Essa sequência de três aulas coloca os alunos no papel de jornalistas e pesquisadores. A ideia central é fazer com que eles não só leiam textos, mas entendam como esses textos funcionam — quais estratégias o autor usou, como os argumentos foram organizados, como as vozes de outras fontes aparecem no texto. Tudo isso para, depois, eles mesmos produzirem algo novo a partir do que leram.
Na primeira aula, o professor apresenta dois ou três textos de gêneros diferentes — uma notícia de jornal, um artigo de divulgação científica e, se possível, um trecho de artigo acadêmico acessível. Os alunos leem, identificam os argumentos centrais, marcam onde aparecem citações diretas e indiretas, e discutem coletivamente o que o autor quis dizer com cada escolha. Essa conversa em grupo é fundamental: os alunos percebem que escrever é uma série de decisões.
Na segunda aula, as duplas recebem um texto-base e têm a tarefa de reescrevê-lo como uma resenha crítica. Eles precisam usar paráfrases para apresentar as ideias do autor, inserir pelo menos uma citação com discurso reportado e acrescentar uma avaliação própria sobre o conteúdo. O professor circula pela sala, tira dúvidas e orienta sem fazer o trabalho por eles.
Na terceira aula, acontece a roda de leitura. Cada dupla compartilha o texto produzido, explica as escolhas que fez e ouve o feedback dos colegas. Esse momento é importante não só para a escrita, mas para o desenvolvimento da escuta ativa e da capacidade de argumentar com respeito. Os alunos aprendem tanto com o próprio texto quanto com o dos outros.
A sequência toda está alinhada à habilidade EM13LP29 da BNCC, que trata exatamente de resumir e resenhar textos usando paráfrases, marcas do discurso reportado e citações. Mas vai além disso: os alunos exercitam leitura crítica, escrita argumentativa e comunicação oral — habilidades essenciais para o Ensino Médio e para a vida.
O foco dessa atividade é fazer os alunos perceberem que ler e escrever são práticas que se alimentam. Quando um aluno consegue identificar como um jornalista ou pesquisador organizou os argumentos, ele passa a ter mais ferramentas para organizar os próprios textos. A reescrita em dupla também é intencional: trabalhar junto obriga os alunos a negociar escolhas, explicar o raciocínio um para o outro e chegar a um texto que os dois entendam e defendam. A roda de leitura fecha o ciclo, porque o aluno precisa apresentar e justificar o que produziu — o que reforça a compreensão de forma muito mais efetiva do que uma prova escrita isolada.
Os conteúdos dessa sequência não aparecem de forma isolada — eles se conectam o tempo todo. Paráfrase e discurso reportado, por exemplo, só fazem sentido quando o aluno está de fato lendo um texto real e tentando reescrevê-lo. Por isso, o conteúdo programático foi pensado para ser trabalhado de forma integrada, sempre a partir dos textos que os alunos têm em mãos. Não é uma aula sobre teoria da linguagem: é uma aula em que a teoria aparece quando o aluno precisa dela para resolver um problema concreto de escrita.
A sequência combina leitura analítica coletiva, produção colaborativa em duplas e compartilhamento em roda de leitura. Cada etapa tem uma função clara. A análise coletiva na primeira aula serve para construir um repertório comum — todos os alunos partem do mesmo ponto antes de escrever. A produção em dupla na segunda aula reduz a ansiedade da escrita e estimula o diálogo sobre as escolhas do texto. A roda de leitura na terceira aula transforma a sala em uma comunidade de leitores e escritores, onde o feedback é parte do aprendizado. O professor atua como mediador, não como o único detentor do conhecimento.
As três aulas foram pensadas em sequência progressiva: da leitura para a escrita, e da escrita para o compartilhamento. Cada aula tem um produto claro — análise coletiva, resenha produzida e apresentação oral — o que ajuda os alunos a saber o que se espera deles em cada momento. O professor pode ajustar o ritmo conforme a turma: se a discussão da primeira aula render muito, parte da produção pode começar ainda nessa aula como rascunho.
