mostrem ou verbalizem suas respostas. Em seguida, apresente a sequência visual da aula no quadro ou em cartazes com imagens simples, indicando as etapas: 1) ouvir as regras, 2) caçar as letras, 3) formar palavras, 4) compartilhar com a turma. Essa antecipação é fundamental para que todos os alunos, especialmente os que precisam de mais previsibilidade, se sintam seguros e prontos para participar. Diga com empolgação: 'Hoje a sala virou um campo de caça! Tem cartinhas escondidas por todo lugar e vocês vão precisar encontrá-las!'
Momento 2: Explicação das Regras da Caça às Letras (Estimativa: 8 minutos)
Explique as regras de forma clara, objetiva e em etapas curtas, pois crianças de 6 e 7 anos precisam de instruções simples e sequenciais. Diga: 'Cada um vai caminhar pela sala com calma, procurar as cartinhas escondidas e colocar as que encontrar na sua cestinha ou envelope.' Mostre fisicamente como fazer: pegue uma cartinha de exemplo, coloque no envelope e diga o nome da letra em voz alta. Reforce as combinações de convivência: caminhar devagar, não pegar as cartinhas dos colegas e respeitar o espaço de todos. É importante que você demonstre onde as cartinhas podem estar escondidas, dando dicas gerais como 'embaixo de algo', 'colada em algum lugar' ou 'perto de alguma coisa colorida', sem revelar os esconderijos. Distribua para cada criança um envelope ou saquinho pequeno para guardar as cartinhas coletadas. Certifique-se de que todos entenderam antes de liberar a turma para a caça.
Momento 3: Caça às Letras pela Sala (Estimativa: 15 minutos)
Libere os alunos para percorrer a sala em busca das cartinhas escondidas. Circule pelo ambiente com atenção, observando a movimentação da turma e apoiando as crianças que demonstrarem dificuldade em encontrar cartinhas ou em se orientar no espaço. Faça intervenções pontuais e motivadoras, como: 'Você já olhou perto da janela?' ou 'Que letra é essa que você encontrou? Que som ela faz?' Observe se os alunos reconhecem as letras ao pegá-las, se verbalizam os sons ou se apenas as coletam sem interação com o material. Essas observações são parte da avaliação informal desta aula. Caso alguma criança colete muitas cartinhas rapidamente, incentive-a a ajudar um colega que ainda está procurando, promovendo a cooperação. Ao sinal combinado, como uma palma ou um sino, peça que todos voltem aos seus lugares com seus envelopes.
Momento 4: Formação de Palavras com as Letras Coletadas (Estimativa: 20 minutos)
Com os alunos sentados, peça que abram seus envelopes e espalhem as cartinhas sobre a mesa ou no chão à sua frente. Proponha o desafio: 'Agora vamos ver se conseguimos formar palavras com essas letras!' Comece com um exemplo coletivo: escolha três ou quatro letras visíveis e pergunte à turma se alguém consegue montar uma palavra com elas. Mostre como organizar as letras lado a lado para formar uma palavra curta, como 'bola', 'mão' ou 'pé'. Em seguida, peça que cada criança tente formar pelo menos uma palavra com suas próprias letras. Circule pela sala apoiando as tentativas, fazendo perguntas mediadoras como: 'Que som faz essa letra? Tem outra letra aqui que pode vir depois?' Valorize todas as tentativas, mesmo as não convencionais, dizendo: 'Que ideia interessante! Vamos ouvir como ficou?' É importante que você não corrija de forma direta os erros, mas conduza a criança a perceber o som por meio de perguntas. Anote em sua lista de registro quais letras cada aluno reconheceu e se conseguiu formar alguma palavra, mesmo que parcialmente.
Momento 5: Roda de Compartilhamento (Estimativa: 7 minutos)
Reúna a turma em roda e convide algumas crianças voluntárias a mostrar as palavras que formaram, segurando as cartinhas na ordem em que as organizaram. Leia junto com a turma cada palavra apresentada, fazendo o som de cada letra em sequência. Celebre cada tentativa com entusiasmo genuíno, independentemente do resultado. Pergunte: 'Que letra você mais gostou de encontrar hoje? Por quê?' Esse momento fortalece o sentimento de pertencimento e estimula a oralidade. Finalize retomando o que foi vivenciado: 'Hoje vocês foram verdadeiros caçadores de letras! Encontraram letras, fizeram sons e até formaram palavras!' Guarde as cartinhas coletadas por cada aluno em seus envelopes identificados, pois elas poderão compor o portfólio de cada criança.
