Batalha de Histórias: Quem Conta um Conto Aumenta um Ponto!

Desenvolvida por: Emilia… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa
Temática: Criação e narração de contos de aventura

Essa atividade convida os alunos do 5º ano a viverem a experiência completa de criar uma história do zero até apresentá-la para a turma. Tudo acontece em três aulas de 40 minutos, sem nenhum recurso digital, usando apenas papel, caneta, cartas sorteadas e muita imaginação.

Na primeira aula, os grupos recebem cartas-sorteio com personagens, cenários e conflitos escritos à mão ou impressos em papel. A partir desses elementos, eles planejam coletivamente o conto, desenhando um esquema narrativo em folha sulfite: início, desenvolvimento e desfecho. Essa etapa estimula o pensamento criativo, a escuta entre colegas e a tomada de decisões em grupo.

Na segunda aula, chega a hora de escrever. Cada grupo produz o conto de forma colaborativa, com atenção à ortografia, ao uso de conectivos, à pontuação expressiva e à coerência da história. O professor circula pelos grupos, fazendo perguntas que ajudam a revisar e melhorar os trechos escritos. Os alunos reescrevem partes quando necessário, vivenciando o processo real de produção textual.

Na terceira aula, acontece o sarau literário. Cada grupo apresenta seu conto oralmente para a turma, praticando entonação e expressividade. Depois das apresentações, a turma toda participa de uma roda de conversa sobre os recursos linguísticos usados nas histórias, como escolha de palavras, pontuação dramática e conectivos narrativos. Essa conversa final conecta a prática da escrita com a análise da língua de forma natural e contextualizada.

A atividade cobre todas as grandes áreas da Língua Portuguesa: leitura, escrita, oralidade e análise linguística. Os alunos são protagonistas em todas as etapas, desde a escolha dos elementos da história até a forma de apresentá-la. É uma proposta que respeita diferentes ritmos, estimula o trabalho em equipe e torna o aprendizado da língua algo concreto e com sentido real para quem escreve e para quem ouve.

Objetivos de Aprendizagem

O grande fio condutor dessa atividade é fazer com que os alunos percebam que escrever bem não é um dom, mas um processo. Eles vão planejar antes de escrever, revisar o que escreveram e apresentar o resultado com confiança. Cada etapa tem um propósito claro: o planejamento trabalha a organização do pensamento, a escrita colaborativa desenvolve a atenção às normas da língua, e o sarau coloca em prática a oralidade com intencionalidade. A ideia é que, ao final das três aulas, o aluno consiga perceber a diferença entre um texto bem estruturado e um rascunho inicial, e entenda por que essa diferença importa.

  • Planejar coletivamente a estrutura de um conto de aventura, identificando personagens, cenário, conflito e desfecho.
  • Escrever um conto colaborativo com coerência narrativa, usando conectivos, pontuação expressiva e ortografia adequada.
  • Revisar e reescrever trechos do próprio texto a partir de perguntas orientadoras do professor e da leitura em grupo.
  • Apresentar o conto oralmente com entonação e expressividade, respeitando o tempo de fala e a escuta dos colegas.
  • Identificar e nomear recursos linguísticos usados nas narrativas durante a roda de conversa final.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF15LP01: Identificar a função social de textos que circulam em campos da vida social dos quais participa cotidianamente (a casa, a rua, a comunidade, a escola) e nas mídias impressa, de massa e digital, reconhecendo para que foram produzidos, onde circulam, quem os produziu e a quem se destinam. Conheça mais sobre a EF15LP01
  • EF35LP07: Reconhecer recursos de coesão referencial: substituições lexicais (de substantivos por sinônimos) ou pronominais (uso de pronomes anafóricos – pessoais, possessivos, demonstrativos). Conheça mais sobre a EF35LP07
  • EF35LP25: Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de eventos e imagens apropriadas para sustentar o sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço e de fala de personagens. Conheça mais sobre a EF35LP25
  • EF35LP26: Ler e compreender, com certa autonomia, narrativas ficcionais que apresentem cenários e personagens, observando os elementos da estrutura narrativa: enredo, tempo, espaço, personagens, narrador e a construção do discurso indireto e discurso direto. Conheça mais sobre a EF35LP26
  • EF05LP10: Usar, ao produzir texto, recursos de coesão referencial (léxica e pronominal) e sequencial, e outros recursos expressivos adequados ao gênero textual. Conheça mais sobre a EF05LP10
  • EF05LP27: Reconhecer e utilizar os recursos de progressão temática, como retomadas anafóricas (pronomes, sinônimos, hiperônimos, reticências etc.) e catáforas (pronomes demonstrativos, dois pontos etc.). Conheça mais sobre a EF05LP27
  • EF15LP09: Expressar-se em situações de intercâmbio oral com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa articulação e ritmo adequado. Conheça mais sobre a EF15LP09
  • EF15LP10: Escutar, com atenção, falas de professores e colegas, formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando esclarecimentos sempre que necessário. Conheça mais sobre a EF15LP10
  • EF35LP06: Recuperar relações entre partes de um texto, identificando substituições lexicais (de substantivos por sinônimos) ou pronominais (uso de pronomes anafóricos) que contribuem para a continuidade do texto. Conheça mais sobre a EF35LP06