Momento 1: Abertura e apresentação da proposta (Estimativa: 10 minutos)
Inicie a aula apresentando a proposta da sequência didática de forma envolvente: diga aos alunos que, ao longo das três aulas, eles vão agir como jornalistas e pesquisadores, lendo textos reais, entendendo como foram construídos e, depois, produzindo os próprios textos. É importante que você contextualize essa proposta conectando-a ao cotidiano deles — pergunte, por exemplo, se já leram uma notícia online hoje, se costumam compartilhar artigos nas redes sociais ou se já se perguntaram como um jornalista decide o que escrever. Permita que dois ou três alunos respondam brevemente, criando um clima de conversa antes da leitura. Em seguida, projete ou escreva na lousa os três conceitos que serão trabalhados na aula: argumento central, citação (direta e indireta) e paráfrase. Explique em uma frase o que é cada um, sem aprofundar ainda — o objetivo aqui é apenas ativar a curiosidade e preparar o olhar dos alunos para a leitura que virá. Distribua os textos impressos (ou oriente o acesso digital) e o roteiro de análise textual com as perguntas guia.
Momento 2: Leitura individual silenciosa do primeiro texto — a notícia (Estimativa: 8 minutos)
Oriente os alunos a lerem individualmente e em silêncio a notícia de jornal selecionada. Peça que, durante a leitura, sublinhem ou circulem: em azul (ou com um símbolo como um asterisco), o que consideram ser o argumento central; em vermelho (ou com um traço duplo), os trechos em que o autor cita outra fonte; e com um ponto de interrogação, qualquer trecho que pareça ser uma reformulação de ideia de outra pessoa. Oriente que não se preocupem em acertar agora — o objetivo é fazer marcações iniciais que serão discutidas coletivamente. Observe se os alunos estão engajados na leitura e se estão fazendo algum tipo de marcação. Circule pela sala sem interromper, apenas verificando o envolvimento da turma. Se perceber que algum aluno está com dificuldade para começar, aproxime-se discretamente e sugira que ele leia o primeiro parágrafo e tente responder mentalmente: do que esse texto está falando?.
Momento 3: Discussão coletiva sobre a notícia (Estimativa: 12 minutos)
Conduza a discussão coletiva sobre a notícia com base nas marcações que os alunos fizeram. Use perguntas abertas para guiar a conversa sem dar as respostas prontas. Comece com: Quem quer compartilhar o que marcou como argumento central? e, após uma resposta, pergunte à turma: Alguém marcou algo diferente? Por quê? Esse movimento de comparar marcações diferentes é fundamental para que os alunos percebam que a leitura envolve interpretação. Em seguida, foque nas citações: Onde o autor trouxe a voz de outra pessoa? Como você identificou isso? Aponte exemplos concretos no texto projetado ou na lousa, mostrando as marcas linguísticas — aspas, verbos como afirmou
Momento 1: Retomada e apresentação da proposta de produção (Estimativa: 10 minutos)
Inicie a aula fazendo uma retomada rápida do que foi trabalhado na Aula 1. Pergunte à turma: O que vocês lembram sobre como identificar um argumento central em um texto? Alguém consegue dar um exemplo de citação direta e indireta que vimos na aula passada? Permita que dois ou três alunos respondam brevemente, sem transformar esse momento em uma correção formal — o objetivo é apenas reativar os conhecimentos e preparar os alunos para a produção. Em seguida, explique com clareza o que será feito nesta aula: cada dupla receberá um texto-base e terá a tarefa de produzir uma resenha crítica a partir dele. Projete ou escreva na lousa os três elementos obrigatórios da resenha: (1) pelo menos uma paráfrase de ideia do autor, (2) pelo menos uma citação com discurso reportado e atribuição de fonte, e (3) um parágrafo com o posicionamento crítico da dupla sobre o conteúdo. É importante que você entregue a rubrica de avaliação neste momento, antes de os alunos começarem a escrever, para que saibam exatamente o que será observado. Leia os critérios em voz alta e pergunte se há dúvidas sobre o que se espera de cada um deles. Essa transparência reduz a ansiedade e orienta a escrita com mais intencionalidade.
Momento 2: Formação das duplas e escolha do texto-base (Estimativa: 5 minutos)
Organize as duplas de forma estratégica, preferencialmente combinando alunos com perfis complementares — um aluno com mais facilidade na leitura analítica com outro que demonstre mais desenvoltura na escrita, por exemplo. Evite deixar que os alunos escolham livremente os pares neste momento, pois isso pode gerar grupos muito homogêneos ou situações de exclusão. Distribua as opções de texto-base: ofereça pelo menos duas ou três opções com temáticas variadas — por exemplo, um texto sobre tecnologia e sociedade, outro sobre meio ambiente e um terceiro sobre saúde pública — para que as duplas possam escolher o que mais desperta interesse. Observe se todas as duplas conseguiram fazer a escolha com tranquilidade e se estão com o material em mãos. Certifique-se de que cada dupla também tenha acesso à rubrica de avaliação e ao roteiro de análise textual utilizado na Aula 1, que pode servir como apoio durante a produção.