Momento 6: Encerramento e Antecipação da Próxima Aula (Estimativa: 5 minutos)
Organize a sala com a ajuda dos alunos, recolhendo materiais e reorganizando o espaço. Aproveite esse momento para reforçar os combinados de cuidado com o ambiente. Diga à turma que na próxima aula cada um vai criar um livrinho especial com as palavras que aprendeu, o mini dicionário ilustrado. Pergunte: 'Se você fosse colocar uma palavra no seu livrinho, qual seria?' Permita que duas ou três crianças respondam, criando antecipação positiva para a Aula 3. Encerre celebrando a participação de todos e reforçando o quanto a turma evoluiu desde a primeira aula.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você está fazendo um trabalho incrível ao pensar em todos os seus alunos, e pequenos ajustes podem transformar a experiência dos alunos com Transtorno do Espectro Autista nível 3 nessa aula cheia de movimento e estímulos. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para esse momento.
Antes da aula começar, se possível, apresente ao aluno com TEA nível 3 o espaço da sala já preparado com as cartinhas escondidas, antes dos colegas entrarem. Essa familiarização prévia com o ambiente modificado pode reduzir significativamente a ansiedade gerada pela novidade. Se isso não for possível, use os cartazes com a sequência visual da aula para mostrar individualmente ao aluno o que vai acontecer, passo a passo, antes de iniciar.
Durante a caça às letras, a movimentação livre pela sala pode ser desafiadora para alunos com TEA nível 3 devido à imprevisibilidade dos colegas e ao aumento do nível de ruído. Considere delimitar uma área menor e mais tranquila da sala onde esse aluno possa fazer sua própria caça com um número reduzido de cartinhas escondidas, entre cinco e oito, em locais de fácil acesso. Isso mantém a essência da atividade sem sobrecarregar sensorialmente o aluno.
Se o aluno tiver um acompanhante terapêutico ou auxiliar de inclusão, oriente essa pessoa a mediar a atividade de forma discreta, apontando gentilmente para os esconderijos e nomeando as letras encontradas junto com o aluno, sem fazer pela criança. Caso não haja acompanhante, reserve alguns momentos para se aproximar individualmente desse aluno durante a caça e a formação de palavras.
Na etapa de formação de palavras, ofereça ao aluno com TEA nível 3 um número ainda mais reduzido de letras, priorizando aquelas que formam palavras do interesse dele. Se você souber que a criança tem afinidade com algum tema, como animais ou veículos, selecione letras que permitam formar palavras desse universo. Isso aumenta o engajamento e torna a atividade mais significativa.
Durante a roda de compartilhamento, não pressione o aluno a falar em voz alta para o grupo. Se ele quiser mostrar as cartinhas organizadas sem verbalizar, valorize esse gesto como participação legítima. Registre em seu portfólio a forma como o aluno interagiu com os materiais, seja pelo olhar, pelo toque, pela organização das letras ou por qualquer outra forma de expressão. Lembre-se: sua atenção cuidadosa e seu olhar acolhedor já são, por si só, poderosas ferramentas de inclusão.
Momento 1: Acolhida e Retomada das Aprendizagens (Estimativa: 8 minutos)
Receba os alunos com entusiasmo e organize a turma em semicírculo, seja no chão ou nas cadeiras, de forma que todos possam se ver e interagir com facilidade. Antes de apresentar a proposta do dia, faça uma breve retomada das aulas anteriores, perguntando: 'Quem lembra o que fizemos nas últimas aulas?' e 'Quem ainda tem o cartão que escolheu na primeira aula?' Permita que algumas crianças mostrem seus cartões e verbalizem o som da letra. Em seguida, apresente no quadro ou em cartazes a sequência visual da aula com imagens simples representando cada etapa: 1) escolher palavras, 2) desenhar, 3) escrever, 4) montar o livrinho, 5) levar para casa. Essa antecipação é fundamental para que todos os alunos se sintam seguros e preparados para participar. Diga com empolgação: 'Hoje cada um de vocês vai criar o seu próprio livrinho de palavras, o mini dicionário ilustrado, e vai levar para casa!' Observe se os alunos demonstram curiosidade e engajamento com a proposta.
