Essa atividade foi pensada para crianças do 1º ano que estão descobrindo como a escrita funciona. A ideia central é simples: a turma vai criar uma historinha curta junto com o professor, e cada criança vai perceber que o que ela fala pode virar escrita no quadro. Esse momento coletivo é poderoso porque os alunos veem, em tempo real, como os sons da fala se transformam em letras e palavras.
O professor começa a aula mostrando imagens coloridas de personagens e cenários simples — um cachorro, uma floresta, uma criança. A turma escolhe os elementos da história por votação ou levantando a mão. Conforme as crianças sugerem frases, o professor escreve no quadro, falando em voz alta cada letra e cada sílaba. Nessa hora, vale pausar e perguntar: 'Que letra começa essa palavra?' ou 'Esse som que eu faço com a boca, como a gente escreve?'.
Depois da escrita coletiva, cada aluno recebe uma folha com a historinha impressa em letras grandes e um espaço em branco. A proposta é que cada criança escreva ou desenhe a parte favorita da história. Quem já consegue escrever palavras, escreve. Quem ainda está no estágio do desenho, desenha e tenta escrever pelo menos o nome do personagem. O professor circula pela sala, observando e fazendo perguntas curtas para entender o que cada aluno já compreende sobre o sistema alfabético.
No final, algumas crianças compartilham o que produziram. O professor coloca a produção do aluno ao lado da escrita convencional no quadro, mostrando semelhanças e diferenças de forma acolhedora, sem corrigir de forma negativa. Essa comparação é o coração da atividade: o aluno percebe que sua escrita tem lógica, mas que existe uma forma convencional que todos usam para se comunicar.
A atividade respeita os diferentes níveis de escrita da turma e oferece oportunidade real de protagonismo, já que são as crianças que decidem os personagens e os acontecimentos da história.
O principal objetivo aqui é que os alunos comecem a entender que a escrita representa os sons da fala. Não se trata de memorizar o alfabeto de forma mecânica, mas de perceber que cada letra tem uma função dentro das palavras. Durante a escrita coletiva, os alunos têm a chance de observar esse processo acontecendo diante deles. Já na produção individual, cada criança coloca em prática o que compreendeu até agora, no seu próprio ritmo. O professor consegue, nesse momento, identificar em que estágio cada aluno está — se já relaciona letras a sons, se distingue letras de desenhos, se escreve de forma convencional ou pré-silábica.
O conteúdo dessa aula gira em torno do sistema alfabético, mas de um jeito que faça sentido para a criança. Não é uma aula sobre o alfabeto isolado — é uma aula sobre como as letras trabalham juntas para formar palavras que contam histórias. A escrita compartilhada funciona como um modelo vivo: o professor pensa em voz alta enquanto escreve, mostrando o processo de codificação. Já a produção individual revela o que cada aluno internalizou. Os dois momentos se complementam e cobrem os conteúdos de forma integrada.
A aula combina dois momentos bem distintos: um coletivo e um individual. No coletivo, o professor age como escriba da turma, tornando visível o processo de transformar fala em escrita. Perguntas curtas e diretas mantêm os alunos engajados e pensando. No individual, cada criança tem autonomia para registrar do jeito que consegue — o que respeita os diferentes níveis de alfabetização presentes em qualquer turma de 1º ano. A circulação do professor pela sala durante a produção individual é essencial para observar, perguntar e registrar informalmente o que cada aluno já sabe.
A aula de 60 minutos foi dividida em três momentos encadeados. O primeiro é de aquecimento e escolha coletiva dos elementos da história. O segundo é a escrita compartilhada no quadro, que é o núcleo da aula. O terceiro é a produção individual e o compartilhamento final. Essa sequência garante que os alunos passem da observação para a prática, o que é fundamental para a construção do conhecimento sobre o sistema alfabético nessa faixa etária.
Momento 1: Abertura com exibição de imagens de personagens e cenários (Estimativa: 5 minutos)
Inicie a aula reunindo os alunos em roda ou em seus lugares, garantindo que todos consigam ver bem o quadro ou o espaço onde as imagens serão exibidas. Apresente os cartões ilustrados ou imagens impressas com personagens simples (um cachorro, uma criança, um pássaro), cenários (floresta, parque, casa) e objetos (bola, mochila, árvore). Mostre cada imagem devagar, nomeando-a em voz alta e convidando os alunos a repetirem o nome junto com você. Faça perguntas curtas e animadas para despertar a curiosidade: 'Quem é esse personagem?', 'Onde será que ele mora?', 'O que será que acontece com ele?'. É importante que esse momento seja leve e divertido, funcionando como um aquecimento para o que vem a seguir. Observe se os alunos estão atentos e engajados, e use um tom de voz expressivo para manter o interesse da turma.