Momento 3: Leitura do texto-base e planejamento da resenha (Estimativa: 10 minutos)
Oriente as duplas a lerem juntas o texto-base escolhido antes de começar a escrever. Peça que, durante a leitura, identifiquem e marquem: o argumento central do texto, pelo menos um trecho que possa ser parafraseado e pelo menos um trecho que possa ser citado com discurso reportado. Sugira que conversem entre si sobre o que acharam do conteúdo — concordam com o autor? Há algo que questionariam? Esse diálogo inicial é fundamental para que o posicionamento crítico que aparecerá na resenha seja genuíno e não forçado. É importante que você circule pela sala neste momento, observando se as duplas estão conseguindo identificar os elementos no texto. Se perceber que alguma dupla está com dificuldade para localizar o argumento central, aproxime-se e faça uma pergunta orientadora como: Qual é o problema ou tema principal que o autor quer discutir nesse texto? O que ele defende? Evite dar a resposta diretamente — conduza o raciocínio da dupla com perguntas.
Momento 4: Produção da resenha crítica em duplas (Estimativa: 25 minutos)
Este é o momento central da aula. As duplas iniciam a escrita da resenha crítica com base no planejamento feito anteriormente. Oriente que comecem pela apresentação do texto-base — título, autor e assunto principal — e sigam para a síntese das ideias centrais usando paráfrases. Em seguida, devem inserir a citação com discurso reportado e, por fim, redigir o parágrafo de posicionamento crítico. Circule pela sala de forma contínua, mas sem pressa. Ao se aproximar de cada dupla, observe o que já foi escrito antes de falar — isso permite que sua intervenção seja mais precisa e útil. Algumas perguntas que podem guiar suas intervenções: Essa frase aqui é uma cópia do texto ou uma paráfrase? O que vocês mudariam para ficar com as palavras de vocês? Vocês atribuíram essa fala a alguém? Como o leitor vai saber de quem é essa ideia? O que vocês acham desse argumento do autor? Concordam? Por quê? É importante que você não reescreva o texto pelos alunos em nenhum momento. Sua função é fazer perguntas que os levem a perceber o que precisa ser ajustado e a encontrar a solução por conta própria. Registre mentalmente ou em um caderno de acompanhamento quais duplas demonstram facilidade e quais apresentam dificuldades específicas — esse diagnóstico será útil para a Aula 3 e para eventuais retomadas. Observe também se os alunos estão conseguindo equilibrar as vozes no texto: há duplas que tendem a copiar demais, outras que escrevem só com as próprias palavras sem referenciar o autor. Ambos os extremos precisam de orientação.
Momento 5: Revisão em dupla e finalização do texto (Estimativa: 7 minutos)
Avise as duplas que restam cerca de sete minutos para revisarem o texto antes de encerrar a aula. Oriente que releiam a resenha produzida verificando três pontos específicos: (1) se a paráfrase preserva o sentido original sem copiar as palavras do autor, (2) se a citação está claramente atribuída a uma fonte e marcada com as convenções adequadas como aspas ou verbos de elocução, e (3) se o parágrafo de posicionamento expressa de fato a opinião da dupla com algum argumento que a sustente. Sugira que um membro da dupla leia o texto em voz baixa para o outro, como se fosse um leitor externo — essa estratégia simples ajuda a identificar trechos confusos ou que soam como cópia. Circule uma última vez pela sala e, se necessário, faça intervenções rápidas e pontuais. Ao final, oriente as duplas a guardarem o texto — ele será apresentado na Aula 3 — e peça que anotem brevemente, em uma folha separada ou no próprio rascunho, duas ou três escolhas que fizeram durante a escrita e que gostariam de explicar para a turma na próxima aula. Esse registro prévio facilita a apresentação oral e torna a roda de leitura mais rica.
