Essa atividade foi pensada para o 9º ano e tem um objetivo bem claro: mostrar para os alunos que argumentar bem não é dom, é técnica. E técnica se aprende. A proposta une duas frentes que costumam andar separadas nas aulas de Português — a escrita e a fala — e coloca os dois pés no chão: os textos usados são redações reais do ENEM e textos de opinião de portais de notícias que os próprios alunos já conhecem.
Na primeira aula, o professor apresenta os pilares da argumentação: tese, argumentos, contra-argumentos e conclusão. Mas não de forma abstrata. A ideia é pegar um texto de opinião atual, projetar na lousa e ir desmontando junto com a turma — 'onde está a tese aqui?', 'que operador argumentativo o autor usou nessa virada?'. Os recursos linguísticos e semióticos entram nesse contexto: não como lista de figuras de linguagem para decorar, mas como escolhas que o autor fez para convencer o leitor.
Na segunda aula, o jogo vira. Os alunos saem do papel de leitores e assumem o de debatedores. Recebem um tema polêmico contemporâneo — algo que realmente gere opinião dividida na faixa etária deles — e debatem em grupos, tentando aplicar o que estudaram. Quem usa bem os operadores argumentativos? Quem consegue antecipar o contra-argumento do colega? Ao final do debate, cada aluno produz um parágrafo argumentativo escrito. Esse parágrafo funciona como uma síntese individual: mostra se o aluno conseguiu transferir o que debateu oralmente para a escrita.
A atividade cobre oralidade, leitura, gramática, análise semiótica e produção textual de forma integrada. Não são cinco aulas separadas — são dois encontros que se complementam e preparam o aluno tanto para o ENEM quanto para situações reais de comunicação.
O foco principal aqui é fazer o aluno perceber que argumentar é uma habilidade que ele já usa no dia a dia — em discussões com amigos, em comentários nas redes sociais — e que a escola pode ajudá-lo a fazer isso com mais precisão e consciência. Nas duas aulas, o aluno vai transitar entre ler, falar e escrever com o mesmo objetivo: convencer. Essa transição entre modalidades é intencional e pedagógica. Quando o aluno debate oralmente e depois precisa transformar aquilo em escrita, ele passa por um processo de organização do pensamento que é muito mais eficaz do que simplesmente copiar uma estrutura de redação. A ideia é que, ao final, ele saia com ferramentas concretas para usar tanto numa redação de vestibular quanto numa conversa que exige posicionamento.
O conteúdo programático foi organizado para que a gramática e os recursos linguísticos não apareçam como tópicos isolados, mas como ferramentas a serviço da argumentação. Operadores argumentativos, por exemplo, são trabalhados no momento em que o aluno precisa deles para estruturar seu raciocínio — não como lista para memorizar. O mesmo vale para as figuras de linguagem: entram como escolhas retóricas que autores reais fazem em textos reais. Essa ancoragem em textos autênticos é o que dá sentido ao conteúdo e facilita a transferência para a produção do aluno.
A aula expositiva da primeira aula não é uma palestra — é uma análise guiada. O professor conduz a turma pela leitura de um texto de opinião, fazendo perguntas que levam os alunos a identificar os recursos argumentativos por conta própria antes de nomeá-los. Já a roda de debate da segunda aula coloca o aluno no centro: ele precisa tomar decisões em tempo real sobre como defender sua posição, ouvir o colega e reformular seu argumento. Essa combinação de metodologias garante que o aluno tenha suporte conceitual antes de ser desafiado a agir de forma autônoma.
As duas aulas foram pensadas em sequência lógica: a primeira constrói o repertório conceitual e a segunda exige que o aluno coloque esse repertório em prática. O intervalo entre as aulas, se houver, pode ser aproveitado para o professor selecionar o tema do debate com base nos interesses da turma — o que aumenta o engajamento na segunda aula. Cada aula tem 50 minutos e foi organizada para que nenhuma etapa fique sem tempo adequado.