Momento 2: Apresentação do Mini Dicionário e Escolha das Palavras (Estimativa: 10 minutos)
Mostre à turma um exemplo de mini dicionário já montado, com folhas pequenas contendo palavras escritas e ilustradas. Folheie o modelo devagar, mostrando cada página e lendo as palavras em voz alta: 'Olha, aqui está a letra A, com a palavra abelha e um desenho de abelha!' Explique que cada criança vai criar o seu próprio livrinho, escolhendo palavras que começam com as letras que aprenderam nas aulas anteriores. Distribua para cada aluno cerca de seis folhas no formato A5 ou menor, um lápis grafite, borracha e lápis de cor ou canetinhas laváveis. Proponha que cada criança pense em pelo menos três palavras que queira colocar no seu dicionário, uma por folha. Faça uma mediação coletiva rápida, perguntando: 'Quem quer compartilhar uma palavra que está pensando em colocar no livrinho?' Permita que três ou quatro crianças respondam, escrevendo as sugestões no quadro para que sirvam de referência visual para toda a turma. É importante que você reforce que não existe resposta errada e que cada livrinho será único, pois cada um vai escolher as palavras que mais gosta.
Momento 3: Produção Individual — Desenhar e Escrever as Palavras (Estimativa: 25 minutos)
Libere os alunos para iniciarem a produção individual do mini dicionário. Oriente-os a escrever a letra inicial da palavra no topo da folha, escrever a palavra com apoio visual, como os cartões ilustrados das aulas anteriores que devem estar disponíveis sobre as mesas ou fixados no quadro, e depois ilustrar com um desenho. Circule pela sala com atenção, observando o processo de cada criança e fazendo intervenções pontuais e motivadoras. Pergunte: 'Que letra começa essa palavra? Que som ela faz?' e 'Você consegue ouvir as letras quando fala a palavra devagar?' Valorize todas as tentativas de escrita, mesmo as não convencionais, dizendo: 'Que esforço bonito! Vamos ver como ficou quando você fala devagar?' É importante que você não corrija de forma direta os erros ortográficos neste momento, mas conduza a criança a perceber os sons por meio de perguntas. Anote em sua lista de registro simples quais palavras cada aluno escolheu, se conseguiu escrever com apoio visual e se o desenho corresponde à palavra registrada. Esses dados compõem a avaliação informal desta aula. Permita que os alunos que terminarem mais cedo acrescentem mais palavras ou caprichem nos desenhos, enriquecendo ainda mais o livrinho.
Momento 4: Montagem do Livrinho (Estimativa: 10 minutos)
Com as folhas produzidas, chegou o momento de montar o mini dicionário. Oriente os alunos a organizarem suas folhas em ordem, seja pela letra inicial das palavras ou pela ordem que preferirem. Em seguida, distribua uma folha de rosto para cada criança, pedindo que escrevam o nome e desenhem algo que represente o livrinho deles. Auxilie na montagem, grampeando ou amarrando as folhas com barbante, conforme o material disponível. Circule pela sala ajudando as crianças que tiverem dificuldade de organizar as páginas ou que precisarem de apoio motor para segurar as folhas. É importante que você valorize cada livrinho como uma produção única e especial, comentando algo específico sobre o trabalho de cada criança durante esse momento, como: 'Que desenho caprichado você fez aqui!' ou 'Que palavra interessante você escolheu!'
Momento 5: Roda de Apresentação e Celebração (Estimativa: 5 minutos)
Reúna a turma em roda e convide algumas crianças voluntárias a mostrar o seu mini dicionário para os colegas, abrindo em uma página de sua escolha e lendo ou mostrando a palavra e o desenho. Celebre cada apresentação com entusiasmo genuíno e incentive os colegas a aplaudirem. Pergunte: 'Qual foi a palavra favorita que você colocou no seu livrinho? Por quê?' Esse momento fortalece o sentimento de pertencimento, estimula a oralidade e valoriza o protagonismo de cada criança. Finalize fazendo uma retomada das três aulas: 'Nas nossas aulas, conhecemos as letras, caçamos letras pela sala e agora cada um criou o seu próprio dicionário! Vocês são escritores e escritoras de verdade!'
Momento 6: Encerramento e Entrega do Livrinho (Estimativa: 2 minutos)
Organize a sala com a ajuda dos alunos, recolhendo materiais e reorganizando o espaço. Entregue os livrinhos para que cada criança leve para casa, reforçando que esse é um presente que eles mesmos criaram. Oriente os alunos a mostrarem o mini dicionário para a família e a contarem o que aprenderam. Encerre celebrando a participação e o esforço de toda a turma ao longo das três aulas, reforçando o quanto cada um cresceu desde a primeira aula.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você chegou à última aula dessa sequência e, mais uma vez, pequenos ajustes podem fazer uma grande diferença para os alunos com Transtorno do Espectro Autista nível 3. Veja sugestões práticas e viáveis para tornar esse momento mais acessível e significativo para eles.