Momento 6: Encerramento e antecipação da próxima aula (Estimativa: 3 minutos)
Encerre a aula retomando brevemente o que foi feito: as duplas leram um texto real, identificaram argumentos e citações, produziram paráfrases e escreveram um posicionamento crítico próprio. Valorize o esforço coletivo sem fazer comparações entre as duplas. Antecipe o que acontecerá na Aula 3 — a roda de leitura — e explique que cada dupla terá alguns minutos para apresentar a resenha e explicar as escolhas que fez. Reforce que o objetivo não é ter o texto perfeito, mas conseguir explicar o raciocínio por trás de cada decisão de escrita. Isso reduz a ansiedade e prepara os alunos para uma apresentação mais reflexiva e menos performática.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as estratégias a seguir têm caráter preventivo e visam garantir que todos os alunos participem com equidade, independentemente de variações no ritmo de aprendizagem, no nível de letramento ou na confiança para escrever.
Para alunos com maior dificuldade na escrita ou na leitura, considere disponibilizar um modelo parcial de resenha — um parágrafo inicial já estruturado, com lacunas para completar — como andaime textual. Isso não substitui a produção, mas oferece um ponto de partida concreto para quem trava diante da página em branco. Você pode preparar esse material com antecedência sem grande esforço adicional.
Durante a circulação pela sala, priorize as duplas que demonstram mais insegurança ou que estão com o texto ainda em branco após os primeiros minutos de produção. Uma pergunta simples e direta como O que vocês entenderam que o autor quis dizer nesse parágrafo? já é suficiente para destravar a escrita na maioria dos casos.
Para alunos que terminam muito rapidamente, proponha um desafio adicional: reescrever o parágrafo de posicionamento usando um contra-argumento — ou seja, apresentar uma possível objeção à própria opinião e respondê-la. Isso aprofunda o pensamento crítico sem criar ociosidade.
Se houver alunos com dificuldades de atenção ou concentração, a estrutura em duplas já favorece o engajamento, mas você pode reforçar isso orientando que as duplas dividam as tarefas de forma explícita: um aluno fica responsável por identificar os trechos a parafrasear e o outro por redigir o posicionamento, por exemplo. Essa divisão torna a tarefa mais concreta e menos abstrata.
Por fim, lembre-se de que a rubrica entregue no início da aula é, por si só, uma estratégia de acessibilidade cognitiva: ela antecipa as expectativas, reduz a ambiguidade e permite que todos os alunos — independentemente do estilo de aprendizagem — saibam exatamente o que se espera deles. Você já está fazendo muito ao tornar os critérios visíveis e transparentes desde o início.
Momento 1: Abertura e preparação para a roda de leitura (Estimativa: 8 minutos)
Inicie a aula criando um clima acolhedor e de confiança, fundamental para que os alunos se sintam à vontade para compartilhar suas produções. Explique com clareza como funcionará a roda de leitura: cada dupla terá alguns minutos para apresentar a resenha produzida na aula anterior, destacar duas ou três escolhas argumentativas que fez durante a escrita e, em seguida, receber o feedback estruturado dos colegas e do professor. Projete ou escreva na lousa o protocolo de feedback que será utilizado: cada dupla que ouvir a apresentação deverá registrar em sua folha de protocolo um ponto que funcionou bem no texto apresentado e uma sugestão concreta de melhoria. Reforce que o objetivo não é julgar o texto, mas aprender com as escolhas de escrita de cada grupo. É importante que você deixe claro que erros e dúvidas fazem parte do processo e que a roda de leitura existe justamente para que todos cresçam juntos. Distribua as folhas de protocolo de feedback para todos os alunos e oriente que anotem o nome da dupla apresentadora no topo de cada registro. Permita que as duplas tenham dois minutos para reler rapidamente a resenha produzida e relembrar as escolhas que gostariam de destacar, com base nas anotações feitas ao final da Aula 2.