Conteúdo Programático

Os conteúdos dessa atividade não aparecem de forma isolada. Eles surgem dentro da prática de criar e contar histórias, o que dá contexto real para cada conceito trabalhado. A ortografia, por exemplo, aparece no momento da escrita colaborativa, quando o grupo precisa decidir como uma palavra é grafada. Os conectivos ganham sentido quando o grupo percebe que a história ficou confusa sem eles. Essa abordagem integrada faz com que o conteúdo programático seja vivenciado, não apenas memorizado.

  • Estrutura narrativa: início, desenvolvimento, clímax e desfecho.
  • Elementos do conto: personagem, narrador, tempo, espaço e conflito.
  • Ortografia e convenções da escrita: uso de maiúsculas, acentuação e grafia de palavras.
  • Conectivos e operadores de sequência narrativa: então, depois, de repente, no entanto, por isso.
  • Pontuação expressiva: uso de reticências, exclamação e travessão em diálogos.
  • Coesão e coerência textual: retomadas pronominais e substituições lexicais.
  • Oralidade: entonação, ritmo, volume de voz e expressividade na leitura em voz alta.
  • Análise linguística: identificação de recursos de estilo usados nas narrativas dos colegas.

Metodologia

A atividade combina três metodologias em sequência lógica. Na primeira aula, a Aprendizagem Baseada em Projetos coloca os grupos para tomar decisões reais sobre a história que vão criar, usando as cartas-sorteio como ponto de partida. Isso gera engajamento porque cada grupo tem um conjunto diferente de elementos e precisa resolver o desafio de montar uma narrativa coerente com o que recebeu. Na segunda aula, a proposta mão-na-massa garante que a escrita aconteça de verdade, com o professor atuando como orientador que faz perguntas, não como quem dá respostas prontas. Na terceira aula, o sarau e a roda de conversa permitem que os alunos compartilhem o que produziram e reflitam sobre as escolhas linguísticas feitas, fechando o ciclo de aprendizagem.

  • Aprendizagem Baseada em Projetos (Aula 1): grupos recebem cartas-sorteio e constroem o esquema narrativo do conto de forma coletiva.
  • Atividade Mão-na-massa (Aula 2): escrita colaborativa do conto com revisão em processo, mediada por perguntas orientadoras do professor.
  • Sarau literário (Aula 3): apresentação oral dos contos para a turma, com foco em expressividade e escuta respeitosa.
  • Roda de conversa (Aula 3): análise coletiva dos recursos linguísticos e semióticos usados nas histórias apresentadas.
  • Mediação ativa do professor: circulação pelos grupos durante a escrita, fazendo perguntas como 'o leitor vai entender essa parte?' ou 'como podemos ligar essa cena com a próxima?'.

Aulas e Sequências Didáticas

As três aulas foram pensadas em progressão: primeiro os alunos planejam, depois escrevem e, por fim, apresentam e refletem. Cada aula tem um produto concreto ao final, o que ajuda especialmente os alunos com TDAH a perceberem o avanço do trabalho. O tempo de 40 minutos é curto, então cada aula começa direto na atividade, sem longas explicações iniciais. As instruções são dadas de forma breve e, quando necessário, o professor retoma combinados durante a aula.

  • Aula 1 – Planejando o conto: Os grupos recebem as cartas-sorteio com personagens, cenários e conflitos. Com esses elementos em mãos, planejam coletivamente a estrutura do conto e registram o esquema narrativo em folha sulfite, desenhando ou escrevendo os blocos de início, desenvolvimento e desfecho.
  • Momento 1: Apresentação da proposta e formação dos grupos (Estimativa: 7 minutos)
    Inicie a aula reunindo os alunos e apresentando a proposta da atividade 'Batalha de Histórias' de forma entusiasmada e clara. Explique que ao longo de três aulas eles vão criar, escrever e apresentar um conto para a turma, usando apenas papel, caneta e muita imaginação. Destaque que cada grupo receberá cartas especiais com os ingredientes da história e que o desafio é transformar esses elementos em um conto criativo e bem estruturado. Em seguida, organize a turma em grupos de 4 a 5 alunos. É importante que a formação dos grupos seja feita por você com antecedência, levando em conta o perfil da turma, garantindo que cada grupo tenha alunos com diferentes habilidades e que os alunos com TDAH estejam distribuídos de forma equilibrada. Peça que os alunos se sentem juntos e organizem o espaço para o trabalho coletivo. Observe se todos os grupos estão acomodados e prontos antes de seguir para o próximo momento.

