Nesta atividade, os alunos do 3º ano vão mergulhar no universo da publicidade de um jeito bem concreto e divertido. A ideia começa com o professor trazendo anúncios reais para a sala — recortes de revista, embalagens de produtos, folhetos de supermercado ou impressões coloridas. Esses materiais servem como ponto de partida para uma conversa coletiva sobre como os anúncios funcionam: por que certas cores chamam atenção, o que é um slogan, como o texto tenta convencer o leitor a comprar ou usar algo.
Depois dessa exploração compartilhada, cada aluno vira o criador do próprio anúncio. Ele vai inventar um produto do zero — pode ser uma fruta mágica, um tênis que voa, um sorvete de sabor impossível — e criar a peça publicitária completa no caderno de desenho. Isso inclui desenhar o produto, escolher as cores, escrever um slogan curto e impactante, e redigir um pequeno texto de convencimento explicando por que o produto é incrível.
A atividade integra leitura, oralidade e escrita de forma natural. Na fase de análise dos anúncios reais, os alunos praticam leitura compartilhada e expressão oral ao compartilhar observações com a turma. Na fase de criação, exercitam a escrita com intenção comunicativa real — escrever para convencer alguém. O desenho e a colorização entram como suporte à expressão das ideias, tornando o processo mais acessível e prazeroso para alunos com diferentes perfis.
O protagonismo está no centro da proposta: cada aluno decide o produto, o nome, o visual e o texto. Não há resposta certa ou errada. Há espaço para criatividade, humor e imaginação. Ao final, os anúncios podem ser expostos na sala, criando uma espécie de 'galeria publicitária maluca' que valoriza o trabalho de cada um.
O foco principal desta aula é fazer os alunos perceberem que textos publicitários têm uma função clara: convencer. Quando eles leem anúncios reais e depois criam os seus próprios, essa função deixa de ser abstrata e passa a fazer sentido de verdade. A escrita do slogan e do texto persuasivo exige que o aluno pense no leitor — quem vai ler isso? O que vai chamar a atenção dessa pessoa? Esse exercício de pensar no outro é central para o desenvolvimento da competência comunicativa. A oralidade entra na discussão coletiva, quando os alunos precisam organizar e expressar o que observaram nos anúncios. Tudo isso acontece de forma integrada, sem separar artificialmente leitura, escrita e fala.
O conteúdo desta aula gira em torno do gênero textual anúncio publicitário, trabalhado de forma viva — primeiro pela leitura de exemplos reais, depois pela produção autoral. Os alunos não vão apenas decorar características do gênero: vão usá-las na prática. A escrita persuasiva aparece como ferramenta real de comunicação, não como exercício isolado. O slogan, por exemplo, exige síntese e criatividade ao mesmo tempo, o que conecta o trabalho com língua portuguesa à expressão artística.
A aula usa a metodologia mão-na-massa, o que significa que os alunos aprendem fazendo. A análise dos anúncios reais não é uma aula expositiva longa — é uma conversa guiada, com os materiais na mão dos alunos. O professor faz perguntas que provocam a observação: 'Por que essa cor foi escolhida?', 'O que essa frase quer que você faça?'. Depois, a criação individual garante que cada aluno processe o conteúdo do seu próprio jeito, com liberdade para inventar e errar sem pressão. Essa sequência — observar, discutir, criar — respeita o ritmo da turma e mantém o engajamento alto.
A aula está organizada em 50 minutos, divididos em três momentos que se conectam naturalmente. O professor não precisa cronometrar cada etapa com rigidez — a transição entre análise e criação pode acontecer de forma fluida, conforme a turma responde. O importante é garantir que os alunos tenham tempo suficiente para a produção, que é o coração da atividade.
Momento 1: Exploração dos Anúncios Reais — Leitura Compartilhada (Estimativa: 15 minutos)
Inicie a aula distribuindo os anúncios reais para os alunos — recortes de revistas, folhetos de supermercado ou impressões coloridas. Se possível, entregue pelo menos um anúncio por aluno ou por dupla, garantindo que todos tenham material em mãos para manipular. Peça que observem livremente por cerca de dois minutos antes de começar a leitura coletiva, permitindo que o primeiro contato seja espontâneo e curioso.