Momento 2: Apresentações das duplas — roda de leitura (Estimativa: 35 minutos)
Organize as cadeiras em semicírculo ou em roda, se o espaço permitir, para favorecer a escuta ativa e o contato visual entre os participantes. Inicie chamando a primeira dupla para apresentar. Oriente que cada apresentação siga uma estrutura simples: primeiro, a dupla lê em voz alta um trecho da resenha — preferencialmente o parágrafo de posicionamento crítico ou o trecho com a citação em discurso reportado — e, em seguida, explica duas ou três escolhas que fez durante a escrita. Exemplos de escolhas que podem ser comentadas: por que decidiram parafrasear determinado trecho em vez de citar diretamente, qual verbo de elocução escolheram e por quê, ou como chegaram ao posicionamento crítico expresso no texto. Enquanto a dupla apresenta, os demais alunos devem estar preenchendo a folha de protocolo de feedback em silêncio. Após cada apresentação, abra um breve espaço de dois a três minutos para que dois ou três colegas compartilhem oralmente o que registraram — o que funcionou bem e uma sugestão de melhoria. Conduza esse momento com cuidado: intervenha gentilmente se algum comentário soar como crítica pessoal ou vaga demais, redirecionando para o texto. Perguntas como Você consegue apontar um trecho específico onde isso aparece? ou O que você sugeriria para melhorar essa parte? ajudam a tornar o feedback mais concreto e útil. Após os colegas falarem, acrescente sua própria observação como professor — valorize um elemento bem executado e aponte um ponto de desenvolvimento com base nos critérios da rubrica. Observe se os alunos estão conseguindo argumentar com respeito e se estão ouvindo ativamente as apresentações dos colegas. Esse é um indicador importante de aprendizagem social e comunicativa. Dependendo do número de duplas da turma, ajuste o tempo de cada apresentação para que todas consigam participar dentro dos 35 minutos. Se a turma tiver muitas duplas, considere que algumas façam a apresentação oral e outras entreguem o protocolo de feedback escrito sem a fala coletiva, garantindo que todas as produções sejam contempladas.
Momento 3: Síntese coletiva das aprendizagens (Estimativa: 10 minutos)
Após todas as apresentações, conduza uma síntese coletiva das aprendizagens observadas ao longo da roda de leitura. Comece fazendo perguntas abertas à turma: O que vocês perceberam de parecido entre as resenhas? Quais foram as maiores dificuldades que apareceram nos textos? O que vocês fariam diferente agora que ouviram os outros grupos? Permita que três ou quatro alunos respondam e, a partir das falas deles, sistematize na lousa os principais pontos — por exemplo, a diferença entre paráfrase e cópia, a importância de atribuir a fala a uma fonte, ou como o posicionamento crítico pode ser mais ou menos desenvolvido. Esse momento de sistematização é essencial para consolidar os conceitos trabalhados ao longo das três aulas e para que os alunos percebam o próprio progresso. É importante que você valorize as falas dos alunos, conectando-as aos conceitos formais sem transformar a conversa em uma aula expositiva. O tom deve ser de conclusão compartilhada, não de correção.
Momento 4: Autoavaliação escrita individual (Estimativa: 7 minutos)
Encerre a sequência didática com um momento de autoavaliação individual. Distribua uma folha simples — ou oriente que os alunos usem o verso da folha de protocolo — com três perguntas para responderem por escrito: O que você aprendeu sobre paráfrase ao longo dessas três aulas? Ainda tem alguma dúvida sobre discurso reportado ou citação? O que você mudaria no seu texto se fosse reescrevê-lo agora? Oriente que as respostas sejam curtas e honestas — não há resposta certa ou errada nesse momento. Explique que esse registro é para o próprio aluno refletir sobre o aprendizado e para você, professor, entender o que precisa ser retomado nas próximas aulas. Observe se os alunos estão respondendo com reflexão genuína ou apenas com respostas superficiais. Se perceber resistência, aproxime-se de alguns alunos e faça a pergunta oralmente, incentivando-os a registrar o que disseram. Recolha as autoavaliações ao final — elas serão um instrumento valioso para planejar retomadas e para mostrar aos alunos, futuramente, o quanto avançaram.
Momento 5: Encerramento e valorização do percurso (Estimativa: 5 minutos)
Finalize a aula fazendo um fechamento afetivo e reflexivo da sequência didática como um todo. Retome brevemente o percurso das três aulas: na primeira, os alunos aprenderam a ler textos com olhar analítico; na segunda, produziram uma resenha crítica real; e na terceira, compartilharam e refletiram sobre suas escolhas de escrita. Valorize o esforço coletivo da turma sem fazer comparações entre as duplas. Você pode encerrar com uma frase motivadora que conecte o que foi aprendido à vida fora da escola — por exemplo, destacando que saber ler criticamente, reformular ideias com as próprias palavras e posicionar-se com argumentos são habilidades essenciais não só para o Ensino Médio, mas para a vida cidadã. Se quiser, proponha um desafio opcional para casa: ler uma notícia de jornal e identificar, por conta própria, onde aparecem citações e paráfrases — sem obrigatoriedade de entrega, apenas como exercício de olhar crítico.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as estratégias a seguir têm caráter preventivo e visam garantir que todos os alunos participem da roda de leitura com equidade, confiança e protagonismo, independentemente de variações no ritmo de aprendizagem, no nível de letramento ou na desenvoltura para falar em público.