Momento 2: Votação coletiva para montar os elementos da história (Estimativa: 5 minutos)
Explique à turma que juntos vão criar uma historinha, mas que as crianças é que vão decidir como ela será. Organize a votação de forma simples e visual: mostre dois ou três cartões de personagens e peça que os alunos levantem a mão para escolher o favorito. Repita o processo para o cenário e, se o tempo permitir, para um elemento extra (um problema ou objeto especial). Anote no quadro os elementos escolhidos de forma destacada, por exemplo: 'Personagem: cachorro', 'Lugar: floresta'. Permita que os alunos expressem entusiasmo com as escolhas, mas conduza o momento com organização, lembrando combinados de esperar a vez. É importante que todas as crianças sintam que participaram, mesmo que a escolha da maioria não tenha sido a delas. Valorize cada voto com frases como 'Que ideia legal!' para criar um ambiente acolhedor.
Momento 3: Escrita compartilhada no quadro com participação ativa da turma (Estimativa: 20 minutos)
Com os elementos escolhidos no quadro, convide a turma a construir a história juntos. Comece fazendo uma pergunta aberta: 'Então, o que aconteceu com o cachorro na floresta?'. À medida que os alunos sugerem frases, repita cada uma em voz alta, escreva no quadro de forma lenta e deliberada, verbalizando cada letra e sílaba: 'Ca-cho-rro. Vou escrever C-A-C-H-O-R-R-O'. Use marcadores coloridos para destacar a primeira letra de cada palavra ou para separar sílabas visualmente. Faça pausas estratégicas para perguntas reflexivas: 'Que letra começa essa palavra?', 'Esse som que eu faço com a boca, como a gente escreve?', 'Isso que escrevi é uma letra ou um número?'. Aponte para as letras no quadro enquanto fala, para que os alunos associem o gesto visual ao som. Construa uma história curta de três a cinco frases, suficiente para ter começo, meio e fim simples. Observe se os alunos acompanham com o olhar, se tentam responder às perguntas e se demonstram perceber a relação entre fala e escrita. Anote mentalmente ou em sua lista de observação quais alunos respondem com mais segurança e quais ainda parecem inseguros nessa relação som-letra.
Momento 4: Produção individual na folha impressa (Estimativa: 20 minutos)
Distribua a folha impressa com a historinha criada coletivamente, escrita em letras grandes (fonte mínima 18pt), e com um espaço em branco reservado para a produção individual. Explique com clareza o que cada aluno deve fazer: 'Agora você vai escolher a parte da história que mais gostou e vai escrever ou desenhar ela aqui nesse espaço'. Reforce que não existe resposta errada: quem já consegue escrever palavras, escreve; quem prefere desenhar, desenha e tenta escrever pelo menos o nome do personagem. Circule pela sala de forma constante, agachando-se ao nível dos alunos para observar as produções e fazer perguntas curtas e gentis: 'O que você está desenhando?', 'Que letra você acha que começa o nome do cachorro?', 'Você consegue escrever alguma coisa aqui?'. É importante que você não corrija de forma direta nesse momento, mas sim faça perguntas que estimulem o aluno a pensar. Use sua lista de observação para registrar o nível de escrita de cada aluno: pré-silábico, silábico ou alfabético. Permita que os alunos usem lápis de cor ou canetinhas para tornar a atividade mais atrativa, especialmente para quem vai desenhar.