    Momento 2: Apresentação da estrutura narrativa e dos elementos do conto (Estimativa: 8 minutos)
    Antes de distribuir as cartas, dedique alguns minutos para ativar os conhecimentos prévios dos alunos sobre a estrutura de um conto. Escreva no quadro os blocos: INÍCIO, DESENVOLVIMENTO (com clímax) e DESFECHO. Pergunte à turma: 'O que acontece no início de uma história? E no final? O que é o conflito de um conto?' Permita que os alunos respondam livremente e vá complementando as respostas com exemplos simples, como: 'No início, conhecemos os personagens e o cenário. No desenvolvimento, surge um problema ou desafio. No desfecho, o problema é resolvido de alguma forma.' Escreva também no quadro os elementos essenciais: personagem, narrador, tempo, espaço e conflito. Essa etapa é fundamental para que os grupos tenham uma referência clara ao planejar seus contos. É importante que essa explicação seja breve, visual e dialogada, evitando longas falas expositivas que possam dispersar a atenção dos alunos.

    Momento 3: Sorteio e exploração das cartas (Estimativa: 5 minutos)
    Distribua para cada grupo o envelope com as três cartas-sorteio: uma com o personagem, uma com o cenário e uma com o conflito. Peça que cada grupo abra o envelope juntos e leia em voz alta as cartas para os colegas. Dê um ou dois minutos para que os grupos reajam, discutam as primeiras impressões e comecem a imaginar possibilidades para a história. Circule pela sala observando as reações e incentivando a criatividade: 'Que situação interessante! O que vocês acham que pode acontecer com esse personagem nesse lugar?' Esse momento de descoberta é muito motivador e ajuda a engajar todos os alunos, inclusive aqueles com maior dificuldade de concentração. Evite interferir nas escolhas criativas dos grupos nessa etapa, apenas estimule a conversa entre eles.

    Momento 4: Planejamento coletivo e construção do esquema narrativo (Estimativa: 15 minutos)
    Oriente cada grupo a pegar uma folha sulfite e dividir em três partes ou blocos, escrevendo ou desenhando o esquema narrativo do conto: INÍCIO, DESENVOLVIMENTO e DESFECHO. Explique que esse esquema é o 'mapa' da história e que não precisa ser um texto completo, apenas um roteiro com as ideias principais de cada parte. Sugira que respondam, por escrito no esquema, perguntas como: 'Quem são os personagens? Onde e quando a história acontece? Qual é o problema ou conflito? Como o personagem tenta resolver? Como tudo termina?' Circule ativamente pelos grupos durante todo esse momento, fazendo perguntas orientadoras como: 'O leitor vai saber logo no início quem é o personagem principal?', 'O conflito que vocês escolheram aparece claramente no desenvolvimento?', 'O desfecho resolve o problema da história?' É importante que você não dê as respostas, mas provoque o pensamento do grupo com perguntas que os façam refletir e tomar decisões juntos. Observe se todos os integrantes estão participando e, caso algum aluno esteja se isolando, aproxime-se e faça uma pergunta diretamente a ele para incluí-lo na conversa. Ao final desse momento, cada grupo deve ter um esquema narrativo registrado em papel, pronto para ser usado como guia na próxima aula.

    Momento 5: Socialização rápida e encerramento (Estimativa: 5 minutos)
    Para encerrar a aula, peça que um representante de cada grupo compartilhe rapidamente com a turma os três elementos que receberam nas cartas e a ideia geral do conto que planejaram. Essa socialização breve cria um clima de curiosidade e antecipação para as próximas aulas, além de permitir que você faça uma avaliação formativa rápida sobre o nível de compreensão da estrutura narrativa por cada grupo. Registre mentalmente ou em sua lista de acompanhamento quais grupos conseguiram estruturar o esquema com início, conflito e desfecho claros, e quais precisarão de mais apoio no início da Aula 2. Finalize dizendo à turma que na próxima aula chegará a hora de transformar esse esquema em um conto de verdade, escrito com capricho, conectivos e pontuação expressiva. Recolha os esquemas narrativos ou oriente os grupos a guardá-los com cuidado para usar na aula seguinte.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está fazendo um trabalho incrível ao propor uma atividade tão rica e significativa para sua turma! Para os alunos com TDAH, algumas adaptações simples podem fazer uma grande diferença sem sobrecarregar seu planejamento.