Para alunos com maior timidez ou dificuldade de expressão oral, considere permitir que a apresentação seja feita com apoio de anotações — o aluno pode ler o trecho da resenha diretamente do papel e consultar as escolhas que anotou ao final da Aula 2, sem precisar improvisar. Isso reduz a ansiedade sem eliminar a participação. Você pode reforçar antes das apresentações que todos podem usar as anotações como apoio, normalizando essa prática para toda a turma.
Durante a roda de leitura, fique atento a alunos que demonstram desconforto ao receber feedback. Se perceber que algum aluno está reagindo de forma defensiva ou se fechando, intervenha gentilmente redirecionando o comentário para o texto — diga, por exemplo, Vamos olhar para esse trecho aqui: o que vocês acham que poderia ser ajustado? Isso despersonaliza a crítica e torna o momento mais seguro.
Para alunos que terminaram a resenha com mais dificuldade e cujo texto está menos desenvolvido, valorize especialmente as escolhas que conseguiram fazer, por menores que pareçam. Um comentário como Vocês conseguiram parafrasear esse trecho de forma bem clara já é um avanço significativo reforça a autoestima e mantém o engajamento.
A estrutura do protocolo de feedback escrito — com campos definidos para o que funcionou bem e uma sugestão de melhoria — é, por si só, uma estratégia de acessibilidade cognitiva: ela organiza o pensamento, reduz a ambiguidade e permite que todos os alunos participem do feedback de forma estruturada, mesmo aqueles que teriam dificuldade em formular um comentário espontâneo. Valorize esse instrumento e lembre a turma de usá-lo durante todas as apresentações.
Por fim, a autoavaliação escrita individual ao final da aula é uma estratégia inclusiva importante: ela garante que alunos mais reservados, que não se expressaram oralmente durante a roda, tenham um espaço legítimo para registrar suas aprendizagens e dúvidas. Leia essas autoavaliações com atenção — elas frequentemente revelam dificuldades que não apareceram nas apresentações e que merecem acolhimento nas aulas seguintes. Você está fazendo um trabalho cuidadoso ao criar esses espaços de escuta, e isso faz toda a diferença para os alunos que aprendem de formas diferentes.
A avaliação dessa sequência acontece em dois momentos principais. O primeiro é formativo, durante a produção em dupla na segunda aula: o professor observa o processo, faz perguntas orientadoras e anota dificuldades recorrentes para retomar coletivamente. O segundo é a avaliação da resenha produzida, usando critérios claros que os alunos conhecem desde o início. A apresentação oral na roda de leitura também pode ser avaliada, mas de forma leve — o foco é o engajamento e a capacidade de justificar escolhas, não a performance. Para alunos que têm mais dificuldade com a fala em público, o professor pode aceitar a justificativa por escrito como alternativa.
Os recursos escolhidos são simples e acessíveis. A prioridade foi garantir que qualquer escola, com ou sem laboratório de informática, consiga aplicar essa sequência. Os textos podem ser impressos ou projetados, dependendo da estrutura disponível. Se a escola tiver acesso a dispositivos, os alunos podem usar editores de texto para a produção — o que facilita a revisão e o compartilhamento. Mas papel e caneta funcionam igualmente bem.
Mesmo sem condições específicas mapeadas na turma, vale estar atento a alguns sinais durante a sequência. Alunos que travam na escrita individual costumam se sair melhor em dupla — e essa atividade já prevê isso. Se algum aluno tiver dificuldade de leitura, o professor pode fazer a leitura em voz alta do texto-base na Aula 1, o que beneficia a turma toda. Na roda de leitura, ninguém deve ser forçado a falar: a dupla decide quem apresenta, e o professor pode aceitar que um dos dois fale mais. Textos com temáticas diversas — incluindo vozes de diferentes origens culturais e sociais — enriquecem a discussão e fazem com que mais alunos se identifiquem com o material.
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