Momento 1: Abertura e ativação de conhecimentos prévios (Estimativa: 8 minutos)
Inicie a aula fazendo uma pergunta provocadora para a turma: 'Você já tentou convencer alguém de algo e não conseguiu? O que faltou?' Permita que dois ou três alunos respondam brevemente, sem julgamento. Em seguida, apresente o título da atividade — 'Quem Convence Mais? O Duelo das Palavras!' — e explique, de forma direta, que argumentar bem é uma técnica que pode ser aprendida, não um dom natural. É importante que você conecte esse momento com situações reais da vida dos alunos, como convencer os pais de algo, defender uma opinião nas redes sociais ou escrever a redação do ENEM. Esse gancho inicial aumenta o engajamento e dá sentido ao conteúdo que virá. Observe se os alunos demonstram curiosidade ou resistência ao tema — isso vai orientar o ritmo da aula.
Momento 2: Apresentação dos pilares da argumentação (Estimativa: 10 minutos)
Projete na lousa um esquema visual simples com os quatro pilares do texto dissertativo-argumentativo: tese, argumentos, contra-argumentos e conclusão. Explique cada elemento com uma linguagem direta e use exemplos do cotidiano antes de ir para os textos formais. Por exemplo: 'A tese é a sua posição — o que você defende. O argumento é a razão que sustenta essa posição. O contra-argumento é o que o outro lado diria. E a conclusão retoma tudo isso com força.' Escreva esses conceitos na lousa de forma visual, usando cores ou setas se possível, para que os alunos possam registrar no caderno. É importante que esse registro fique visível durante toda a aula, pois servirá de referência para os momentos seguintes. Para alunos com TDAH, a visualização constante do esquema ajuda a manter o foco e a organização das ideias.
Momento 3: Análise guiada do texto de opinião (Estimativa: 15 minutos)
Projete ou distribua um artigo de opinião atual de um portal como Nexo, Agência Pública ou G1 Opinião. Escolha um texto sobre um tema que dialogue com a realidade dos alunos de 14 e 15 anos — como redes sociais, saúde mental jovem ou desigualdade no acesso à tecnologia. Conduza a leitura coletiva em voz alta, parando em pontos estratégicos para fazer perguntas direcionadas: 'Onde está a tese nesse parágrafo?', 'Que palavra o autor usou para introduzir o contra-argumento?', 'Por que ele escolheu essa metáfora aqui — o que ela provoca no leitor?'. À medida que os elementos forem identificados, registre-os coletivamente na lousa, construindo um mapa visual da estrutura argumentativa do texto. Permita que os alunos respondam às perguntas antes de você confirmar ou corrigir — o erro orientado também é aprendizagem. Observe se os alunos conseguem distinguir tese de argumento, pois essa é uma confusão comum nessa faixa etária. Inclua nesse momento a identificação de pelo menos um operador argumentativo (como 'no entanto', 'portanto', 'além disso') e uma figura de linguagem com função persuasiva, contextualizando-os como escolhas do autor para convencer, não como itens de lista para decorar.
Momento 4: Comparação entre dois textos com posições opostas (Estimativa: 12 minutos)
Apresente um segundo texto curto — pode ser um trecho de redação nota 1000 do ENEM ou um segundo artigo de opinião — que aborde o mesmo tema do texto anterior, mas com posição contrária. Peça que os alunos, em duplas ou trios, identifiquem: qual é a tese desse segundo texto, que argumentos ele usa e como a conclusão se diferencia da do primeiro. Dê de 5 a 6 minutos para essa atividade em dupla e depois retome coletivamente, pedindo que algumas duplas compartilhem o que encontraram. É importante que você conduza a comparação destacando como as escolhas lexicais — palavras com carga positiva, negativa ou neutra — mudam a percepção do leitor sobre o mesmo tema. Esse momento ativa a análise crítica e prepara os alunos para o debate da Aula 2. Para alunos com baixa participação por fatores socioeconômicos, o trabalho em dupla reduz a pressão da exposição individual e garante que todos possam contribuir.
Momento 5: Sistematização coletiva e encerramento (Estimativa: 5 minutos)
Retome o esquema visual construído na lousa ao longo da aula e faça uma síntese oral com a turma: 'O que aprendemos hoje sobre como um texto argumentativo é construído?' Incentive dois ou três alunos a responderem com suas próprias palavras. Em seguida, antecipe o que acontecerá na Aula 2: 'Na próxima aula, vocês vão sair do papel de leitores e virar debatedores — vão usar tudo isso na prática.' Essa antecipação cria expectativa e dá sentido ao que foi estudado. Oriente os alunos a revisarem o esquema registrado no caderno antes da próxima aula. Como avaliação formativa desse momento, observe se os alunos conseguem nomear ao menos dois elementos da estrutura argumentativa e um recurso linguístico com função persuasiva — isso indica que os objetivos da Aula 1 foram atingidos.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você está diante de uma turma diversa e isso é, antes de tudo, uma riqueza. As adaptações a seguir são simples, viáveis e não exigem recursos extras — apenas um olhar atento e algumas escolhas pedagógicas intencionais.