    Durante a formação dos grupos (Momento 1), posicione os alunos com TDAH próximos a colegas mais organizados e pacientes, e de preferência em lugares da sala com menos distrações visuais e sonoras, como longe da janela ou da porta. Grupos menores, de 3 a 4 alunos, também tendem a funcionar melhor para esses estudantes, pois reduzem a dispersão causada por muitas vozes ao mesmo tempo.

    No Momento 2, ao explicar a estrutura narrativa no quadro, use cores diferentes para cada bloco (INÍCIO, DESENVOLVIMENTO, DESFECHO) se tiver canetas coloridas disponíveis. Essa diferenciação visual ajuda alunos com TDAH a organizarem as informações com mais facilidade. Mantenha a explicação curta e dinâmica, com perguntas frequentes à turma para manter o engajamento.

    Durante o planejamento do esquema narrativo (Momento 4), que é o momento mais longo da aula, aproxime-se com mais frequência dos grupos que incluem alunos com TDAH. Uma dica prática é dividir a tarefa em pequenas etapas verbais: 'Agora só pensem no início da história. Quando terminarem, me chamem.' Isso ajuda a quebrar a atividade em partes menores e mais gerenciáveis, reduzindo a sensação de sobrecarga. Permita que o aluno com TDAH assuma um papel ativo no grupo, como o de 'escriba' ou 'apresentador', pois ter uma função clara aumenta o senso de responsabilidade e o foco.

    No Momento 5, durante a socialização, ofereça ao aluno com TDAH a opção de apresentar apenas um elemento da história do grupo (por exemplo, só o personagem), caso ele demonstre ansiedade ou dificuldade em organizar o que falar. Lembre-se: pequenas adaptações feitas com cuidado e discrição são suficientes para garantir que esse aluno participe com dignidade e se sinta parte da turma.

  • Aula 2 – Escrevendo o conto: Cada grupo escreve o conto de forma colaborativa, usando o esquema da aula anterior como guia. O professor circula pelos grupos, fazendo perguntas que provocam revisão e reescrita. Ao final, cada grupo relê o texto em voz alta para o próprio grupo como checagem final.
  • Momento 1: Retomada do esquema narrativo e preparação para a escrita (Estimativa: 7 minutos)
    Inicie a aula reunindo brevemente a turma e relembrando o que foi feito na aula anterior. Peça que cada grupo resgate o esquema narrativo produzido na Aula 1 e o coloque sobre a mesa, bem visível para todos os integrantes. Dedique alguns minutos para que os grupos relembrem as decisões que tomaram: quem é o personagem principal, qual é o cenário, qual é o conflito e como imaginaram o desfecho. Enquanto os grupos se organizam, escreva no quadro uma lista de conectivos narrativos de apoio, como: então, depois, de repente, no entanto, por isso, logo em seguida, naquele momento, até que. Explique à turma que esses conectivos são ferramentas que ajudam a ligar as partes da história e tornar a leitura mais fluida. Destaque também no quadro um lembrete sobre pontuação expressiva, com exemplos rápidos do uso de reticências (...), ponto de exclamação (!) e travessão (—) em diálogos. É importante que essa retomada seja ágil e visual, servindo como âncora para os alunos antes de começarem a escrever. Observe se todos os grupos encontraram seus esquemas e se os integrantes estão organizados e prontos para iniciar a produção textual.