Momento 5: Roda de compartilhamento com comparação entre produções e escrita convencional (Estimativa: 10 minutos)
Convide dois ou três alunos voluntários para mostrar sua produção à turma. Peça que cada um explique o que fez: 'Me conta o que você escreveu ou desenhou aqui'. Após a explicação do aluno, coloque a produção dele ao lado da escrita convencional no quadro (ou aponte para a parte correspondente da história já escrita) e destaque semelhanças de forma positiva: 'Olha, você usou a letra C aqui, igualzinho ao que está no quadro!'. Aponte diferenças de forma acolhedora, sem usar palavras como 'errado': 'Aqui no quadro a gente escreve assim, mas dá pra ver que você estava pensando nessa letra, que legal!'. Encerre a aula reforçando a mensagem central de forma simples e motivadora: 'Hoje a gente viu que tudo o que a gente fala pode virar escrita, e cada um de vocês já está aprendendo a fazer isso do seu jeito'. Observe a qualidade das explicações dos alunos que compartilham, registrando se conseguem comunicar suas escolhas e se usam vocabulário relacionado à escrita.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você tem em sua turma alunos com TDAH e alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 1, e pequenas adaptações nos momentos já planejados podem fazer uma grande diferença para que essas crianças participem com mais conforto e segurança. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para o seu dia a dia:
Para alunos com TDAH: Durante a escrita compartilhada (Momento 3), posicione o aluno com TDAH mais próximo do quadro e de você, para que ele possa acompanhar melhor sem se distrair com o movimento da sala. Prefira fazer perguntas diretas a ele em momentos estratégicos, como 'Fulano, que letra você acha que vem aqui?', pois isso ajuda a reconectar o foco sem expor negativamente. Na produção individual (Momento 4), se perceber que o aluno está disperso, aproxime-se, aponte para a folha e diga em voz baixa: 'Vamos começar por aqui, qual parte você mais gostou?'. Dividir a tarefa em pequenos passos verbais ajuda muito. Permita que esse aluno se movimente levemente, como ir buscar um lápis de cor, sem tratar isso como indisciplina. Atividades com escolha, como a votação do Momento 2, são naturalmente engajadoras para crianças com TDAH, então aproveite esse momento para garantir que ele esteja participando ativamente.
Para alunos com TEA Nível 1: Antecipe a rotina da aula para o aluno com TEA antes de começar, descrevendo brevemente o que vai acontecer: 'Hoje vamos ver imagens, escolher uma história, escrever juntos e depois cada um faz o seu'. Isso reduz a ansiedade diante do novo. Durante a votação (Momento 2), ofereça os cartões diretamente para o aluno apontar sua escolha, caso ele tenha dificuldade em levantar a mão em grupo. Na roda de compartilhamento (Momento 5), não force a participação oral; permita que o aluno mostre sua folha sem precisar falar, ou que você descreva a produção dele com entusiasmo para a turma. Se o aluno demonstrar desconforto com barulho ou agitação durante a escrita coletiva, permita que ele acompanhe de um lugar um pouco mais afastado, mas ainda incluído na atividade. Elogios específicos e concretos, como 'Você escreveu a letra C aqui, muito bem!', funcionam melhor do que elogios genéricos.
Lembre-se: você não precisa ter recursos especiais para fazer essas adaptações. A maior parte delas depende apenas de atenção, posicionamento e uma fala cuidadosa. Você já está fazendo um trabalho incrível ao planejar uma aula tão rica e inclusiva como essa!
A avaliação nessa atividade é principalmente formativa — o objetivo é entender onde cada aluno está no processo de alfabetização, não atribuir nota. O professor observa e registra durante dois momentos: a participação na escrita coletiva e a produção individual. Esses dois instrumentos juntos dão uma visão bastante clara do que cada criança já compreende sobre o sistema alfabético. Para alunos com TDAH, a avaliação pode considerar a participação oral como equivalente à produção escrita. Para alunos com TEA nível 1, o registro pode ser feito por meio do desenho acompanhado de conversa individual com o professor.
Os recursos foram escolhidos para serem simples, acessíveis e funcionais. A atividade não depende de tecnologia, o que facilita a aplicação em qualquer contexto. As imagens impressas servem como ponto de partida concreto para crianças que ainda estão desenvolvendo a linguagem oral. A folha individual com a história impressa em letras grandes ajuda os alunos a compararem sua escrita com a convencional sem depender apenas da memória.
Trabalhar com uma turma que tem alunos com TDAH e TEA nível 1 exige atenção, mas não precisa ser complicado. A boa notícia é que a estrutura dessa atividade já ajuda bastante: ela tem momentos curtos, alternância entre coletivo e individual, e permite diferentes formas de participação. Para os alunos com TDAH, o segredo é manter as instruções curtas e dar uma tarefa de cada vez. Para os alunos com TEA nível 1, a rotina clara e a previsibilidade da sequência da aula já reduzem a ansiedade. Fique atento se algum aluno parecer travado na produção individual — às vezes uma pergunta simples ('O que aconteceu na história?') desbloqueie a criança. Evite expor produções sem a permissão do aluno.
Todos os planos de aula são criados e revisados por professores como você, com auxílio da Inteligência Artificial
Crie agora seu próprio plano de aula