Para alunos com TDAH: Mantenha o esquema visual dos pilares da argumentação visível na lousa durante toda a aula — isso funciona como âncora para quem perde o fio da meada. Divida as instruções em etapas curtas e uma de cada vez, evitando blocos longos de explicação. Durante a análise guiada, chame esses alunos para responder perguntas objetivas e pontuais, o que ajuda a redirecionar a atenção sem expô-los negativamente. Se possível, posicione-os próximos à lousa ou à sua posição de fala. O trabalho em dupla do Momento 4 também é especialmente benéfico, pois o movimento social ajuda a manter o engajamento.
Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 2): Avise com antecedência, ainda no início da aula, a estrutura do que será feito — 'Hoje vamos fazer cinco coisas: ver um esquema, ler dois textos, comparar e registrar.' Essa previsibilidade reduz a ansiedade. Durante a leitura coletiva, evite chamar esses alunos para ler em voz alta sem aviso prévio. Prefira oferecer o texto impresso, mesmo que a turma esteja acompanhando pela projeção, pois o suporte físico facilita o acompanhamento. No Momento 4, permita que o aluno trabalhe em dupla com um colega de confiança ou, se preferir, realize a atividade individualmente sem pressão de compartilhar com a turma. Valorize as contribuições escritas tanto quanto as orais.
Para alunos com baixa participação por fatores socioeconômicos: Certifique-se de que os textos estejam disponíveis em cópia impressa para quem não tem acesso a dispositivos digitais. Evite atividades que pressuponham acesso prévio à internet ou a portais de notícias fora da escola. Durante a análise guiada, escolha textos que tratem de temas próximos à realidade desses alunos — isso aumenta o senso de pertencimento e a disposição para participar. O trabalho em dupla do Momento 4 também é uma estratégia inclusiva aqui, pois distribui a responsabilidade e reduz a exposição de quem tem menos confiança para se manifestar individualmente. Reconheça publicamente as contribuições de todos, independentemente do nível de elaboração da resposta.
Momento 1: Retomada dos conteúdos e apresentação do tema do debate (Estimativa: 8 minutos)
Inicie a aula fazendo uma retomada rápida dos conceitos estudados na Aula 1. Projete ou reescreva na lousa o esquema visual com os quatro pilares da argumentação — tese, argumentos, contra-argumentos e conclusão — e pergunte à turma: 'Alguém lembra o que é um operador argumentativo? Me dá um exemplo.' Permita que dois ou três alunos respondam antes de avançar. Em seguida, apresente o tema do debate. Escolha um tema polêmico e contemporâneo que gere opinião genuinamente dividida entre adolescentes de 14 e 15 anos — sugestões: 'O uso de celular deve ser proibido nas escolas?', 'As redes sociais fazem mais mal do que bem para os jovens?' ou 'O trabalho de jovens a partir dos 14 anos deve ser incentivado?'. Escreva o tema na lousa de forma clara e explique que cada grupo vai defender uma posição — a favor ou contra — usando os recursos argumentativos estudados. É importante que você deixe claro que o objetivo não é 'ganhar' o debate, mas argumentar com qualidade. Esse enquadramento reduz a competitividade excessiva e foca no aprendizado.