    Momento 2: Escrita colaborativa do conto (Estimativa: 20 minutos)
    Oriente os grupos a iniciarem a escrita do conto usando o esquema narrativo como guia. Explique que o texto deve ser escrito em folhas sulfite, com letra legível, e que todos os integrantes devem contribuir com ideias, mesmo que apenas um ou dois sejam os escribas principais. Sugira que o grupo divida as responsabilidades de forma combinada: um aluno pode escrever enquanto os outros ditam, sugerem palavras ou revisam o que foi escrito. Lembre que o conto precisa ter início, desenvolvimento com clímax e desfecho, e que devem usar pelo menos três conectivos da lista do quadro e incluir algum trecho com pontuação expressiva. Durante todo esse momento, circule ativamente pelos grupos, fazendo perguntas orientadoras que provoquem reflexão e reescrita sem dar as respostas prontas. Use perguntas como: 'O leitor vai entender quem é o personagem principal logo no início?', 'Como vocês podem ligar essa cena com a próxima?', 'Esse trecho ficou claro ou precisa de mais detalhes?', 'Tem algum conectivo que poderia entrar aqui para a história fluir melhor?', 'Esse é o momento de maior tensão da história? Como vocês podem deixar isso mais emocionante?'. É importante que você não corrija diretamente os textos nesse momento, mas que suas perguntas levem os próprios alunos a perceberem o que pode ser melhorado. Quando um grupo terminar uma parte e quiser avançar, incentive-os a reler o trecho escrito antes de continuar. Observe se todos os integrantes estão participando e, caso algum aluno esteja alheio à atividade, aproxime-se, faça uma pergunta diretamente a ele e ofereça um papel específico no grupo, como o de revisor ou o de responsável por verificar os conectivos usados.

    Momento 3: Revisão orientada pelo professor (Estimativa: 8 minutos)
    Avise os grupos que estão nos últimos minutos de escrita e que chegou a hora de revisar o texto produzido. Oriente cada grupo a fazer uma leitura silenciosa coletiva do conto, verificando três aspectos principais: se a história tem início, desenvolvimento e desfecho claros; se os conectivos foram usados corretamente; e se a ortografia e a pontuação estão adequadas. Escreva esses três pontos no quadro como um checklist de revisão para que os grupos possam consultar. Durante essa etapa, continue circulando pelos grupos, mas agora com foco em grupos que demonstraram mais dificuldade durante a escrita. Faça perguntas mais específicas, como: 'Vocês conseguem encontrar pelo menos três conectivos no texto de vocês?', 'O desfecho resolve o problema do personagem?', 'Tem alguma palavra que vocês não têm certeza de como se escreve? Vamos pensar juntos.' Permita que os grupos façam ajustes e reescrevam trechos nesse momento, pois a reescrita faz parte do processo real de produção textual e é um dos objetivos centrais desta aula. É importante que você valorize cada melhoria feita, mesmo que pequena, reforçando que revisar e reescrever é o que escritores de verdade fazem.

    Momento 4: Leitura em voz alta para o próprio grupo como checagem final (Estimativa: 5 minutos)
    Oriente cada grupo a escolher um integrante para ler o conto em voz alta para os próprios colegas do grupo, como uma checagem final antes de encerrar a aula. Explique que ouvir o texto lido em voz alta ajuda a perceber trechos que soam estranhos, palavras repetidas ou partes que precisam de mais clareza. Enquanto um integrante lê, os outros devem ouvir com atenção e anotar ou sinalizar qualquer trecho que pareça confuso ou incompleto. Após a leitura, o grupo tem um ou dois minutos para fazer os últimos ajustes. Circule pela sala durante esse momento, ouvindo trechos das leituras e observando a reação dos grupos ao ouvir seus próprios textos. Ao final, recolha os contos produzidos ou oriente os grupos a guardá-los com cuidado para a apresentação na Aula 3. Finalize a aula com uma fala motivadora, destacando o esforço coletivo e antecipando o sarau literário da próxima aula, onde cada grupo terá a oportunidade de apresentar sua história para toda a turma.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está conduzindo uma atividade muito rica e significativa para sua turma, e pequenas adaptações podem garantir que os alunos com TDAH participem de forma plena e com dignidade em todos os momentos desta aula.

    No Momento 1, durante a retomada do esquema narrativo, posicione os alunos com TDAH de forma que o quadro com os conectivos e as dicas de pontuação esteja bem visível para eles. Se possível, entregue uma versão impressa ou escrita à mão dessa lista diretamente para os grupos que incluem esses alunos, evitando que precisem copiar do quadro antes de começar a escrever, o que pode gerar frustração e perda de tempo de engajamento.

    Durante o Momento 2, que é o mais longo e exige maior concentração, uma estratégia eficaz é dividir a tarefa de escrita em etapas menores e verbais para os grupos com alunos com TDAH. Ao passar pelo grupo, diga algo como: 'Agora só escrevam o início da história. Quando terminarem essa parte, me chamem.' Isso quebra a atividade em blocos gerenciáveis e reduz a sensação de sobrecarga. Atribua ao aluno com TDAH um papel ativo e claro dentro do grupo, como o de escriba, o de responsável por verificar os conectivos ou o de 'detetive da pontuação', pois ter uma função definida aumenta o senso de responsabilidade e favorece o foco. Aumente a frequência das suas passagens por esses grupos, fazendo check-ins rápidos e positivos, como: 'Que trecho interessante! O que vem depois?' Evite chamar atenção do aluno de forma pública caso ele esteja disperso; prefira uma abordagem discreta e próxima.