No Momento 1, apresente a sequência visual da aula de forma individual para o aluno com TEA nível 3, usando os mesmos cartões com imagens ou símbolos simples que representem cada etapa. Mantenha esse roteiro fixado em um lugar visível para ele durante toda a aula, pois a previsibilidade reduz a ansiedade e favorece a participação.
No Momento 2, ao apresentar o modelo do mini dicionário, ofereça ao aluno com TEA nível 3 uma cópia do modelo para que ele possa manusear enquanto você apresenta ao grupo. Isso permite que ele explore o material de forma concreta e no seu próprio ritmo, sem depender apenas da observação à distância. Se o aluno tiver interesses específicos, como animais, veículos ou personagens, sugira palavras desse universo para que ele escolha, aumentando o engajamento e tornando a atividade mais significativa.
No Momento 3, ofereça ao aluno com TEA nível 3 um número reduzido de folhas, começando com duas ou três, para que a tarefa não pareça excessiva. Se o aluno tiver dificuldade motora para escrever, permita que ele copie a palavra de um cartão de referência colocado diretamente ao lado da folha, sem precisar buscar a informação em outro local. Caso a escrita seja muito desafiadora, valorize o desenho como forma legítima de registro e anote em seu portfólio a palavra que o aluno quis representar, mesmo que verbalmente ou por gesto. Evite pressionar o aluno a produzir no mesmo ritmo dos colegas e respeite seu tempo de processamento.
No Momento 4, durante a montagem do livrinho, ofereça apoio motor ao aluno com TEA nível 3, segurando as folhas enquanto ele as organiza ou realizando o grampeamento junto com ele. Se o aluno tiver hipersensibilidade tátil, evite forçar o contato com o barbante ou o grampeador, e ofereça alternativas como clipes ou uma folha dobrada ao meio. Registre com uma foto, se possível, o livrinho finalizado para compor o portfólio do aluno.
No Momento 5, não pressione o aluno com TEA nível 3 a apresentar o livrinho para o grupo. Se ele quiser mostrar uma página sem verbalizar, valorize esse gesto como participação legítima. Se preferir não participar da roda, permita que ele fique em seu lugar manuseando o livrinho enquanto os colegas apresentam. Lembre-se: sua presença atenta, seu tom de voz calmo e seu olhar acolhedor já são, por si só, as ferramentas mais poderosas de inclusão que você tem em mãos. Você está fazendo um trabalho incrível ao pensar em cada um dos seus alunos!
A avaliação dessa atividade é principalmente formativa, ou seja, acontece ao longo das três aulas, não só no final. O professor observa como cada criança interage com os materiais, se reconhece as letras, se tenta formar palavras e como registra por escrito. Não se espera perfeição na grafia, mas sim evidências de que a criança está construindo a relação entre letra, som e palavra. Para alunos com TEA nível 3, a avaliação considera o engajamento com os materiais e a comunicação com o professor ou mediador, mesmo que não verbal.
Todos os materiais usados nessa atividade são físicos e de baixo custo. Essa escolha não é só por limitação, é pedagógica: crianças de 6 e 7 anos aprendem melhor quando podem tocar, manipular e mover objetos. Os cartões ilustrados podem ser feitos pelo próprio professor com cartolina e imagens recortadas de revistas, ou impressos em papel sulfite colorido. O importante é que as imagens sejam claras e as letras legíveis.
Trabalhar com alunos com TEA nível 3 exige planejamento, mas também muita flexibilidade. Esses alunos precisam de suporte contínuo, rotina clara e previsibilidade. A boa notícia é que a estrutura dessa atividade já favorece isso: materiais concretos, etapas definidas e espaço para o aluno agir no próprio ritmo. Antes de cada aula, vale mostrar para o aluno com TEA o que vai acontecer, usando um quadro visual simples com as etapas desenhadas ou com fotos. Durante a caça às letras, um mediador pode acompanhar de perto, reduzindo a sobrecarga sensorial se necessário. Fique atento a sinais de sobrecarga, como tampar os ouvidos, se isolar ou agitação intensa, e tenha um espaço calmo disponível caso seja necessário uma pausa.
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