Momento 2: Organização dos grupos e preparação para o debate (Estimativa: 10 minutos)
Divida a turma em quatro grupos: dois grupos defenderão a posição favorável ao tema e dois grupos defenderão a posição contrária. Prefira grupos de quatro a cinco alunos para garantir que todos tenham espaço de fala. Distribua um cartão de orientação para cada grupo — pode ser impresso ou ditado — com as seguintes instruções: 'Definam a tese do grupo em uma frase. Listem dois argumentos que sustentam essa tese. Pensem em um possível contra-argumento do grupo adversário e preparem uma resposta para ele.' Dê de 7 a 8 minutos para essa preparação. Circule entre os grupos durante esse tempo, observando se os alunos estão conseguindo formular a tese com clareza e se estão usando operadores argumentativos na construção dos argumentos. Intervenha com perguntas orientadoras quando necessário: 'Qual é exatamente a posição do grupo? Conseguem resumir em uma frase?' ou 'Que palavra vocês usariam para introduzir esse segundo argumento?'. Observe se há alunos que estão se omitindo dentro do grupo e incentive a participação distribuída, sugerindo que cada membro fique responsável por apresentar um argumento.
Momento 3: Roda de debate (Estimativa: 18 minutos)
Organize a sala em formato de roda ou em dois blocos frente a frente, de modo que os grupos com posições opostas se vejam. Explique as regras do debate antes de começar: cada grupo tem até 2 minutos para apresentar sua tese e argumentos iniciais; depois, os grupos adversários têm 1 minuto para réplica; por fim, cada grupo tem 1 minuto para tréplica. Você atua como mediador — controle o tempo, garanta que todos os grupos falem e intervenha se o debate perder o foco ou o respeito. Durante o debate, circule discretamente com a ficha de observação formativa, anotando se os alunos usam operadores argumentativos, apresentam tese clara e respondem aos argumentos dos colegas. Não interrompa o debate para corrigir — anote e retome depois. É importante que você valorize publicamente os momentos em que um aluno usa bem um recurso argumentativo: 'Perceberam que ele usou 'no entanto' para introduzir o contra-argumento? Isso é exatamente o que estudamos.' Esse reforço positivo em tempo real orienta toda a turma sem expor negativamente quem erra. Ao final do debate, faça uma breve síntese oral coletiva: 'Quais foram os argumentos mais convincentes? Por quê?'
Momento 4: Produção individual do parágrafo argumentativo (Estimativa: 10 minutos)
Encerrado o debate, peça que cada aluno produza individualmente um parágrafo argumentativo escrito sobre o tema debatido. Oriente que o parágrafo deve conter: uma tese clara, ao menos um argumento desenvolvido, o uso de pelo menos um operador argumentativo e uma frase de conclusão. Projete ou escreva na lousa esses quatro critérios para que os alunos os tenham como referência durante a escrita. Dê de 8 a 9 minutos para a produção. Circule pela sala durante esse tempo, observando o processo de escrita e respondendo dúvidas pontuais sem reescrever pelo aluno — prefira perguntas como 'Sua tese está clara nessa primeira frase?' ou 'Que operador você poderia usar aqui para conectar esse argumento?'. É importante que você recolha os parágrafos ao final para avaliação somativa com a rubrica de quatro níveis (não atingido, em desenvolvimento, atingido, avançado), devolvendo-os com comentários escritos específicos na aula seguinte. Informe os alunos sobre esse processo antes de recolher, para que entendam que o texto será lido com atenção.
Momento 5: Autoavaliação e encerramento (Estimativa: 4 minutos)
Distribua o bilhete de autoavaliação — impresso ou ditado pelo professor — com duas perguntas: 'Qual recurso argumentativo você usou no debate?' e 'O que você mudaria no seu parágrafo se pudesse reescrevê-lo agora?'. Dê de 2 a 3 minutos para que os alunos respondam por escrito. Recolha os bilhetes junto com os parágrafos. Encerre a aula fazendo uma síntese motivadora: 'Hoje vocês saíram do papel de leitores e foram debatedores e escritores. Argumentar bem é uma habilidade que vocês acabaram de praticar — e isso vale para o ENEM, para as redes sociais e para a vida.' Esse fechamento reforça o sentido da atividade e conecta o aprendizado com contextos reais da faixa etária. Observe se os alunos conseguem nomear ao menos um recurso que usaram — isso é um indicador de que os objetivos da Aula 2 foram atingidos.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você está diante de uma turma com necessidades diversas e, com pequenos ajustes no seu planejamento, é possível garantir que todos participem com dignidade e aprendam de verdade. As sugestões a seguir são práticas, viáveis e não exigem recursos extras — apenas um olhar atento e intencional.