    No Momento 3, durante a revisão com o checklist, use o próprio quadro como apoio visual e aponte fisicamente para cada item ao orientar os grupos. Para alunos com TDAH, ter um checklist impresso ou desenhado na própria folha do conto pode ser muito útil, pois permite que eles marquem cada item revisado, dando uma sensação concreta de progresso e conclusão.

    No Momento 4, durante a leitura em voz alta para o grupo, ofereça ao aluno com TDAH a opção de ser o leitor, caso ele demonstre interesse, pois a leitura em voz alta é uma atividade que frequentemente favorece o engajamento de alunos com esse perfil. Se ele preferir não ler, permita que assuma o papel de 'anotador de ajustes', sinalizando com um lápis os trechos que o grupo decidir modificar. Lembre-se: o mais importante é que o aluno se sinta parte ativa do processo, e não um espectador da produção dos colegas.

  • Aula 3 – Sarau e roda de conversa: Os grupos apresentam seus contos oralmente para a turma no formato sarau. Depois de todas as apresentações, o professor conduz uma roda de conversa sobre os recursos linguísticos usados, como conectivos, pontuação e escolhas de palavras marcantes.
  • Momento 1: Preparação do sarau e organização do espaço (Estimativa: 5 minutos)
    Inicie a aula criando um clima especial para o sarau literário. Reorganize as carteiras em semicírculo ou em formato de plateia, de modo que todos os alunos possam ver e ouvir os grupos que vão se apresentar. Explique à turma que essa aula é um momento de celebração do trabalho realizado nas aulas anteriores e que cada grupo terá a oportunidade de compartilhar sua história com toda a turma. Retome brevemente as combinações de convivência para o sarau: escuta respeitosa, sem interrupções durante as apresentações, aplausos ao final de cada conto e atenção ao volume de voz de quem apresenta. Peça que os grupos resgatem seus contos escritos e se preparem para a apresentação, definindo entre si quem vai ler e de que forma. Permita que os grupos tenham um ou dois minutos para essa organização interna antes de começar as apresentações. É importante que você transmita entusiasmo e valorize esse momento como algo significativo, pois isso influencia diretamente o engajamento e a disposição dos alunos para se apresentarem.

    Momento 2: Sarau literário — apresentações dos contos (Estimativa: 20 minutos)
    Dê início ao sarau convidando o primeiro grupo a se posicionar à frente da turma para apresentar seu conto. Oriente que a apresentação pode ser feita com um aluno lendo o texto inteiro, com a leitura dividida entre os integrantes por partes ou trechos, ou ainda com um aluno narrando enquanto outro lê os diálogos. Lembre os grupos de usar entonação variada, volume de voz audível e expressividade para tornar a história mais envolvente para quem ouve. Durante cada apresentação, observe atentamente os seguintes aspectos para fins de avaliação oral: volume de voz, variação de entonação nos momentos de tensão ou emoção, contato visual com a turma e escuta respeitosa dos colegas enquanto outro grupo apresenta. Anote suas observações em sua rubrica de avaliação de forma discreta. Ao final de cada apresentação, conduza um aplauso coletivo e faça um breve comentário positivo sobre algo específico do conto apresentado, como: 'Adorei a forma como vocês criaram suspense nesse trecho!' ou 'A escolha do cenário deixou a história muito visual!' Esses comentários valorizam o esforço dos alunos e modelam para a turma o tipo de atenção que devem ter ao ouvir os colegas. Distribua o tempo de forma equitativa entre os grupos, garantindo que todos consigam se apresentar dentro desse momento. Caso a turma tenha muitos grupos, ajuste o tempo de cada apresentação para aproximadamente 3 a 4 minutos por grupo.