Em seguida, conduza uma leitura compartilhada em voz alta com um ou dois anúncios escolhidos por você previamente — de preferência coloridos, com slogan visível e texto curto. Leia o slogan em voz alta e pergunte à turma: 'O que essa frase quer dizer? Por que ela é curta e fácil de lembrar?' Depois, aponte o texto de convencimento e pergunte: 'Por que o anúncio diz que o produto é bom? Ele está tentando nos convencer de alguma coisa?'
É importante que você vá nomeando os elementos à medida que a conversa avança: slogan, imagem, texto de convencimento, cores. Escreva esses termos no quadro ou aponte para o cartaz de referência que você preparou com antecedência. Observe se os alunos conseguem identificar esses elementos nos anúncios que estão segurando — isso é um indicador de aprendizagem importante neste momento.
Permita que dois ou três alunos compartilhem algo que chamou atenção no anúncio que receberam. Valorize todas as observações, mesmo as mais simples, como 'a cor é bonita' ou 'tem uma criança sorrindo'. Essas percepções são o ponto de partida para a compreensão da linguagem publicitária.
Momento 2: Roda de Conversa — O Que Já Sabemos Sobre Publicidade? (Estimativa: 7 minutos)
Organize rapidamente uma roda de conversa, pedindo que os alunos se sentem em semicírculo ou permaneçam em seus lugares, mas voltados para você. Lance perguntas curtas e abertas para ativar o conhecimento prévio da turma: 'Vocês já viram um anúncio na televisão ou na rua? O que ele queria vender? Vocês já quiseram comprar algo por causa de um anúncio?'
É importante que esse momento seja leve e animado — os alunos de 8 e 9 anos costumam ter muitas referências de publicidade do cotidiano e adoram compartilhá-las. Use as falas deles para reforçar os conceitos que acabaram de ser apresentados: 'Isso que você disse é exatamente o que chamamos de slogan!' ou 'Essa cor chamativa que você mencionou é uma estratégia do anúncio para chamar a nossa atenção!'
Observe se os alunos estão conseguindo relacionar o que viram nos anúncios reais com suas experiências do dia a dia. Esse é um bom momento para identificar quem já tem uma compreensão mais desenvolvida do gênero e quem pode precisar de um apoio extra durante a produção.
Momento 3: Apresentação do Desafio — Criando Meu Anúncio Maluco! (Estimativa: 5 minutos)
Apresente o desafio com entusiasmo: cada aluno vai criar o próprio anúncio de um produto completamente inventado. Explique que o produto pode ser qualquer coisa — uma fruta que faz voar, um tênis que canta, um sorvete de sabor de arco-íris, um shampoo que deixa o cabelo brilhando estrelas. Quanto mais criativo e maluco, melhor!
Retome o cartaz ou o quadro com os quatro elementos obrigatórios que o anúncio precisa ter: nome e desenho do produto, slogan (frase curta e impactante), texto de convencimento (pelo menos uma razão para 'comprar' o produto) e colorização intencional. Leia cada item com a turma e dê um exemplo rápido oral: 'Por exemplo, se eu inventasse um tênis que voa, meu slogan poderia ser: Tênis Voador — seus pés nunca mais vão querer parar!'
É importante que você deixe claro que não existe resposta certa ou errada — o que vale é a criatividade e o esforço de usar os elementos do anúncio que aprenderam juntos. Distribua o caderno de desenho ou as folhas de papel sulfite e os materiais de colorização antes de liberar os alunos para começar.
Momento 4: Produção Individual — Mão-na-Massa! (Estimativa: 18 minutos)
Este é o momento central da aula. Os alunos trabalham individualmente, com autonomia para inventar o produto, escolher o nome, criar o slogan, escrever o texto de convencimento e ilustrar e colorir a peça. Coloque uma música instrumental suave se julgar adequado para o clima da turma — isso pode ajudar a manter o foco e a leveza do momento criativo.
Circule pela sala de forma ativa durante toda essa etapa. Observe quem está escrevendo com facilidade e quem está travado na parte textual. Para os alunos que tiverem dificuldade em começar o slogan, sugira: 'Pensa em uma palavra que descreva o seu produto. Agora tenta fazer uma frase curta com ela.' Para quem não souber o que escrever no texto de convencimento, pergunte: 'Por que alguém compraria esse produto? Me conta!' — e incentive o aluno a escrever exatamente o que disse em voz alta.
Anote rapidamente em sua lista de chamada quais alunos precisam de apoio extra na escrita persuasiva — essa observação formativa é parte da avaliação da aula. Não corrija os textos neste momento; o foco é a produção com intenção comunicativa, não a ortografia perfeita.