Para alunos com TDAH: Durante a preparação do debate (Momento 2), dê as instruções em etapas curtas e uma de cada vez, evitando blocos longos de orientação. O cartão de orientação do grupo funciona como âncora visual e ajuda esses alunos a não perderem o fio da tarefa. Durante o debate (Momento 3), atribua a esses alunos um papel ativo e bem definido dentro do grupo — como ser o responsável por apresentar o contra-argumento —, pois a função clara e o momento de fala delimitado ajudam a canalizar a energia e manter o foco. Se perceber dispersão durante a produção do parágrafo (Momento 4), aproxime-se discretamente e relembre os quatro critérios projetados na lousa, apontando para eles sem interromper a turma. O movimento entre os momentos da aula — preparação, debate, escrita, autoavaliação — já favorece esses alunos, pois a alternância de atividades reduz a monotonia.
Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (Nível 2): Avise no início da aula a estrutura completa do que será feito — 'Hoje vamos fazer cinco coisas: retomar o que aprendemos, preparar o debate em grupo, debater, escrever um parágrafo e fazer uma autoavaliação.' Essa previsibilidade reduz a ansiedade e facilita a participação. Durante a organização dos grupos (Momento 2), permita que esse aluno escolha com quem quer trabalhar ou, se preferir, realize a preparação individualmente e participe do debate de forma mais observadora, contribuindo quando se sentir seguro. Evite chamá-lo para falar durante o debate sem aviso prévio — prefira combinar antes: 'Na hora da réplica, você pode falar se quiser.' Para a produção do parágrafo (Momento 4), garanta que os critérios estejam visíveis na lousa e, se possível, ofereça uma versão impressa desses critérios para que o aluno possa consultá-los sem depender da projeção. Valorize as contribuições escritas com o mesmo peso das orais.
Para alunos com baixa participação por fatores socioeconômicos: Certifique-se de que o cartão de orientação do debate e o bilhete de autoavaliação estejam disponíveis em cópia impressa para todos — não pressuponha que todos conseguem acompanhar apenas pela projeção ou pela fala. Escolha um tema de debate que dialogue diretamente com a realidade desses alunos, como o trabalho jovem ou o acesso à tecnologia, pois o senso de pertencimento ao tema aumenta a disposição para participar. Durante o debate, observe se esses alunos estão tendo espaço de fala dentro do grupo e, se necessário, intervenha gentilmente redistribuindo os turnos: 'Vamos ouvir o que esse grupo tem a dizer.' Reconheça publicamente as contribuições de todos, independentemente do nível de elaboração — uma frase simples e direta também pode ser um bom argumento, e dizer isso em voz alta para a turma fortalece a autoestima e o engajamento desses estudantes.
A avaliação dessa atividade precisa contemplar tanto o processo quanto o produto. Não faz sentido avaliar só a redação final se o aluno passou por um debate e por uma análise coletiva. Por isso, a proposta combina observação formativa durante o debate com avaliação somativa do parágrafo escrito. Para alunos com TDAH ou TEA nível 2, os critérios podem ser apresentados de forma visual antes das atividades, e o feedback pode ser dado individualmente por escrito, evitando exposição desnecessária. Alunos com limitações socioeconômicas que não conseguiram acompanhar o texto em casa devem ter acesso ao material impresso ou projetado durante a própria aula.
Os recursos escolhidos foram pensados para funcionar mesmo em escolas com infraestrutura básica. O essencial é ter acesso a textos impressos ou projetados — tudo o mais é complementar. A escolha por textos de portais de notícias e redações do ENEM garante que o material seja gratuito, atual e diretamente relevante para os alunos. Se a escola tiver projetor, ótimo. Se não tiver, os textos podem ser impressos ou escritos na lousa com os trechos mais relevantes.
Lidar com uma turma que tem TDAH, TEA nível 2 e alunos com limitações socioeconômicas ao mesmo tempo é desafiador — mas muitas adaptações são simples e não exigem trabalho extra significativo. O maior sinal de alerta é o aluno que se isola no debate ou que entrega o parágrafo em branco: isso pode indicar sobrecarga sensorial, dificuldade de organização ou falta de acesso ao material de referência, não falta de capacidade. Pequenos ajustes na estrutura da aula já fazem diferença: instruções visuais claras, grupos menores e a possibilidade de o aluno escrever antes de falar são estratégias que beneficiam toda a turma, não só os alunos com necessidades específicas.
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