    Momento 3: Roda de conversa sobre recursos linguísticos (Estimativa: 12 minutos)
    Após todas as apresentações, conduza a turma para uma roda de conversa sobre os recursos linguísticos presentes nas histórias ouvidas. Reorganize o espaço se necessário, pedindo que todos se sentem em círculo para que possam se ver durante a conversa. Inicie com uma pergunta aberta e motivadora: 'O que vocês perceberam nas histórias que ouviram hoje? Teve alguma palavra, frase ou trecho que chamou atenção de vocês?' Permita que os alunos respondam livremente e vá conduzindo a conversa em direção aos recursos linguísticos trabalhados ao longo das aulas. À medida que os alunos citarem exemplos, escreva no quadro os recursos identificados, organizando-os em categorias como: conectivos usados, pontuação expressiva e escolhas de palavras marcantes. Use perguntas orientadoras para aprofundar a análise, como: 'Por que vocês acham que esse grupo usou reticências nesse momento da história?', 'Qual conectivo apareceu mais vezes nas histórias de hoje? Por que ele é tão útil numa narrativa?', 'Teve alguma palavra que vocês não esperavam e que deixou a história mais interessante? Qual foi?' É importante que você não transforme essa conversa em uma aula expositiva, mas sim em um diálogo genuíno em que os alunos são os protagonistas da análise. Valorize todas as contribuições e, quando necessário, reformule as falas dos alunos usando a terminologia adequada, como: 'Isso que você percebeu é exatamente o que chamamos de conectivo de oposição!' Observe se todos os alunos têm oportunidade de participar e, caso algum esteja mais quieto, faça uma pergunta direta e acolhedora para incluí-lo na conversa.

    Momento 4: Encerramento e valorização do processo (Estimativa: 3 minutos)
    Finalize a aula com uma fala de encerramento que valorize o percurso completo realizado pelos alunos ao longo das três aulas. Destaque que eles vivenciaram o processo real de criação literária: planejaram, escreveram, revisaram, reescreveram e apresentaram suas histórias. Reforce que escritores de verdade fazem exatamente isso. Se possível, combine com a turma o que será feito com os contos produzidos, como expô-los em um mural da sala, organizá-los em um pequeno livro coletivo feito à mão ou guardá-los como memória da turma. Essa combinação final dá sentido ao produto criado e reforça o valor do trabalho realizado. Encerre com um aplauso coletivo para toda a turma, celebrando o esforço e a criatividade de todos.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você realizou um trabalho incrível ao conduzir essa atividade até o sarau! Para garantir que os alunos com TDAH participem com dignidade e protagonismo nessa aula final, algumas adaptações simples podem fazer grande diferença.

    No Momento 1, durante a reorganização do espaço, posicione os alunos com TDAH em lugares estratégicos do semicírculo ou da plateia, preferencialmente próximos a você e longe de fontes de distração, como portas, janelas ou colegas que possam dispersá-los. Ao explicar as combinações do sarau, seja direto e use linguagem simples, repetindo os combinados de forma breve se necessário.

    No Momento 2, durante as apresentações, ofereça ao aluno com TDAH a opção de escolher qual parte do conto ele quer ler ou apresentar, em vez de impor uma divisão. Ter uma função clara e delimitada, como ler apenas o trecho do clímax ou apresentar os personagens, reduz a ansiedade e aumenta o foco. Se o aluno demonstrar agitação enquanto espera a vez do grupo, permita que ele segure o texto nas mãos ou faça uma marcação discreta no trecho que vai ler, pois ter algo concreto para manipular ajuda a canalizar a energia. Evite qualquer correção pública durante a apresentação; prefira um elogio genuíno ao final.

    No Momento 3, durante a roda de conversa, alunos com TDAH podem ter dificuldade em aguardar a vez de falar. Uma estratégia eficaz é combinar um sinal visual ou gestual discreto com o aluno antes de iniciar a roda, indicando que ele terá sua vez garantida em determinado momento. Isso reduz a impulsividade de interromper, pois o aluno sabe que será incluído. Mantenha as perguntas da roda curtas e objetivas, e valorize as contribuições do aluno com TDAH de forma genuína quando ele participar de forma adequada, reforçando positivamente o comportamento desejado. Lembre-se: pequenas adaptações feitas com cuidado e sem expor o aluno diante da turma são suficientes para garantir uma participação plena e respeitosa.

Avaliação

A avaliação dessa atividade acontece em dois momentos principais: durante o processo e ao final. O professor observa os grupos nas aulas 1 e 2, anotando como os alunos colaboram, como lidam com divergências e como respondem às perguntas orientadoras. Esse acompanhamento formativo permite ajustes em tempo real. Na aula 3, a apresentação oral e a participação na roda de conversa oferecem evidências do que cada aluno aprendeu sobre narrativa e linguagem. Para alunos com TDAH, a avaliação considera o engajamento e as contribuições pontuais ao grupo, não apenas o produto final escrito.