É importante que você valorize as escolhas de cada aluno durante a circulação: comente sobre as cores usadas, sobre o nome criativo do produto, sobre o slogan engraçado. Esse reconhecimento alimenta o engajamento e a autoconfiança dos alunos na escrita.
Momento 5: Compartilhamento e Combinado da Galeria (Estimativa: 5 minutos)
Nos minutos finais, convide três ou quatro alunos voluntários para mostrar e apresentar brevemente seu anúncio para a turma. Peça que cada um mostre o desenho, leia o slogan em voz alta e diga uma coisa que achou legal no próprio anúncio. Permita que a turma reaja de forma positiva — uma salva de palmas ao final de cada apresentação cria um clima de celebração do trabalho realizado.
Se houver tempo, faça a autoavaliação oral rápida: pergunte a quem apresentou — e a quem quiser responder — uma coisa que gostou no próprio anúncio e uma coisa que mudaria. Esse exercício simples desenvolve a capacidade reflexiva dos alunos sobre a própria produção.
Encerre a aula combinando com a turma que os anúncios serão expostos na sala como uma 'Galeria Publicitária Maluca'. Explique como e onde os trabalhos serão afixados — isso gera expectativa positiva e dá um sentido real à produção que fizeram. Recolha os cadernos ou folhas para fazer a análise do produto final com o checklist de avaliação que você preparou.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as estratégias a seguir têm caráter preventivo e universal, garantindo que todos os alunos — independentemente do ritmo ou estilo de aprendizagem — participem com confiança e autonomia.
Para alunos com maior dificuldade na escrita, permita que ditem o slogan e o texto de convencimento para você ou para um colega, que pode ajudar a registrar no papel. O importante é que a ideia e a intenção comunicativa sejam do aluno. Você também pode oferecer um modelo parcial de texto como apoio: 'Compre o [nome do produto] porque ele é _____ e também _____.' Isso reduz a barreira da página em branco sem tirar a autoria do aluno.
Para alunos que terminam muito rapidamente, proponha um desafio extra: criar um segundo anúncio para um produto diferente ou adicionar uma promoção especial ao anúncio já criado, como 'Compre 1 e ganhe 2!'.
Durante a leitura compartilhada, aponte visualmente os elementos no anúncio enquanto os nomeia em voz alta — isso favorece alunos com perfil mais visual e aqueles que ainda estão consolidando a leitura autônoma. O cartaz de referência com os quatro elementos do anúncio fixado em local visível durante toda a aula é um recurso simples e muito eficaz para apoiar alunos que precisam de âncoras visuais constantes.
Lembre-se: pequenos ajustes no acompanhamento individual durante a circulação pela sala já fazem uma grande diferença. Você não precisa de recursos especiais para garantir que todos se sintam incluídos — sua atenção e encorajamento são os maiores instrumentos de inclusão que você tem.
A avaliação desta atividade considera tanto o processo quanto o produto final. O professor observa a participação na discussão coletiva e analisa o anúncio produzido por cada aluno. Não se trata de avaliar se o desenho ficou bonito, mas se o aluno compreendeu a função do gênero e usou os elementos trabalhados. Duas abordagens complementares funcionam bem aqui: a observação durante a atividade e a análise do produto final com critérios claros e acessíveis para a faixa etária.
Os materiais desta aula foram escolhidos por serem acessíveis, concretos e adequados à faixa etária. Anúncios reais trazem autenticidade para a discussão — os alunos reconhecem marcas e produtos do cotidiano, o que facilita a conexão com o conteúdo. O caderno de desenho garante espaço suficiente para a criação sem custo adicional. Lápis de cor e canetinhas entram como ferramentas de expressão, não como recurso decorativo — a cor é parte da linguagem publicitária.
Toda turma tem alunos que chegam com ritmos e formas de se expressar diferentes — e isso é completamente normal. Esta atividade já tem uma estrutura naturalmente inclusiva: a criação livre permite que cada aluno contribua do jeito que consegue, sem uma resposta certa a seguir. Para alunos que têm mais dificuldade com a escrita, o professor pode sugerir um slogan de apenas três palavras ou ajudar a registrar a ideia que o aluno verbalizou. Fique atento a alunos que ficam travados na fase de criação — às vezes, uma pergunta simples como 'o que você gostaria de inventar?' já desbloqueia. A diversidade de produtos inventados pelos alunos também é uma oportunidade para valorizar diferentes referências culturais e familiares presentes na turma.
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