  • Avaliação Formativa em Processo: Objetivo: acompanhar o desenvolvimento da escrita e do trabalho em grupo durante as aulas 1 e 2. Critérios: participação nas decisões do grupo, capacidade de revisar trechos a partir de perguntas do professor, uso de conectivos e pontuação no texto produzido. Exemplo prático: o professor anota em uma lista simples (sim/parcialmente/ainda não) se cada grupo conseguiu estruturar o esquema narrativo com início, conflito e desfecho claros.
  • Avaliação do Produto Escrito: Objetivo: verificar se o conto produzido atende aos critérios de coerência, coesão e norma ortográfica. Critérios: presença dos elementos narrativos (personagem, cenário, conflito, desfecho), uso de pelo menos três conectivos de sequência, ortografia adequada às palavras trabalhadas em aula, pontuação expressiva em pelo menos um trecho. Exemplo prático: o professor usa uma rubrica com quatro critérios e três níveis (atingiu, atingiu parcialmente, ainda não atingiu), preenchida após a leitura do conto entregue.
  • Avaliação da Apresentação Oral: Objetivo: observar o uso da oralidade com intencionalidade expressiva. Critérios: volume de voz audível, variação de entonação em momentos de tensão ou emoção, manutenção do contato visual com a turma, escuta respeitosa durante as apresentações dos colegas. Adaptação para TDAH: alunos que demonstrarem dificuldade em apresentar sozinhos podem dividir a leitura em partes menores com o grupo, sendo avaliados pela contribuição à apresentação coletiva.

Materiais e ferramentas:

Todos os materiais dessa atividade são analógicos e de baixo custo. A escolha por recursos físicos é intencional: o contato com papel e caneta favorece a concentração, especialmente para alunos com TDAH, que tendem a se dispersar mais facilmente diante de telas. As cartas-sorteio podem ser preparadas pelo professor com antecedência, escritas à mão ou digitadas e impressas em papel comum, cortadas em tiras. Não é preciso nada sofisticado. O que importa é que os materiais sejam organizados antes da aula para que o tempo dos 40 minutos seja aproveitado ao máximo.

  • Cartas-sorteio em papel (uma por grupo): conjuntos com 3 cartas cada, contendo um personagem, um cenário e um conflito diferentes para cada grupo.
  • Folhas sulfite (pelo menos 4 por grupo): para o esquema narrativo na aula 1 e para a escrita do conto na aula 2.
  • Canetas ou lápis para todos os alunos.
  • Borracha e lápis de cor (opcional): para destacar partes do esquema narrativo na aula 1.
  • Lista de conectivos narrativos impressa ou escrita no quadro: referência de apoio durante a escrita na aula 2.
  • Quadro e giz ou lousa e caneta: para o professor registrar os recursos linguísticos identificados na roda de conversa da aula 3.
  • Folha de rubrica de avaliação (uma por grupo): para o professor usar durante a circulação nas aulas 1 e 2.

Inclusão e acessibilidade

Trabalhar com alunos com TDAH em atividades de escrita criativa pode ser muito mais tranquilo do que parece, especialmente quando a proposta tem etapas curtas e produtos visíveis. Algumas adaptações simples fazem grande diferença sem exigir preparo extra do professor. O formato em grupo já ajuda bastante, porque distribui a demanda de concentração e permite que o aluno com TDAH contribua de formas variadas, seja falando, desenhando o esquema ou sendo o leitor do grupo no sarau. Fique atento se algum aluno estiver se isolando do grupo ou reagindo com frustração quando a história não sai como ele imaginou. Esses são sinais de que vale uma conversa rápida e um reposicionamento da tarefa.

  • Divida as instruções de cada aula em no máximo dois passos por vez, escrevendo-os no quadro para que o aluno com TDAH possa consultar sem precisar pedir repetição.
  • Permita que o aluno com TDAH assuma um papel ativo e movimentado dentro do grupo, como ser o responsável por buscar os materiais, sortear as cartas ou apresentar o conto no sarau.
  • Durante a escrita na aula 2, ofereça ao aluno com TDAH uma versão do esquema narrativo com espaços delimitados para preencher, reduzindo a sensação de 'página em branco'.
  • Combine com a turma um sinal combinado (como levantar a mão) para indicar que precisam de ajuda, evitando que alunos com impulsividade interrompam os colegas durante a escrita.
  • Na roda de conversa da aula 3, use perguntas diretas e curtas para incluir alunos que têm dificuldade de acompanhar discussões longas, como 'qual palavra você achou mais interessante nessa história?'.
  • Evite comparar os textos dos grupos em voz alta. O foco da roda de conversa deve ser nos recursos linguísticos, não em qual história foi 'melhor'.
  • Se um aluno com TDAH demonstrar agitação durante a apresentação dos colegas, ofereça uma tarefa de escuta ativa, como anotar uma palavra que chamou atenção em cada história apresentada.

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